quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Estado permanente de férias


Sem mais para o momento

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Tradições típicas de bêbados

Começa assim: uma roda de amigos bebendo sem parar até serem "expulsos" do boteco. No trajeto entre o recinto e o estacionamento, alguém tem a brilhante idéia: "E aí? Rolamento?". Segundos depois, todos estão no chão, sem saber exatamente o porquê. Tudo pura e unicamente para manter viva uma tradição de bêbados. Ou não. Mas, segundo a Alcoolpédia, reza uma lenda que essa tradição vem desde a Idade Média. Naquele tempo, os aldeões mandavam goela abaixo e noite adentro toda a cerveja estocada nas tavernas da região. "Taverneeeeeeeirooooooooooo! Cerveja para os homens, água para os cavalos". Algumas horas depois, estavam todos rolando no chão, felizes da vida.

Muitos leitores do Taverneiro, em todos os cantos do Brasil, já foram flagrados (e há provas materiais e testemunhais disso) mantendo essa tradição. Eu, por exemplo, sou um grande entusiasta desse saudável costume. Não lembro muito bem quando comecei a adotar a técnica post-bar, mas minhas lembranças mais remotas são de pelo menos dez anos atrás. O Testa é outro grande adepto. Não recusa um. Mas toda vez sai todo ralado. Ainda não é um "samurai" das ruas. Já o Paraíba costuma dar rolamentos em câmera lenta. Talvez por conta de sua avantajada pança, que "cresceu" 10 quilos em 9 meses. De pança igualmente sinuosa, o Gordo Souza faz diferente. Meio metido a dançarino, não só executa um rolamento perfeito, como já levanta dando saltinhos e batendo palminhas incentivadoras. Morales gosta tanto da coisa que até já fez o movimento até mesmo em casa de moças virgens - se bem que pareceu mais uma queda, seguida do movimento, do que um rolamento intencional.

Em linhas gerais, o rolamento nada mais é do que uma técnica empregada nas inúmeras artes marciais. A definição constante no dicionário diz que o sujeito executa um movimento circular com eixo no abdôme, se mantendo sobre as costas de maneira transversa... (???). Nada melhor do que citar alguns episódios para todos entenderem. O rolamento em dupla é o mais tradicional. Dia desses, Paraíba recebeu em casa um amigo de outra cidade. Beberam até não aguentar mais. No caminho para o carro se deparam com uma ladeira de 45 graus. Qualquer um pensaria: "vai dar merda". Mas os dois bebuns não hesitaram e mantiveram a tradição ladeira abaixo. Lógico que não parou no primeiro. Eles continuaram a rolar, a rolar e a rolar. Tem também o carreira solo. Muito raro, mas acontece quando o cara está muito bêbado e faz primeiro só para encorajar os demais. Ou quando na hora H alguém refuga. Tem também o rolamento coletivo. Esses são os mais assustadores. O maior de todos teve um elenco de cinco pudins de cachaça numa festa de estranhos, as 6h da manhã. O tiozão, dono da casa, já estava acordado, lendo seu jornal na varanda. De repente, observa a sua frente, no seu quintal, os últimos sobreviventes da farra. Todos perfilados, prontos para executar o movimento. "Vamos lá galera, no 'três' todo mundo dando rolamento". O último deles foi parar no pé no tiozão. Um outro quase caiu dentro da piscina.

Para esses tipo de bêbado, não tem tatame ruim. Pode ser na grama, no asfalto, na ladeira, na calçada, nos paralelepípedos, na sala de estar da casa alheia... O importante é manter a tradição. Por isso, para finalizar, segue um passo-a-passo para você aprender essa técnica que atravessa os séculos e, por que não, repassar para seus companheiros de copo esse saudável comportamento.

1 - Beba muitos litros de qualquer bebida alcóolica.
2 - Quando já estiver no grau, intime os demais bêbados a realizar o movimento. Pelo menos um deles não te deixará na mão. Afinal, brother é brother e filho da puta é filho da puta.
3 - Mantenha-se perfilado com os demais e conte até três.
4 - Atenção para a seqüência de movimentos: jogue o corpo para a frente com as mãos erguidas. Se você é destro, toque primeiramente a mão direita no solo, em seguida o antebraço, cotovelo e por fim o ombro (isso evita que você bata a cabeça no "tatame"). Se for canhoto, a idéia se mantém, mas toque a mão esquerda no solo. Dependendo do nível alcóolico, suas pernas se jogarão automaticamente (leis da física) por cima de seu corpo, completando um movimento perfeito. Pronto.
Você está apto a participar das tradicionais rodas de rolamento no meio da rua. Se é que não já o faz. Ou, pelo menos, segue uma outra tradição típica de bêbado. Né?

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A ÚLTIMA VALSA

Ronaldo era um sujeito boa praça, mas também um grandissíssimo filho da puta. Era do tipo que fazia amizades rapidamente e as cultivava como ninguém, embora gostasse de sacanear a molecada. Quando encarnava em um deles, não parava enquanto não tirasse a "vítima" do sério. Filho de Dona Inez, uma mãe dedicada, católica fervorosa, que dava de tudo do melhor para sua cria. Não lhe faltava nada. Era o xodó de Dona Inez, mesmo que ele não fosse o melhor filho do mundo. Pelo contrário, dava muito desgosto, na verdade. Botafoguense dos mais fanáticos, não perdia um jogo do seu time de coração, nem mesmo quando a peleja era contra o famigerado Madureira. Acompanhava atentamente as narrações de Luiz Penido, no seu radinho de pilha. Fã de Slayer, Pantera e Sepultura. Aos fins de semana, curtia uma cervejinha com os amigos nas festas. Mas nada que extrapolasse a ordem natural das coisas de quase todo homem recém-saído da adolescência.

Mas Ronaldo passou por uma mudança brusca em sua vida. Por isso, aos poucos, foi entrando de cabeça na cachaça. Cerveja? Já não fazia tanto efeito em seu organismo. Começou por bebidas baratas, como Catuaba Selvagem, 51, Presidente, Natasha... mas, claro, a cerveja sempre estava ao seu lado. Numa de suas estripulias pós-bebedeira detonou o Santana ano 88 de seu velho. Bêbado, fez um "gato" no meio da entrequadra comercial. O carro que descia na mão contrária chapou na porta do passageiro, onde estava um amigo de Ronaldo (igualmente bêbado). Após rodar no meio da pista, o jovem engatou a primeira marcha e fugiu, catando ainda a traseira de outros dois carros que estavam no estacionamento. Acelerou fundo até se "esconder" no estacionamento de uma quadra residencial, distante dali uns 3 quilômetros.

- E aí velho... será que alguém anotou a placa do meu carro?- Cara... foi tudo muito rápido. Mas é melhor a gente dar um tempo por aqui.- Foda que eu detonei outros dois carros que nada tinham a ver, né?- É... você está na mão do palhaço agora, amigo...
Meia hora depois, a dupla de bebuns retorna a mesma quadra onde ocorrera o acidente, com o mesmo Santana ano 88, todo fodido, e com a mesma cara de pau. Estacionaram nas redondezas e foram até um bar que havia naquela rua. Ronaldo, cínico que só ele, perguntou ao garçom depois de pedir uma dose de Dreher: "E aí chefe... soube que rolou uma batida sinistra aqui agora, né? Ninguém conseguiu anotar a placa do filho da puta?". O garçom, todo solícito, dissera que dois caras gigantes pegaram seus carros e saíram à caça do infrator. Mas voltaram sem sucesso. Alívio para Ronaldo e seu amigo bêbado, que, a essa altura, estava todo cagado de medo de serem reconhecidos.

Coisas do tipo se repetiram um sem número de vezes. Quem não conhecia Ronaldo de perto, se perguntava como aquele garoto se tornara um grande inconseqüente. Chegou ao fundo do poço. Bebia em tradicionais bares pés sujos da cidade. Sozinho, em pleno meio-dia. Café da manhã? Velho Barreiro com cigarros Hollywood. Almoço? Cerveja com mais cigarros Hollywood. Jantar? Conhaque Presidente com muitos cigarros Hollywood. Dia após dia. Essa era a rotina de Ronaldo. Chegou a raspar a cabeça com gilete. Mergulhou nas drogas. Maconha? Era como cigarros comuns. Fumava vários fininhos ao longo do dia. Vivia de "cabeça feita". Por várias vezes, amigos tiveram que buscá-lo no bar para levá-lo em casa.

Três meses antes de tudo isso, não fazia nem metade das besteiras que vinha fazendo. Aliás, não fazia nenhuma. Passou a fazer desde aquela festiva noite, onde era comemorada a formatura de um primo. Ele, que não era muito de dançar, foi tirado por Dona Inez para uma valsa. "Meu filho, dança com sua mãe pelo menos uma vez na sua vida?". Meio sem jeito, acabou aceitando para não deixar a mãe na mão. Ela o abraçou. Ele sorriu. Na metade da valsa, ela desmorona. Ronaldo ainda consegue evitar que sua mãe caia pra trás. Ele a segurou firme em seus braços, ajoelhou com ela em seu colo, e chorou a morte de sua mãe... ali mesmo, no meio do salão, diante de todos os convidados. Diagnóstico: enfarte fulminante. Nos braços do seu único filho que nunca havia dançado com a mãe. Desde então, nunca mais foi o mesmo. Passou a beber e a fumar como nunca. Raspou a cabeça com gilete. Bateu o Santana ano 88 de seu velho. Quase enlouqueceu. Buscou refúgio no fundo do copo de cachaça. Sem mãe, hoje sofre com uma cirrose...

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domingo, 7 de dezembro de 2008

É hora de rir na geral


EU TERIA UM DESGOSTO PROFUNDO SE FALTASSE O VASCO NO MUNDO...

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Velas e bolo para O Taverneiro

Bebedeiras, porres, esculhambações, putarias, polêmicas, carapuças, definições, crises, zoeira, filha-da-putagem, contos, revelações, ressacas, estripulias, sacanagem, cerveja, muita cerveja... De tudo isso teve um pouco nesse primeiro ano de "vida" do alcoolizado blog O Taverneiro, completado semana passada - dia 26 de novembro, para ser mais exato. Fato lembrado por Testinha, uma das principais "vítimas" desse espaço. "Porra cara! Você está de marcação comigo? Eu estou em quase todas as histórias!". Também pudera. Vive bêbado e fazendo merda!

E não é só o nobre bêbado Testinha que sempre passa por aqui. O melhor do Taverneiro é que aqueles que o lêem não "cansam" de fornecer pauta para ser contada aqui. O melhor é que sempre tem história boa pra botar na mesa. Algumas parecem até mentira, mas são todas completamente verídicas. Como o caso em que quatro guerreiros invadiram um casamento via nado. A prova está em "A arte da guerra (noturna). Muitos episódios ficaram imortalizados por aqui, como a folclórica noite do "Sete Otários e um Banheiro". Sem falar nas estripulias do menino-garoto em "Sampa City - A Cidade do Pecado". A pobre moça esquecida no escritório pelo bêbado que foi comprar camisinha também fez sucesso.

Não dá para deixar de fora a maior pegadinha de todos os tempos: a televisão de 29 polegadas da 105 FM. Melhor do que essa, só o cara que comprou gato por lebre e levou um traveco, ao invés de uma puta. Ainda no campo das putas, quem fez história também foi o Souza em "Dois Perdidos Numa Noite Suja". Medalha de prata, porque a medalha de ouro nesse quesito foi para "Morales - O Rei das Putas", uma das campeãs. Mas nada verdadeiramente mais idiota do que um menino, achando que é homem, comprar um cavalo num leilão, dando origem ao famoso conto "Um Pangaré Bom de Lance". O mesmo sujeito motivou a "análise" Um Pangaré Ruim de Roda. Ainda como análise, um conto que motivou vários debates foi Bêbado e um celular: uma relação explosiva. A transformação de um nerds em um dos maiores arruaceiros vivos dessa Brasila fez sucesso também. A auto-biográfica A Primeira Vez no Planeta dos Macacos foi uma das que despertou grande polêmica. A mais recente, Pense Bem Antes de Pedir Carona, chegou a receber questionamentos se, de fato, é verídica. Como já dito, repito: tudo aqui é absolutamente baseado em fatos reais.

Essas são algumas das muitas amostras do que um bêbado pode fazer. O bêbado é um espécime que sempre vai render história - seja feliz ou triste. Por isso, esse espaço continuará sendo atualizado por muito tempo. Se tiver paciência, sangue frio e estômago, escolha sua favorita entre essas.

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pense bem antes de pedir carona

Johnny e Benício nunca foram atores de ofício. Mas carregam um histórico de encenações pós-bebedeira dignas de Globo de Ouro ou até mesmo Oscar. A idéia é sempre tirar sarro da cara de alguém. A última vítima foi capturada na saída de uma festa produzida para um público freqüentador de um festival de cinema. Após muitas garrafas de cerveja, os dois seguiam completamente embriagados em direção ao carro. Do lado de fora da festa, um sujeito inquieto aborda os dois amigos e, educadamente, inicia uma longa conversa.

Caroneiro: amigão... desculpa a intromissão, mas vocês estão indo para o rumo da Asa Sul?
Johnny: estamos sim, por que?
Caroneiro: poxa amigão, pelo amor de Deus, será que vocês podem me dar uma carona? Eu perdi o meu carro aqui no estacionamento. Eu estou há 1 hora procurando, minha mulher não pára de me ligar...
Johnny, interrompendo bruscamente: você é casado?
Caroneiro: sou sim e ela está me ligando há um tempão para eu ir embora...
Johnny, agressivamente: você acha isso legal? Sair para a putaria com os amigos e deixar a esposa sozinha em casa até as 6h da manhã? Acha isso bonito?
Caroneiro: poxa cara, eu não queria ter vindo. Estava no festival com os amigos e eu acabei entrando na onda...
Benício: então me dá aqui sua chave que eu acho o seu carro. Eu estou (irrccc) sóbrio...
Caroneiro: não amigão, pelo amor de Deus. Eu não estou brincando. O carro sumiu. Eu tenho que ir embora. Deixa eu ir com vocês, de coração...

Pobre coitado. O cara devia mesmo estar em maus lençóis com a esposa, tamanho era o desespero do "amigão" para chegar em casa. Johnny e Benício aceitaram dar a carona. A partir do momento em que o caroneiro entrou no carro, começou a pior noite da vida daquele infeliz.

Benício, ao volante, comenta com cara de poucos amigos: porra, você é o maior empata-foda hein bicho. A gente ia direto para o motel ali no Banban. Agora vou ter que ir lá na baixa da égua e voltar.
Caroneiro: pô, desculpa aí cara... eu, eu...
Benício, fingindo estar puto: "desculpa" é foda, né? Melou todo nosso esquema.
Caroneiro, entrando em desespero: pô amigão, vocês deviam ter avisado antes. Eu pediria carona para outra pessoa.
Johnny: agora já era brother.
Benício: e agora bicho? como a gente faz?
Caroneiro, já com voz trêmula (de choro): ah não cara, por favor, eu preciso chegar em casa.
Benício: porra aí é foda. Então você espera no carro pra gente dar umazinha?
Caroneiro pensa alguns segundos e considera a questão: por quanto tempo?
Benício: ah.... uma hora, uma hora e meia...
Caroneiro no limite extremo do desespero: nãaaaaaaaaao amigão! Pelo amor de Deus! Então pára o carro aqui. Eu vou correndo.
Benício: então tu vai ter que participar, bicho...
Caroneiro: ô amigo, de coração. Me deixa aqui então. É sério...

Suor na testa, mãos geladas e cuzinho na mão. Enqüanto o motorista Benício fazia o terror psicológico com o pobre rapaz, Johnny, só fazia eco aquilo que Benício dizia. "É bicho... tu é foda. Que merda...". E o cara no banco tinha certeza que ele ia rodar naquela noite.

Benício: seguinte velho. Você vai ter que deixar pelo menos o dinheiro do gás. Dá vintão aí.
Caroneiro: poxa cara, de coração, eu não tenho mais nada. Sério mesmo...
Benício e Johnny se viram pra trás bruscamente e o primeiro pergunta de forma agressiva: tu acha que a gente é otário?!?!
Caroneiro: é sério caras, de coração. Olha aqui, não tenho nem meus documentos direito...
Johnny: foda viu... o cara vai pra putaria com os amigos, larga a esposa em casa, e ainda tenta fazer os outros de otário.
Caroneiro: poxa galera, me perdoe, de coração... vocês deviam ter avisado.
Benício: tu curte rapazes?
Caroneiro: pô...
Benício: curte ou não curte porra?!?!?!
Caroneiro: curto não cara, mas eu respeito
Benício: aaah tá. É bom respeitar mesmo...


A essa altura, o infeliz no banco de trás rezava baixindo, não levantava o olhar uma única vez e, certamente, devia estar sentindo o maior arrependimento de sua vida. O terror psicológico durou pouco mais de 20 minutos. Mas o suficiente para travar o esfíncter do pobre coitado a ponto de não passar nem pensamento. O caroneiro acabou deixando escapar uma gota de lágrima no canto do olho... Foi a pior noite de sua vida. Sofreu xingamentos por parte da mulher para ele ir embora logo. Recebeu lição de moral de um bêbado. Passou por um "estupro" psicológico da festa até sua casa. Em casa, ainda discutiu com a esposa, por ter chegado as 6h da manhã, sem o carro comprado com prestações a perder de vista. Mas o pior, foi no momento de descer do carro. Johnny foi carrasco. "Vaza logo meu irmão...". O infeliz não disse uma única palavra e desceu mansamente. Até que Benício soltou a derradeira. "Eu ainda como esse cuzinho...". Levantou a cabeça, saiu correndo e sumiu na escuridão. Naquela noite, ao menos lhe restou uma lição que jamais esquecerá: nunca pegue carona com estranhos. Podem ser dois psicóticos.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Pensador do ano

"Um bom vinho pode ser tinto ou branco. Mas um bom cú tem sempre que ser rosé"


Elvis Brown, cafetão interpretado por Tiririca, no filme roteirizado (!!!!!!) pelo "poeta" Chorão

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mundo Souza

"O Souza é a minha segunda casa. O lugar é 24 horas, tem rango bom, cerveja sempre gelada e fica na minha rua. A gente tem que ir lá". Diante de uma propaganda como essa, "vendida" pelo anfitrião Briba Paraíba, não tive dúvidas. Seria lá, no SOUZA, que eu tomaria a saidera daquela sexta-feira chuvosa em São Paulo. Antes, pela primeira vez na nossa vida, a gente fechou um outro bar, o São Cristovão, na Vila Madá.

"Senhores, aqui está a conta. Sei que vocês não pediram, mas a gente precisa fechar tudo e ir pra casa dormir, pelo amor de Deus". Ainda arrancamos um chopp derradeiro do desesperado garçom, antes de deixar R$ 90 na mesa e seguir rumo ao famoso Souza, na "Pomps" (Pompéia), lá pelas 3h.

Já nas proximidades do boteco, o "marketeiro" Briba não cansava de mencionar o quão bacana era o recinto. "...(O Souza) é um lugar muito bom. Atendimento excelente, clientela tranqüila, preço bom, ambiente agradável...". Nem bem havia terminado de enumerar as qualidades do boteco, um som de muita água batendo no chão pôde ser ouvido. Era a "obra" de um jovem, que saíra correndo os 100m rasos do salão do bar até a calçada e vomitou até sua medula. "Bom... como eu estava dizendo e vocês podem reparar... é um lugar bacana, né?". O jovem, apoiado no poste em frente ao Souza, vomitava sem parar. Na última despejada do líquido viscoso, cor de abóbora, com cheiro de merda, o jovem mandou pra fora o que sobrara de sua medula. Finalizou gofando até sua alma. Coisa linda de Deus...

Esse foi só o cartão de visitas. O Mundo Souza é assim: vários manos falando sobre o último rap que tá rolando lá na periferia; um bando de lôco com a camisa do Curinthia cantando "Eu voltei, agora pra ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar..."; outros tantos manos "maloquêros" tomando uma Brahma e fumando seus cigarrinhos Hollywood (vermelho); mais alguns bêbados falando alto e gesticulando sobre o caminho mais curto entre a "Pomps" e a estação São Judas; duas minas horrorosas se pegando; um junkie "fungando" um certo pó branco na pia do banheiro; o chapeiro, suado como alguém que acabou de percorrer uma maratona, preparando uma carne de sol acebolada, com um cigarrinho no canto da boca; de avental e gel no cabelo, um garçom quebrando um copo propositadamente na frente dos clientes - só porque o mesmo já estava trincado; um careca gordo, podre de bêbado, dormindo sentado lá no canto; dois caras azarando a mesma gatinha... Há de tudo um pouco. Dá para passar a noite estudando o comportamento do ser humano (bêbado).

O melhor de tudo é que só lá, no Souza, você beber até chegar ao ponto de, as 6h da manhã, dar rolamento no meio da rua, de tão bêbado, por míseros R$ 23!!!!!! É por isso que adoramos bares assim.

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Beber, cair e não levantar...

O universitário é um espécime com predisposição a passar muito tempo no bar entre uma aula e outra e, principalmente, após as aulas (uma forma de "estágio" para se acostumar à rotina depois que estiver formado e empregado). Mais do que isso, ele é propenso a "passar da conta", ser um tipo "sem limites". O Cardoso, um sujeito falador que só ele, meio metido a político, costuma ser assim. Lá pelo meio da faculdade, conheceu três camaradas que ainda hoje dividem mesa de bar com ele. O quarteto matou aula e foi beber no falecido Aspargus, um bar bem almofadinha, que existia na Asa Norte. Mas, pela conveniência da proximidade da faculdade e da residência oficial de Cardoso, foi o bar escolhido para jogar conversa fora naquela noite.

Se hoje - após quase dez anos desse encontro - Cardoso ainda se mostra um iniciante na arte de beber, naquela época, então, ele não passava de um garoto de 12 anos. Bebia alguns goles e já ficava vesgo e embolava a língua. Mesmo assim, insistia em permanecer na mesa até fechar a conta. Foi numa dessas que, após 36 GARRAFAS de Skol - uma média de 5,4 litros de cerveja por cabeça -, Cardoso teve de sair "rebocado" pelo irmão até sua casa , babando e roncando. Pior: na hora de pagar a conta, ele deu um cheque. Dia seguinte, o gerente do Aspargus telefona para o menino: "Senhor Cardoso? Aqui é o Chico, gerente do Aspargus. O senhor poderia retornar aqui ao nosso bar, porque o cheque que deixou aqui ontem está ininteligível. Não dá para identificar o valor, nem a assinatura. É um rabisco só...". Cardoso, sem lembrar do fato de ter pago a conta com cheque, se dirigiu até o estabelecimento e, para a sua própria surpresa, nem mesmo ele fazia alguma idéia do que havia assinado no cheque. Rasgou e deu outro.

O Caio Júnior também já aprontou das suas quando estudante de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB). Hoje, um profissional renomado, é mais comedido. Naquela época, de segunda a sexta-feira, ele costumava sair pelo menos três vezes para tomar sua cervejinha com os hippies de boutique lá da UnB. Outra vez, já eufórico, falando alto, rindo de qualquer coisa e azarando todo mundo, propôs aquela saudável brincadeirinha do "vira-vira". Todo mundo tinha que virar seu copo de cerveja. Quem refugasse, deveria virar DOIS copos. Lá pelas tantas, Caio Júnior, já se sentindo o dono da situação, vai ao banheiro dar aquela mijadinha. Na ida, "flerta" com uma garrafa de cachaça na prateleira. Na volta, retorna com ela embaixo do braço. "Galera, o desafio agora é pra gente grande. Vira-vira com cachaçaaaaaa!!!". Como todos já estavam bêbados... ninguém hesitou. Pelo contrário. Bateram palmas. Lógico... ia dar merda.

Quando a noite estava de final e a conta parcial já estava na mesa, Caio Júnior olhou ao seu redor e reparou que todos estavam arrasados e desanimados. Mas ele achou que a vitória viria nos minutos finais quando Suzana e Ellen, duas amigas gostosas e solteiras que moravam juntas, pediram um favorzinho. "Cacá, meu amor... você leva a gente em casa, por favooooor...". Neste momento, ao mesmo tempo que veio à mente de Caio Júnior a música "We Are The Champions", do Queen, ele balançou a cabeça positivamente e soltou um sorrisinho sem-vergonha. "É hoje, moleque!!! Vai rolar um ménage à trois!!!".

Não rolou... bastou o cidadão dirigir por duas, três quadras que a marvada cachaça começou a agir sem piedade em seu organismo. O cara começou a enxergar quatro pistas, onde havia duas. Dois postes, onde não tinha nada. Até duende atravessando na faixa de pedestres ele disse ter visto. Chegou ao apartamento das gatinhas na raça. Visivelmente inválido, sem a menor condição de se manter acordado, as garotas insistiram para Caio Júnior subir. Lá emcima, apagou de vez. Suzana e Ellen ficaram assustadas com a situação, sem saber o que fazer com aquele moribundo se tremendo todo no sofá. Gélido, pálido e inconsciente.

- Amiga, a gente tem que fazer alguma coisa ou ele vai morrer aqui mesmo! Vamos colocá-lo embaixo do chuveiro...
- Mas... a gente vai tirar a roupa dele?
- Claro! Não tem problema. Sei da fama dele. As meninas disseram que ele tem pinto pequeno. É inofensivo. Bêbado então...
- Então tá... mas você segura ele. Vai que ele acorda e tenta comer a gente...
- Pode deixar. Esse aí eu já conheço a fama... Não vai dar conta.

Aconteceu o que uma das gatinhas pensou. Caio acordou no meio do banho, sem entender nada. O problema é que ficou só dois minutos acordado e apagou de novo. Peladão e se tremendo todo no chão. "Amiga, fodeu. A água gelada não vai resolver. Vamos levá-lo ao hospital imediatamente!". Correram para o pronto-socorro do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Já na entrada, foi atirado numa cadeira de rodas e empurrado até a enfermaria mais próxima. "Ora, ora, ora... mais um idiota que não sabe beber, hein... Tragam a glicose para essa veia mirrada aqui. Vamos ressuscitar esse jovem", receitou o Dr. Nick Riviera, médico de plantão naquela noite.

O tempo foi passando e a glicose correndo nos vasos sanguíneos do menino, cabeça a cabeça com as moléculas de álcool. Aos poucos, Caio Júnior recobrava sua consciência. Até que ele acordou sem entender nada. Olhou ao redor e, sem falar uma única palavra, levantou da cadeira de rodas e entrou no carro, à espera das amigas. VERGONHA era uma palavra que não dava para expressar o que ele sentia naquele momento. No caminho para casa, as 7h30 da manhã, pairava no carro um silêncio genesiano (aquele antes da criação do mundo). Ninguém falava nada. O jovem mancebo lembrou que teria prova de Teorias da Comunicação às 8h45. Fedendo a desgraça e com uma bigorna balançando na cabeça, arriscou a fazer o teste mesmo assim. Tirou 1,3 de 10 e foi reprovado no semestre.

Pior do que isso, só ter passado pela situação de duas mulheres ter dado banho nele e não se lembrar de nenhum segundo daquela situação. Perdeu o semestre, pegou ninguém, passou duas semanas de ressaca e ainda recebeu uma mensagem de uma das garotas após a prova: "A mulherada tinha razão. Você tem o pinto pequeno mesmo. Que (dupla) decepção. Francamente...".

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Big Brother Piri

"Seguinte: o último a cair será o líder dessa merda e terá todas as regalias que quiser! E aí? Vão amarelar?". Não era bem um reality show. Tampouco Pedro Bial orientando um bando de gostosas siliconadas e bombados numa prova do líder do Big Brother Brasil. Era apenas um bêbado, desafiando outros três bêbados a continuarem bebendo até só restar um "sobrevivente". A essa altura já haviam ingerido algumas dezenas de litros da doce cerveja numa casa alugada em Pirenópolis, interior de Goiás. Casa essa que abrigou nove pessoas de Brasília por dois longos dias - fruto da falta do que fazer na capital do País (ou pelo menos das "mesmas coisas a se fazer sempre").

A maratona etílica começou por volta das 15h. Todos os "brothers" da casa bebiam uma cervejinha aqui, outra acolá. Mas o "quadrado mágico", como ficaram conhecidos os quatro beberrões, dominou isopor e freezer e não pararam um único minuto. Garrincha, um baixinho marrento que só ele, era o mais eufórico e apressadinho. Como diz um de seus amigos, "o cara sempre queima a largada", começando a beber cedo e rápido demais. O efeito disso, geralmente, é ser o primeiro a cair. Reinaldo, em seus tempos áureos, quando ainda saía com os amigos, tentava lata a lata seguir o ritmo do amigo. No retrovisor de ambos, Rivelino e Sócrates, mais experientes e resistentes nessa "arte", mantinham a irrisória diferença de uma latinha para os grandes "líderes".

Mas Garrincha, afeito a variedades, propôs ao amigo Reinaldo: "E aí... que tal um Hi-Fi?". A mistura de vodka com Fanta sempre seduziu essa dupla, que, em menos de 1 hora mandou goela abaixo 1 litro de Hi-Fi, fora as cervejas. Rivelino e Sócrates, sábios, preferiram não misturar e seguiram apenas na cevada. Assim, gole a gole e mijada a mijada, o "quadrado mágico" vê todos os outros "brothers" se retirarem para seus aposentos, pouco depois de meia-noite, "derrubados" pela bebida. E o "quadrado" lá, de pé, tomando cerveja ao som do saudoso Furacão 2000. "Eu só quero é ser feliz/Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é/E poder me orgulhar, e ter a consciência que o pobre tem seu lugar...". No talo! Atrapalhando toda a vizinhança a dormir. Inclusive Bianca, uma das "sisters", que se recusara a dormir em seu quarto, devido ao inchaço populacional de baratas no cômodo. Mesmo com toda sua delicadeza feminina, preferiu colocar um colchão surrado no meio da sala, onde os quatro beberrões gritavam, falavam merda, cantavam, deixavam cair cerveja e às vezes até eles mesmo... Um exemplo de coragem.

Pior para um outro "brother", o Abreu, um dos sujeitos mais serenos da cidade. Ele se retirou pouco antes de meia-noite, sob a justificativa feminina de "não estar se sentindo bem". No meio da madrugada, enqüanto dormia, foi surpreendido pelo menos cinco vezes pela invasão dos bêbabos em seu quarto. "Aêêêêêê.... montinhooooooo!!!!!". Pobre coitado. Foi a única vez que alguém testemunhou o pobre rapaz apelar com alguém. Isso porque, até hoje, ele agradece aos céus por não ter sido vítima de um plano maléfico de Garrincha, Reinaldo, Rivelino e Sócrates. Havia um galo, apelidado de Demolidor, no quintal da casa. Ele cantava como nenhum outro galo, o tempo inteiro. Até que alguém teve a saudável idéia de ir lá "caçar" o galináceo e jogá-lo emcima do Abreu. O problema é que os bêbados se guiavam pelo som do canto do galo. Não havia uma única luz no quintal. Nada se via. Para a sorte do pobre Abreu...

No auge dessa bagunça, Rivelino desafia os demais: "Seguinte: o último a cair será o líder dessa merda e terá todas as regalias que quiser! E aí? Vão amarelar?". Eles se entreolharam por alguns segundos, hesitaram, mas toparam o desafio. Garrincha mal se segurava em pé, mas com o mesmo empenho de Rocky Balboa ao ser desafiado por Apollo Creed, resistiu como nunca havia resistido. Cerveja vai, cerveja vem, funk vai, funk vem, e Garrincha é flagrado várias vezes "dando uma descansadinha". Bastava alguém engatar uma conversa que ele, jurando que ninguém estava vendo, fechava os olhos, burlando o regulamento da prova. "Garriiiiiiiiiiinchaaaaa!!!! Acoooooorda filho da puta!!!!!", era o grito que ecoava na sala a cada 20 minutos. "Calma, calma, tô zerado. Me dá mais uma cerva aí...", respondia na maior cara de pau o velho Garrincha, empenhado em pegar a liderança.

Três horas depois, totalizando 12 horas de bebedeira e NOVENTA E SEIS LATAS DE SKOL CONTABILIZADAS METICULOSAMENTE (fora o Hi-Fi e algumas garrafas num bar da cidade), ninguém mais se agüentava (foto dos destroços, ao lado). Eis que alguém sugere dar como empate técnico a prova do líder, além de uma menção honrosa para Garrincha. Ele sofreu como ninguém para ficar de pé. Sangrou até o último segundo. Tremia da cabeça aos pés e já não sabia quem era. Pela perseverança, os companheiros concederam a ele um título de hors concours. Depois dos aplausos, Garrincha dormiu sentado ali mesmo no sofá, até o amanhecer. Aliás, tentou dormir. Já que perto dele, no outro sofá, dormia uma verdadeira "Scania". "Puta que pariu..., eu nunca mais durmo perto do Rivelino. Ele não ronca, grita... não dormi porra nenhuma. Estou com uma ressaca nível 9", resmungou, em um comentário típico dele.

No day-after, o "quadrado mágico" pouco falava, pouco se movia. Apenas curtia a ressaca. Sócrates ainda contraiu uma faringite, seguida por uma forte febre. Garrincha e Reinaldo entraram no Hi-Fi de novo e ainda bateram o carro na volta para casa. E o Rivelino? Azarou todo mundo, pegou ninguém e passou o dia inteiro cagando. E nunca mais alguém quis viajar com o quarteto...

Sem mais para o momento

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Complexo de Abe Simpson

"Eu coloco meu celular para despertar, durmo 10 minutinhos e fico zerado. Eu preciso dar essa dormidinha antes de ir pra casa, se não já era...". Jarbas costumava justificar suas tradicionais sonecas das 4h da manhã, no acostamento da Ponte JK, no Lago Sul, dessa forma. Religiosamente, sempre que bebia e voltava tarde para casa, ele encostava sua caranga e tirava um belo cochilo. O celular despertava, ele acordava assustado e seguia seu rumo. Detalhe importante: sua casa não fica a mais de 2 quilômetros do ponto onde ele sempre dormia. Incrível como o bêbado conseguia rodar a cidade inteira sem dormir e a 2 quilômetros de casa, cerca de 3 minutos de "viagem", ele TINHA que dormir. Numa dessas, ignorou o despertador e decidiu dormir mais cinco minutinhos. Acordou todo desorientado, horas depois, com o sol fritando na cara.

Sentir sono após beber alguns drinks é uma conseqüência a que todos estão sujeitos. Fatal. Mas um sono incontrolável, daqueles que as pálpebras parecem pesar 80 quilos, são poucos os infelizes que têm de se confrontar com esse poderoso inimigo. Jarbas, o mesmo da ponte, já foi pego dormindo em pé, segurando um taco de sinuca. Segundo ele, a jogada estava demorando demais e ele resolveu dar uma descansadinha... Em outro episódio, Jarbas contava a um casal de amigos uma história sobre uma tal máquina fotográfica que ele tinha quebrado. Antes que terminasse o conto, caiu em um sono profundo. No meio da história... É o Complexo de Abe Simpson, aquele vovô simpático do desenho animado. Do nada, começa a dormir. Assim, sem mais nem menos...

O Jeremias, um amigo lá da Paraíba, também sofre desse mal, mas num estágio avançadíssimo da "doença". Já dormiu em tudo quanto é lugar. No trânsito, no sofá da casa dos outros, na mesa do bar, no banheiro, no chão... O cara é um verdadeiro fenômeno. Uma vez saiu para beber com dois amigos de trabalho na casa de um deles. Compraram três caixas de cerveja, fritaram umas lingüiças de frango e ficaram falando besteira até as 6h da manhã. O nível alcóolico do trio era de dar medo. Ainda assim, Jeremias, balançando de sono, insistiu em dirigir pra casa. Já a poucos metros de sua morada, pára o carro no balão para dar preferência a outro veículo. "Enquanto esse carro não passa vou fechar o olho um pouquinho para dar uma descansadinha aqui.". O bêbado teve essa brilhante idéia porque o outro carro estava a pelo menos uns 500 metros. Calculou que dava para cochilar uns 15 segundos. Mas "desmaiou". Só acordou com o buzinaço do ônibus escolar, parado atrás dele, querendo passar. Até hoje não sabe se a cochilada durou 15 segundos ou 1 hora.

O mesmo Jeremias entornou tudo quanto é bebida em uma formatura. Saiu de lá por volta das 4h e seguiu rumo ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek - o povo de Brasília tem essa bizarra tradição de ir para o aeroporto após todas as formaturas. Nunca entendi isso... Enfim. Todo mundo lá, ainda celebrando a formatura, falando alto, abraço pra lá, abraço pra cá e Jeremias sente uma incômoda explosão no estômago. "Amor, vou ao banheiro. Preciso cagar. Já volto, tá?". A namorada do sujeito pouco se importou e continuou celebrando. Jeremias seguiu rumo ao alívio. Uma hora depois, a turma sente falta da presença do Jeremias. Todos começam a procurá-lo pelo aeroporto. Mas nada. Nem vestígio. Até que sua namorada diz ter uma remota lembrança de que ele havia avisado que iria ao banheiro. Quando foram verificar, Jeremias estava dormindo, sentado no vaso, com as calças arriadas. Uma cena ridícula. Até foto tiraram.

Outro banheiro já serviu de dormitório para o sonolento Jeremias. Lá na Paraíba. Ele diz que nessa época não bebia metade do que bebe hoje, mas já sofria do Complexo de Abe Simpson. Saiu pra night, todo serelepe. Dançava frenético ao som do hit daqueles tempos: Rhythm of the Night, da Corona. Azarou todas as mulheres do ambiente. Abraçou até as gordas horrorosas. Parecia alguém recém-saído de Alcatraz. Atacando todo mundo. Uma das vítimas, se engraçou mais efusivamente para o lado dele e o convidou até o balcão para tomar um drink, uma espécie de "Moe Flamejante", "Carruagem de Fogo", algo parecido. "Aquela merda bateu no meu estômago e fui direto para o banheiro. Agachei para vomitar, mas não rolou...". Jeremias adormeceu lá mesmo, abraçado ao vaso. Muito tempo depois, acordou dentro da cabine, todo amarrotado, com as costas numa parede e os pés por cima do vaso, "empurrando" a outra parede. "Tentei vomitar. Não consegui. Acordei do nada, umas 5h45 da manhã, e ainda voltei a pé pra casa". Um herói.

Dormir nas mesas de bar é outra especialidade de Jeremias. Uma vez saiu de uma balada do pessoal do trabalho. Começou cedo da noite e terminou cedo também, por volta de 1h. "Vou tomar só mais umazinha e vou para casa", planejou ao sair da festa. Parou num bar perto de sua casa, sentou sozinho numa mesa e pediu uma cerva. O que aconteceu? Jeremias com a cabeça na mesa tirando aquele cochilo. Acordou meio sem graça, deixou o dinheiro da cerva sobre a mesa e tomou seu rumo.

Numa de suas inúmeras viagens brazilzão afora, adormeceu na boate. Fora visitar um primo que não via há muito tempo. Foi pra night com o parente. Entre um drink e outro, a pálpebra começa a pesar. Eles se sentam num sofázinho que havia por ali e continuam a papear. O primo anfitrião resolve ir ao banheiro e Jeremias fica a sua espera, sentado no sofá, com uma long neck nas mãos (quente). O cara começou a demorar. Provavelmente deve ter topado com alguma gostosa no meio do caminho e ficou azarando. Alguns bons minutos depois, retorna para encontrar Jeremias e vê a cena deprimente: um bêbado com a cara amassada, todo estirado no sofá, impedindo todo mundo de sentar. Virou a atração da noite. Até os turistas tiravam fotos "daquilo".

Com ele é assim: bebeu, dormiu. Os amigos precavidos nem saem apenas com ele. Sempre tem que ter alguém para "vigiá-lo", mantê-lo "alerta", enquanto o outro vai ao banheiro ou pegar uma cerveja. Uma vez, durante uma bebedeira, perguntaram para o Jeremias o que acontece com ele , por que ele é assim. A resposta veio rápida, precisa, mas sem final: "bebida comigo, em um certo estágio, passa repentinamente da euforia ao mais abissal dos sonos. Sem que eu me dê conta, eu... Zzzzzzzzzzzzzzzzzz....". Dormiu de novo...

Sem mais para o momento

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bêbado e um celular: uma relação explosiva

Depois que a tecnologia avançou e as teles puderam oferecer a telefonia móvel, surgiu um novo tipo de idiota social: o bêbado inconveniente sem noção. É o sujeito que após alguns drinks jura de pé junto que a ex-namorada está acordada às 4h da manhã, de olho no celular, à espera "daquela" mensagem exxxperta do cara que ela mesma deu um pé na bunda. Ou que um amigo, por algum motivo especial, se sentirá lisonjeado ao receber um telefonema de um (ou vários) bêbado, às 3h30 da madrugada, gritando palavras ininteligíveis. Pura e unicamente por esporte. Ou "filha-da-putagem" mesmo. Quem sabe a psicologia avançada possa explicar esse fenômeno social, né?

O fenômeno é tão comum que basta olhar no seu círculo de amizades para identificar pelo menos cinco bêbados que já fizeram merda com um celular na mão. O Ribamar, um baixinho gente boa, figurinha certa nos bares de Brasília, é o "Pelé das Mensagens Noturnas". Basta uma noite no bar para ele sair disparando suas cantadas baratas via Embratel. "Êta morena cheirosa. Pense num cara apaixonado por você. Pena que não me dá mole". Ou ainda: "Já te falei que você é a mulher da minha vida? O que eu faço para te ter, gata?". É daí pra pior. Ou, para os ex-casos, costuma dizer: "Não consigo viver sem você. Dói muito. Volta pra mim...". Detalhe: nunca lembra do que fez. Por isso, no dia seguinte, sempre dá aquela checada nas "mensagens enviadas" e "números discados" para "descobrir" as possíveis merdas que fizera na noitada anterior. Geralmente, o resultado é uma ressaca moral. E sem remédio.

Numa dessas, o Ribamar extrapolou. Foi para essas festas open bar. Encheu a rabiola de vodka e cerveja. Estava se achando o dono da situação. Eis que, então, rigorosamente às 6h24, saca o celular do bolso e começa a digitar: "Cara, eu simplesmente te amo: pra sempre e do tamanho do universo". Já estaria errado de qualquer jeito fazer isso nesse horário. Mas a merda era maior. Ele mandou para um amigO, que acordou assustado com o toque de mensagem de seu Nokia. Só teve uma reação: "que porra é essa?...". Pensou várias coisas: será que o Ribamar é gay? Ele estaria com problemas? Ou ele quis dizer, via Embratel, aquele tradicional discurso de bêbado para um amigo. Algo como "pô cara, eu te considero pra caralho. Tu é irmão. Mora aqui...".

Antes fosse isso. O cara confessou ter errado o destinatário. Percebeu o erro no momento que apertou o SEND, mas já era tarde. Não satisfeito, no minuto seguinte, encaminhou a mesma mensagem para sua cicatriz amorosa - que até então jurava não sentir mais nada. Depois dessa, confessou ser doente, viciado nas SMS noturnas. Um caminho sem volta... Já pensa até em sair de casa sem celular. Só para evitar a fadiga...

Pegadinha do Malandro
Outra categoria de idiota social que bebe e acha que todo mundo é legal é aquele bêbado que liga pra todo mundo de madrugada. Só para zoar mesmo. Mas, ao contrário dos "Don Juans" da madrugada, que agem sozinhos, esse bêbado age em grupo. No mínimo, em dupla. "Vamos ligar para o Fulaninho e mandar ele acordar?!". Pra quê, né? Mas quando se está bebum, tudo é engraçado. Até aquela gordinha horrorosa lá no fundo do boteco.

Nesses casos, quem está do outro lado da linha geralmente recebe a ligação com uma seqüência de improprérios. Ou simplesmente dá END. Mas quando o "crime" é planejado, daqueles perfeitos, que não deixam suspeitos, o resultado pode ser o mais inesperado possível.

Caso real:
- Bêbada arruaceira para um amigo arruaceiro, depois de já ter ligado para umas 15 pessoas: deixa eu ligar agora para um amigo seu que eu não conheço para passar uma cantada...
- Arruaceiro doido pra ver a merda:
pega aqui. Liga pra esse número e diz que você se chama.... Amanda. Deixe ele doidinho.

As pessoas que estavam ao redor viram aquilo e tiveram a mesma avaliação sobre a traquinagem de bêbado: "mas que filhos da puta...". E a ligação foi feita:

- Bêbada se passando por outra pessoa às 2h, com voz sensual: Oi lindo...
- Otário:
Ooiiii!
- Bêbada: É a Amanda, lembra de mim?
- Otário cara de pau: Lóooooooooooogico.
- Bêbada: onde é que você está?
- Otário, mentindo: estou numa festinha
(na verdade, estava num dos principais fronts da guerra noturna brasiliense, o heróico Roda do Chopp).
- Bêbada, com voz de atriz pornô: ah... que pena. Estou sozinha em casa e lembrei de você.
- Otário taradão: Ué... você quer que eu vá aí?
- Bêbada se segurando para não rir: adoraria... mas estou achando que você não sabe com quem está falando.
- Otário no limite extremo da virilidade: sei, sei.... como esqueceria?!

- Bêbada: onde é que eu moro, então?
- Otário de saias justas: aí você quer demais...
- Bêbada: sabia que você não ia se lembrar. No dia que ficamos você estava completamente embriagado
(essa tática é infalível para convencer os beberrões que fizeram merda).
- Otário: mas com certeza eu me lembrarei quando te ver.
- Bêbada: Então venha pra cá... o endereço é...
(omitido para preservar a identidade dos envolvidos).
- Otário: agora!!!

Tu, tu, tu, tu.... Dez minutos e 30 quilômetros depois, o taradão, ainda sem saber de quem se tratava, chega ao endereço indicado.

- Otário taradão: estou a caminho. Quando eu chegar, posso te ligar e você vai me receber na porta?
- Bêbada, já indicada ao Oscar: Lógico. Aproveita e traga uma cervejinha pra gente tomar...
- Otário meio desconfiado: Ahn... ahn... eh... tá, tá... vou levar.
- Bêbada sem vergonha: como você quer que eu esteja vestida para te receber?
- Otário incrédulo: hahahahahahahahaha.... pô cara... que isso. Sei lá... do jeito que você quiser...


Dez minutos depois, ele, na sua caranga, e jurando que ia se dar bem, liga novamente informando que está na porta, à espera de sua gatinha. Essa, por sua vez, vira para o seu comparsa e avisa: "agora é a sua vez de entrar em ação. Vai lá". O comparsa, tido entre seus companheiros de bar como um dos maiores filhos da puta vivo, vai até lá fora receber o seu amigão. "Rááááááááááááá, você caiu na pegadinha do Malandro!!!!".

Quando o sujeito, que saiu de um dos principais fronts de guerra de Brasília, achando que ia arrebentar, percebe que foi manipulado por um "amigo", sente uma vontade primitiva de arrancar os olhos do malandrão.

Nunca algo parecido tinha acontecido ali, entre eles. Bom mesmo seria se as operadoras pudessem oferecer como serviço um detector de cheiro de cachaça para poder cortar todo e qualquer tipo de função do aparelho. Ficar inutilizável. Enqüanto isso não é possível, fica a lição para o cara que largou o front de guerra rumo ao desconhecido, o babaca que planejou a "pegadinha" e todos que presenciaram o episódio: celular na mão de bêbado, só pode dar merda.

Sem mais para o momento

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tipos de bêbados

Da BBC Brasil

O governo britânico está lançando uma nova campanha contra o alcoolismo dirigida a nove 'tipos' mais comuns de usuários que abusam do álcool. A campanha será feita a partir de uma pesquisa do Departamento de Saúde da Inglaterra, que indicou as nove categorias mais comuns de bebedores. Elas incluem os que o fazem para aliviar estresse e pessoas deprimidas que bebem por tédio ou para se relacionar.

Para o governo, identificar as razões que levam usuários a abusar do álcool será "muito útil" para combater o alcoolismo. O estudo se debruçou sobre homens que bebem mais de 50 unidades semanais de álcool e mulheres que bebem pelo menos 35 unidades semanais - duas vezes acima do limite recomendado. Uma unidade de álcool equivale a um copo de cerveja ou vinho ou, alternativamente, meia dose de bebida destilada.

TIPOS
Entre os nove tipos identificados, estão, por exemplo, os que bebem para desestressar e relaxar, em meio a uma rotina de pressão no trabalho. Em outros casos, usuários abusam do álcool ao se perder em um estilo de vida agitado e por vezes extravagante.

As informações serão utilizadas pelo governo para orientar uma campanha contra o alcoolismo que deve atingir 4 mil bebedores contumazes no nordeste do país, em um projeto-piloto que, se bem sucedido nos próximos meses, será levado para o resto do país.

A secretária britânica de Saúde, Dawn Primarolo, admitiu que os bebedores incluídos nas nove categorias têm em comum um problema "difícil de combater". Mas ela disse acreditar que a nova abordagem será capaz de convencer os usuários a ser agentes da própria mudança. "Esta é uma abordagem totalmente nova de fazer as pessoas entenderem os efeitos de seus hábitos em relação à bebida e de ajudá-las a mudar para melhor."

Veja abaixo os nove tipos de bebedores identificados pela campanha.

Deprimido: Está com a vida em um estado de crise - atravessando um período de dificuldade financeira, luto ou divórcio recente, por exemplo.
Motivações: Vê o álcool como uma forma de se reconfortar ou como uma automedicação para ajudar a lidar com as turbulências.

Estressado: Leva uma vida sob pressão no trabalho, o que normalmente leva ao sentimento de não ter as coisas sob controle ou de estar sobrecarregado de responsabilidades.
Motivações: O álcool é uma forma de relaxar e de retomar a sensação de controle, ao traçar uma linha entre vida pessoal e profissional. Os parceiros normalmente reforçam este comportamento, ao preparar drinques para os bebedores.

'Social': Têm uma agenda social carregada.
Motivações: O álcool é um meio de ligação que unifica a todos e os coloca em uma mesma sintonia.

Conformista: Tipicamente, rapazes tradicionalistas que crêem que 'homens vão ao bar todas as noites'.
Motivações: O álcool faz parte do que definem como 'meu momento'. O bar é sua segunda casa, e eles se sentem aceitos e em casa neste ambiente.

Bebedor comunitário: Bebe em grandes grupos sociais.
Motivações: Levado ao álcool pelo senso de comunidade criado pelo ambiente do bar. A bebida dá segurança e significado à vida, e age como meio social.

Entediado: Tipicamente, mães solteiras ou mulheres recém-divorciadas, com vida social restrita.
Motivações: A bebida é uma companhia que substitui o casal. Beber marca o final do dia, talvez encerrando um jornada de obrigações.

Machão: Normalmente se sente subvalorizado, sem voz e frustrado em áreas importantes da vida.
Motivações: Seu lado bebedor é um alter-ego que gira em torno da sua capacidade de beber. A bebida é motivada pela necessidade constante de reafirmar sua masculinidade e seu status em relação a outras pessoas.


Hedonista: Solteiros, divorciados ou com filhos crescidos.
Motivações: Beber em excesso é uma forma de expressar sua independência, liberdade e juventude para si mesmo. O álcool é usado para diminuir inibições.

Quase dependente: Homens que moram 'de fato' no bar - que, para eles, é quase o mesmo que a casa.
Motivações: Uma combinação de motivos, incluindo tédio, necessidade de se conformar e um senso de mal-estar existencial em suas vidas.

NOTA DO TAVERNEIRO: Conheço bêbados de todos esses tipos. Eu me identifiquei como o "social". Afinal, só tenho bebido socialmente...né?

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A arte da guerra (noturna) - Parte II

"Pegar mulher bonita é fácil. Difícil é pegar as mulheres que eu pego"

(Gus S.T., General Reformado da
Guerra Noturna Brasiliense)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A arte da guerra (noturna)

Quando a pauta é a "guerra noturna" não tem "Vietnã" que desanime o bom soldado. Seja em um forrózão na "baixa da égua" ou em uma festa de bacanas com tudo liberado, o combatente de carteirinha encara qualquer uma das batalhas do mesmo jeito: com sangue no olhar e esperança no coração. Entre mortos e feridos, o saldo tende a ser positivo se a estratégia for bem traçada dentro do pelotão - que, de preferência, não seja constituído por mais do que quatro soldados.

Mas até mesmo quando o exército é de um homem só, a conquista de territórios pode ser vitoriosa. São os legítimos kamikazes. Eles podem deixar um front de guerra dos mais fartos do outro lado da fronteira e arriscar a vida em outros territórios. Mesmo às cegas, sem saber o que encontrará pela frente - em breve, um capítulo especial sobre esse tipo de militar da putaria. Tem recruta que prefere atacar de dupla. A tática funciona quando um distrai a amiga gorda e horroroooosa, enquanto o outro ataca a amiga bonita. Essa estratégia costuma ser infalível. Mas é preciso ter um parceiro patriota ao extremo para sair vencedor. Até Sun Tzu aprovaria esse método. Afinal, ao lado de todo soldado há um grande herói...

Mas a "guerra", é importante destacar, não necessariamente tem que haver "conquista" dos corações das gatas. Destruição também faz parte. Por que não? Por vezes, o guerreiro tem como objetivo único se embriagar e destruir tudo, sem almejar objetivos específicos. Pegar alguém dependeria apenas de uma boa oportunidade e de uma certo índice de sangue no álcool. O que ficou conhecido como a "Tomada de Três Ranchos" é um exemplo típico de batalha assim. Três heróicos guerreiros invadem um casamento de estranhos. Detalhe: via aquática... Sim. Os caras deram uma de penetra num baita casamento, utilizando-se de táticas militares. Uma versão alcóolica do Dia-D da Segunda Guerra Mundial, quando tropas anglo-saxãs invadiram as praias da Normandia para libertar a França dos nazistas. Nesse caso, a libertação era da fissura em encher a cara de uísque, vodka, champagne e cerveja. Apenas isso e nada mais.

A PREPARAÇÃO
A estratégia começou a ser desenhada na noite anterior. O pelotão formado por quatro veteranos do Exército da putaria brasiliense fazia um reconhecimento da night de Três Ranchos, interior de Goiás. Lá pelas tantas, conhecem um DJ. Papo vai, papo vem, o disc-jóquei comunica que na noite seguinte vai dar som num puta casamento, numa mansão da cidade. "O problema é que precisa de convite. Mas apareçam lá na porta. De repente, vocês convencem os seguranças a entrar...". Ele não esperava que os caras realmente fossem aparecer. Tampouco da forma como fizeram.

DIA-D
Na noite seguinte, antes de voltar para seus aposentos, depois de um longo dia de cachaçada, o pelotão passa em frente ao local do casamento para reconhecer o território. Muros de 4 metros de altura, cães por todos os lados, seguranças com equipamentos de espionagem, forte esquema de conferência dos convites... "Fo-deu. Vai ser foda entrar aí...", pensou um dos arruaceiros. Acabaram voltando para a pousada onde estavam.

Um deles, meio "amarelão", não deu muito crédito à intenção de seus pares em bancar os penetras bons de bico. Foi o primeiro a entrar no chuveiro (pela demora, deve ter aproveitado para bater "umazinha"). Do lado de fora, os outros três combinavam uma forma de invadir o casamento. Analisaram a distância entre a pousada e o evento, além do posicionamento geográfico. "Via terrestre não dá. Tem muito segurança. Aérea também não. Só tem um jeito. Vamos nadando!!!" Um grande lago separava os dois pontos. É como se o local onde eles estavam fosse o Pier 21 e o casamento no Pontão do Lago Sul. "Amarelão??!?! Anda logo com esse banho aí. Prepare suas coisas, porque vamos aquele casamento agora!".

Quando o combatente saiu do banho não acreditou no que viu. Dois amigos de sunga, toca de nado e óculos de mergulho. Ao lado deles, uma grande sacola cheia de roupas e toalha. Apenas um deles estava vestido. Não adequadamente para um casamento, é verdade, mas estava. Calça jeans, tênis e camiseta pólo. Certinho... Era esse que seria o "pescador" da canoa que eles arranjaram na vizinhança. Os outros dois usariam táticas anfíbias para chegar ao destino. Nadariam ao lado da canoa até o outro lado da margem. Um braço apoiando na embarcação e o outro servindo de remo. O Amarelão não topou. Não acreditava que aquilo poderia dar certo. Mas lá se foram os três guerreiros invadir territórios.

Meia hora de nado e cinco paradas depois, a operação quase foi abortada. Lá da pista de dança, o DJ avista uma canoa no meio da escuridão do lago e aponta um dos holofotes diretamente para aquele "vulto" estranho. "Finge que está pescando! Finge que está pescando! Rápido!!!". De camisa pólo e calça jeans, o falso pescador usou o remo como vara de pesca. Detalhe: com a pá do remo pra cima... Certinho... Alguns segundos depois, o DJ voltou o holofote para a pista de dança e os guerreiros puderam continuar a operação. Ao chegar às margens, esconderam a canoa nos arbustos e vestiram as roupas. Entraram tranqüilamente no evento e foram rapidamente conversar com o DJ. "Não acredito! Vocês vieram mesmo!!! Mas como é possível?!", perguntou incrédulo o disc-jóquei. "Lembra quando você jogou luz na nossa cara lá no meio do lago? Pois é... viemos nadando. Agora diz logo o nome dos noivos e quem são eles!".

Os três guerreiros se divertiram até não aguentar mais. Quando alguém perguntava de quem eles eram convidados, analisavam se a pergunta partia da família do noivo ou da noiva. Se do noivo, diziam que eram amigos antigos da noiva. E vice-versa. Do outro lado do lago, o Amarelão, que não encarou a "Tomada de Três Ranchos", passou a noite se perguntando. "Ou esses arruaceiros realmente conseguiram invadir o casamento ou morreram afogados...". Não só conseguiram como encheram a cara e a pança. Um deles, chegou a vomitar. O outro foi inventar de dançar funk e se estatelou no chão. Teve que ser "rebocado". Era a hora de retirar as tropas. Só que dessa vez, pelo portão da frente.

De volta ao QG deles, acordaram o Amarelão a socos, montinhos e gritaria. Contaram toda a saga e deixaram o companheiro com um arrependimento amargo. "Vocês conseguiram... Pelo amor de Deus... quando a gente chegar em Brasília, diz pra todo mundo que eu também fui. Por favor!". Eles não pegaram ninguém. Nem o Amarelão. Mas pelo menos os três combatentes ficaram para a eternidade nas galerias da guerra noturna. Já o Amarelão... se alojou nas trincheiras da covardia e ficou só na "mão".

Sem mais para o momento

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Seres da noite de Brasília - Edição Corvo da Biafra

Quem mora em Brasília e não sabe (ou finge não saber) a hora de parar de encher a cara de cachaça já deve ter parado no Pão de Açúcar da "Nove Norte" - O lugar onde todos os bêbados acabam se encontrando. É uma espécie de Terra Prometida dos bebuns. É passar por lá por volta das 4h e perceber que as escadas parecem arquibancadas de jogo de futebol. Só que sem nenhuma partida. Garrafas e latas espalhadas pelas escadarias e um bando de bêbados falando merda. Coisas de Brasília, a única capital do mundo onde os bares inacreditavelmente fecham religiosamente às 2h. A fartura de bebida no mercado e a falta de opções pela cidade acabam atraindo os alcóolatras para lá.

Numa dessas, surgiu por lá o Corvo da Biafra, denominação ainda sem explicação dada por Zé Droguinha, um dos caras mais "ator" e "filho da puta" da região. Já se passavam das 7h da manhã, quando ele e um amigo, o Zé Pileque, batiam um papo cabeça nas heróicas escadarias do Pão de Açúcar. Juntos, já haviam bebido umas 15 long necks, fora o que tomaram no bar antes de chegar à Terra Prometida. O sol já rasgava no horizonte, quando surgiu entre os carros do estacionamento uma figura pra lá de bizarra, que parecia ter saído direto do filme Um Drink no Inferno, de Robert Rodriguez. Naipe do cidadão: cabelos meio molhados, caídos na cara, roupa justa, camisa com os três primeiros botões abertos, um medalhão asteca com pingente em forma de sol e os olhos "estourados", como se ele tivesse fumado "unzinho" havia pouco tempo. Segue o papo saudável entre o Corvo da Biafra e Zé Droguinha, sob a observação atenta de Zé Pileque:


Corvo: Opa... beleza? Vocês têm um cigarrinho aí?
Zé Droguinha: Toma aí véi...
Corvo: Vocês estão bebendo pesado hein...
Zé Droguinha: Pois é... aqui não tem nenhum mirim.
Corvo: vocês não tem um "fininho" aí não?
Zé Droguinha: tenho não cara. Bem que estava a fim de um.
Corvo: Vocês dois são namorados?
Zé Droguinha, o maior babaca vivo: Somos sim, por que? Estamos tendo uma "DR", não deu pra perceber?

(Nessa hora, Zé Pileque, arrasado de sono, só teve uma reação: "drooooooooga. Vai começar...").

Corvo: vocês não querem ir lá em casa dar uma cheirada e fazer uma sacanagem?
Zé Droguinha, mais filho da puta ainda: Só se você deixar ele aqui te comer.
Corvo: de jeito nenhum.
Zé Droguinha: então tu quer o que porra?! Alguém vai ter que te comer nessa merda.
Corvo: ah, eh... eh... sei não.
Zé Droguinha: qualé! tu quer só moleza?!
Zé Pileque, não achando graça nenhuma na brincadeira: tá bom velho. Acabou a brincadeira. Vamos nessa. Deixa essa bicha aí.
Corvo: qualé gente... ainda é cedo. Vamos lá... eu aceito a proposta...
Zé Droguinha: Aí brother, na boa? Estou só tirando um sarro da sua cara. Ninguém aqui gosta de homem não. Agora se manda daqui.
Corvo: aahhhh, até parece. É sério?...
Zé Droguinha: seríssimo. Agora se manda daqui se não quebro tua cara.

Para deleite de Zé Droguinha e Zé Pileque, o Corvo da Biafra, humildemente, deu as costas e sumiu entre os pilotis dos prédios da Asa Norte. Com a cara no chão. "Por que tu faz essas merdas?! Uma hora tu ainda vai tomar uma porrada na rua", perguntou Pileque ao Droguinha. "Qualé! Vai dizer que não foi divertido tirar um sarro com a cara daquele mané? Pra fechar com chave de ouro a bebedeira, às 8h da manhã!". Coisas que só acontecem nas escadas do Pão de Açúcar...

Sem mais para o momento...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Frase do mês


"Você tem que beber muito. Esse parece ser o segredo. O homem sexy é aquele que bebe muito..."
(Do alcóolatra e pegador George Clonney)

Nota do Taverneiro: Então, nós do Taverneiro (autor e personagens reais) estamos arrebentando. No caminho certo! Ninguém segura!


Sem mais para o momento...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

DP: Um Tira da Pesada

Preso por atentado violento ao pudor. Levado à delegacia de Salvador só de bermuda, pés descalços e nenhum.... nenhum documento, dinheiro, tampouco um celular. A acusação: foder uma garota, tida como menor de idade, nas areias da praia, a 100 metros da barraca onde acontecia um show de axé music. Um legítimo bêbado sem-vergonha à milanesa. "Ô chefe, alivia aí...", tentou argumentar. "Meu rei, você está com as calças arriadas, sem nenhum documento, fodendo com uma menor de idade! Vou ter que te enquadrar no artigo 216 do Código Penal!", sentenciou o PM de terras baianas. "Mas ela não é menor! Olha o tamanho desse peito, meu amigo! Você acha mesmo que ela é uma criança? É mais velha do que eu!!!".

Como toda merda pra babaca é pouco, a garota fornicada também estava sem nenhum documento. E bêbada. O PM não teve outra opção: algemou DP e o jogou na viatura. Na delegacia, ele foi forçado a tirar aquelas fotos, onde o meliante segura uma placa. Foi interrogado pelo delegado de plantão por horas. Não soube argumentar muito bem - tamanho era seu estado de embriaguez. Acabou passando a noite numa cela fria, imunda e apertada. Tempo suficiente para refletir sobre sua vidinha e que lições tiraria daquilo.

DP, o Axel Foley do Cerrado
Depois desse episódio, DP tomou uma decisão típica de bêbado. Dali em diante passaria a "manter", com freqüência, o bom andamento das coisas na sociedade. Controlar a ordem pública. Se a Polícia, seja militar, civil ou federal, estivesse ausente em algum tumulto, lá estava DP, do alto de seus 1,60m, dando sua contribuição. "Aí rapaziada, vamos acabar com essa bagunça aí que a polícia está na área". Curioso notar como os otários de plantão acreditam que DP realmente é um tira. O cara tem pouco mais de um metro e meio e sempre faz isso quando está bêbado.

A primeira vez que experimentou a sensação de autoridade foi numa balada de playboys, o tal do Federal Weekend. Esquema Beverly Hills total. Alguns yuppies se divertiam numa rodinha com lanças-perfume nas mãos. Morriam de rir de tudo. DP, o gigante de 1,60m, com seu jaquetão de couro e cara sempre mal-humorada, se aproximou (sozinho!!!) e falou para um dos playboys. "Meu irmão, se liga aí que a Federal está na área...", mal terminou de falar e a roda se dispersou. Todos correram, cada um para um lado. E DP ficou lá. Sozinho. Com as mãos no bolso, mascando chiclete e com um sorriso sem-vergonha na cara. O dono da situação.

Gosto pelo "ofício"
DP gostou tanto da sensação de poder que não conseguiu mais parar. Passou, inclusive, a envolver os amigos como figurantes em suas farsas. "Meu irmão... que porra é essa aí?", perguntou DP, cheio da marra, a um bombado de 2m, cheirando lança. "Qualé brother... tu tá maluco? Não tem medo de morrer???". DP não se intimidou. "Brother é o cacete! A Federal tá na área, cara! E isso aí na sua mão?!". O bombado ficou todo borrado. Nem conseguiu falar. Só arregalou os olhos e ficou lá paradão. DP, que estava acompanhado por Tony Balada, percebeu a fragilidade do otário e aproveitou. "Tá vendo aquele cara ali? Ele é da Federal também. Estamos aqui só pra flagrar filhinhos de papai como você". O bombado não sabia onde enfiar a cara. "Poxa amigo, não faz isso comigo. Vamos conversar... chama seu parceiro aqui pra gente resolver isso...", implorou o bombado, quase chorando. "Deixa o cara lá quietinho, meu irmão. O negócio aqui é entre eu e você". Nisso, os amigos do bombado vão se aproximando. Um maior do que o outro. A confusão estava se desenhando. Era a hora de "sair pela esquerda". "Bicho, vaza daqui agora. E se eu te pegar de novo com isso, a casa vai cair pra você. Fui claro?". O que de início era uma pegadinha, virou um vício.

Saia justa
A "brincadeirinha" de DP com pessoas que ele não vai com a cara ficou perigosa. De férias em Fortaleza (CE), na companhia de Bruce e Tony Balada, DP contava suas façanhas como "Federal" a umas gatinhas que acabara de conhecer na praia. Contou todos os episódios. A dois metros dele, um figura só de sunga e óculos escuros, sozinho, tomava sua água Pura e Leve debaixo de um guada-sol. Quando ouviu pela terceira vez DP dizer que era Federal, o sujeito não se conteve. "Opa! Tudo bem, cara? Tu é Federal também? Eu também sou! Seu nome é DP, né? Que bom encontrar alguém da corporação por aqui. Estou aqui à paisana, só filmando aqueles italianinhos ali. Estou na cola deles há três dias!". DP se borrou todo. Gaguejou e tremeu como um frango. "Ouvi você dizendo que é de Brasília. Tenho vários parceiros na PF de lá". Novamente, gaguejou e tremeu como um frango. "Olha... eu estou na área. Se eu precisar de você para darmos o flagrante nesses italianinhos, eu dou o sinal. Posso precisar de cobertura. Fica ligado". DP só balançou a cabeça em sinal positivo, enquanto os amigos e as garotas se divertiam com aquela situação constrangedora.

O agente à paisana ficou o resto do dia na cola dos italianos e na cola do "agente" DP. "DP! Estou aqui hein! Fica ligado que vamos dar o bote. Vou precisar que você me dê cobertura. Espero que você tenha trazido sua arma". De vez em quando, DP olhava de canto de olho, para saber se o Federal estava na área. O sujeito de sunga e óculos escuros sempre acenava, só para certificar o falastrão de que ele estava de olho nele também. Cinco horas depois, DP, o tira da pesada, saiu correndo da praia. Sem olhar pra trás.

Depois desse episódio, DP ficou paranóico, mas não abandonou o ofício de Federal de mentirinha. Agora, sempre que banca a autoridade, investiga toda a região, procura grampos e escutas embaixo das mesas. Sujeitos de óculos escuros, ele mantém distância. Já o "Federal" da praia, dizem, até hoje dá risada da situação. Sempre conta o episódio de quando, bêbado, tirou sarro da cara de um marrentinho de um metro e meio, que canta por aí que é da Federal. Ele, o "Federal da praia", foi um que não caiu no conto e fez DP provar do próprio veneno...

Sem mais para o momento