quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Coisas que só o desemprego faz EM você

Por Cláudio Fernandes*


Ficar desempregado rende umas boas histórias. Ainda mais se a perda do emprego acontece assim, sem mais nem menos, como uma batida na traseira do carro quando você já está há meio minuto parado no sinal vermelho. Após ser dispensado da empresa na qual passei oito anos e meio, e ouvir as tradicionais justificativas e a promessa de que "assim que for possível queremos tê-lo de volta", várias coisas passam pela cabeça. Tristeza, raiva, desespero mesmo. Coisas que vem e vão dia a dia.

Então, como "mente vazia, oficina do diabo", você começa a ter idéias mirabolantes. Por exemplo: inscrever-se no próximo Big Brother – para os críticos empregados: fique sem trabalhar que você também vai assistir a muita besteira na tevê! "Sou jornalista. Posso fazer um vídeo bem editado no qual eu serei o repórter e o entrevistado ao mesmo tempo", pensei. Idéia brilhante!

O texto do repórter: "Cláudio Fernandes era editor de esportes do Jornal de Brasília. Até ser vítima de um passaralho, como é conhecida a demissão em massa nas redações brasileiras. Agora, desempregado e cheio de contas a pagar, decidiu inscrever-se no Big Brother".

Cláudio, idealista: "Com R$ 1 milhão posso montar um jornalzinho, pequeno mesmo, com poucos funcionários, mas sem rabos presos com governantes nem um mundo de PJs (pessoas jurídicas, ou prestadores de serviços sem carteira assinada) como funcionários. Os jornalistas receberão vale refeição e transporte, coisas que nunca tive em quase nove anos no meu antigo emprego".

Seria algo mais ou menos assim. É isso ou posar de cueca para um outdoor, segundo proposta recebida recentemente. Isso mesmo, leitor: ser fotografado em traje sumário numa campanha para uma loja de peças íntimas. "É brincadeira", diriam aqueles familiarizados com minha pequena, mas horrorosa barriguinha, exibida vez ou outra nas peladas noturnas. Poxa vida, galera!! A barriga não aparece na foto!

* Nota do Tavernerneiro - Como o desemprego podou esse cidadão de "divulgar" suas inquietações de uma forma mais ampla, cedi gentilmente, em caráter extraoridnário, esse humilde espaço para ele desabafar. Mas fazer propaganda de cueca é sacanagem...

Sem mais para o momento

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Coisas que só o futebol faz EM você


"Brasileiro é apaixonado por futebol". Olhe ao seu redor e perceba que você encontrará pelo menos 5 caras que personificam esse ditado. É comum você se deparar com situações que, se não fazem jus ao ditado, no mínimo amplificam a teoria para "doente por futebol". Olhe o Demolition, por exemplo. Em tempos de campeonatos estaduais, nacionais ou internacionais é um evento assistir a um jogo com esse camarada. QUALQUER um! O cara sabe de tudo. Do nome do padrasto do roupeiro da equipe visitante ao terceiro reserva do lateral-esquerdo da equipe de juniores do Mogi-Mirim (SP). Nilton Santos que me desculpe, mas o Demolition sim é a verdadeira Enciclopédia do Futebol.


Lembro bem da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, quando cobríamos o certame para o CorreioWeb (pela TV, óbvio). Às vezes, eu até sabia a resposta, mas perguntava só para testá-lo: "Demolidor, qual é mesmo o nome do técnico da seleção do Irã?". Demolition, com o seu jeitão de nerds-sempre-elegante, olha no vazio por 3 segundos e responde: "Branco Ivankovic". Impressionante. Pouco depois, uma colega de redação me pergunta se eu sei o nome do artilheiro da Copa de 54, na Suíça, para ela completar uma notinha. "Pergunta para o Demolition. Com certeza ele sabe de cabeça". Não deu outra. Ele ouviu meu comentário, propositadamente dito em voz alta, e mandou lá do outro lado da redação. "Foi o Kocsis, da Hungria. O cara era um tremendo cabeceador. Terminou a Copa com 11 gols. Era para a Hungria ter levado aquela Copa, mas a Alemanha deu sorte na final e venceu por 2 x 1". Não satisfeito em responder lacônicamente, ele conta uma historinha sobre o caso. Inacreditável.


Mas seus "super-poderes" não se limitam ao conhecimento sobre o esporte bretão. Eu já presenciei pelo menos uns 7 jogos em que eu tinha certeza que ele desmaiaria (ou morreria de infarto). Escapou por pouco. Copa do Brasil 2006. Segundo jogo da semi-final entre Flamengo (nosso time do coração) e Ipatinga (MG). O primeiro havia dado empate em 1 x 1. O jogo se caminhava para um novo empate em 1 x 1, o que levaria a disputa para os pênaltis. O final do jogo vai chegando e percebo um inquieto Demolition. Comeu todas as unhas, não parava de tremer e suar. Não queria nem saber das cervejas. Era só atenção na TV. O tempo todo dizia em voz baixa: "ô meu Deus, pra quê tanto sofrimento?". E o Ipatinga era só pressão. Numa dessas bolas que não entram porque o destino não quer quase fez o Demolition se cagar todinho. Mas num contra-ataque, o Flamengo vira o jogo e suporta a pressão até o final.

Quando o árbitro Sálvio Spíndola apita o fim da partida, o menino-garoto sai correndo pra fora da casa do Petrô (outro doente por futebol), não pára de gritar, ajoelha, levanta as mãos para o céu e CHORANDO (de verdade!!!!!!) não pára de repetir: "Muito obrigado meu Deus! Obrigado senhor! Muito obrigado mesmo!". Ficou assim por longos 3 minutos. Depois, ficou de pé e passou a entoar TODOS os gritos de torcida do Flamengo. "ô meu Mengão/Eu gosto de vocÊ/Quero cantar ao mundo inteiro/a alegria de ser rubro-negro (...)".

Na grande final, mais uma prova de paixão. Em plena quarta-feira, o cidadão pede à chefe para trabalhar das 8h às 15h, sem justificar o porquê. Do trabalho, segue direto para o aeroporto, onde embarcaria para o Rio às 17h. Chega em terras cariocas às 19h30 e já vai direto para o Maracanã assistir SOZINHO, às 21h45, à final com o eterno freguês Vasco da Gama. Volta no outro dia cedinho para trabalhar, feliz da vida com o título de Campeão da Copa do Brasil.


Semana passada, também foi sozinho ao jogo Flamengo X Universo, pelo Nacional de Basquete. Daí, movido mais pela paixão FLAMENGO do que pelo basquete. Em seu guarda-roupas, existem pelo menos 597 camisas de times de futebol, desde a primeira que ganhou quando ainda era só um garotinho - não "o" Menino-garoto de hoje. Em sua monografia de conclusão do curso de jornalismo lá estava o futebol de novo. O cara vive para o futebol. O curioso é que ao entrar em campo para disputar uma peladinha com os amigos, ele passa vergonha. Não sabe dar um drible simples. Não marca gol. Não aguenta correr. Não sabe marcar. Não entende de posicionamento tático... Contradições da vida. Estudou muito o futebol, mas praticou pouco. Coisas de nerds.


No meu caso, também sou louco por futebol. Mas tenho a humildade de admitir que, por mais que eu me esforce, jamais conseguirei ser como o Demolition. Entre as (poucas) bizarrices que já me flagrei fazendo foi "assistir" ao primeiro tempo inteiro de Flamengo X Fluminense pelo "pay-per-view" da NET. Detalhe: o jogo não estava liberado para mim e, por isso, só pude ouvir à narração do jogo. Outra: pagar promessa para que o meu Mengão conquiste uma importante vitória. A mais freqüente antecipa a TPM da minha garota: deixar de fazer a barba, ficando quase um mendigo (essa semana mesmo está valendo essa promessa para o jogo de domingo).

Quando a bola rola, tudo tem que parar. Olhe o caso do Campeonato de Futebol Society dos Diários Associados. O organizador teve a brilhante idéia de colocar os jogos aos domingos pela manhã. O cara deve ser um alcóolatra recuperado. Só pode. Jogar domingo de manhã sem ressaca??!?! As manhãs de domingo foram feitas para dormir, ora bolas!!!! Mas... pensando nos meus companheiros e ajudá-los a conquistar importantes vitórias tomei uma atitude impensável: "ficar em casa aos sábados à noite, sem uma gota de cerveja, enquanto durasse o campeonato". Isso se repete há três anos por longos três meses. Definitivamente são coisas que só o futebol faz EM você.


Sem mais para o momento...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O encantador de cavalos

- Como assim você tinha um "Meu Querido Pônei?!?!?!?!"
A indagação já não seria tão normal se fosse direcionada a uma mulher - visto que boa parte delas já teve tal brinquedo. Mas ela foi feita a Vasconcelos. Sujeito gente fina demais, mas que pecou ao errar nas suas escolhas quando menino. Vasconcelos era (no passado mesmo) nos anos 90 o tipo do sujeito que bastava uma rápida olhadela para encaixá-lo num estereótipo. O cara era do rock n´ roll. Não dava para dizer outra coisa. Cabelos compridos, cavanhaque, casaco de flanela no estilo xadrez, como a turma do grunge, coturno, e, na mão direita, quatro anéis, cada um com uma letra, formando a palavra O-Z-Z-Y (a voz do Black Sabbath). Ah! Alternava seu tempo como guitarrista de uma banda autoral chamada Building Spirits e outra cover do Alice in Chains. De fato, o caro era do rock.


Ainda em meados de 2000 o sujeito se transforma completamente (calma, ele não virou gay). Cabelos sempre muito bem aparados, barba sempre feita, roupinha de vovô, faculdade de Direito e vocabulário rebuscado, cheio de formalidades - até mesmo com os amigos mais próximos. Virou o tipo de cara que vira para um amigaço de longa data e diz: "Fulano, será que você poderia, por favor, me emprestar seu isqueiro? Poxa que bom cara. Fico muito feliz..." Porra! Francamente, né? Que tipo de AMIGO vira pra você e pede um isqueiro ao melhor estilo inglesinho herdeiro do trono da rainha??!?! Amigo que é amigo vira para o outro e pede: "Ô mané, joga o isqueiro aí". PONTO. Nem obrigado se fala, porque é obrigação do amigo fazer isso sem esperar um obrigado em troca (amizade de homem é assim e prometo, em breve, explicar direitinho isso em um texto por aqui).


Sem mais digressões, voltemos para o ponto da questão. Em um tempo anterior a essa mudança de personalidade, estavam vários amigos, dos tempos de escola, refrescando a goela com a doce cerveja no tradicional Armazém do Mineiro, na Asa Norte. Entre uma cerveja e outra servida religiosamente pelo "Seu Paulo - o eterno garçom do butikim", os amigos divagam sobre "n" assuntos. Um deles, tomou rumos mais polêmicos: "brinquedos e diversões de infância". Todo mundo já pautou uma mesa redonda no bar sobre esse tema. Mais de uma vez, inclusive.

O Gordinho lembrou que "fabricava" potentes armas caseiras, enquanto a molecada do prédio só tinha as tradicionais zarabatanas (cano de antena, um ferrinho e um abacate). O Bactéria se orgulhava ao dizer que tinha todos os Comandos em Ação. Bertoldo gritava ao lembrar das colossais formações que conseguia com suas peças de Lego. Na acalorada e animada discussão, veio o Vasconcelos, ainda do rock n´roll, e confessou em meio as várias vozes se cruzando: "Eu tinha um Pequeno Pônei...", admitiu com o olhar distante e nostálgico. TODOS pararam de falar por três segundos e arregalaram os olhos. Até que um deles quebrou o silêncio: "Como assim você tinha um "Meu Pequeno Pônei?!?!?!? Que porra é essa moleque?!?!?! Tá errado!!!!".

Vasconcelos não entendia o espanto dos companheiros de copo e insistia em perguntar qual era o problema daquilo. Quando todos achavam que nada podia ser pior do que desgraçada confissão, ele emenda em uma explicação sobre como brincava com aquele objeto "exclusivo para meninas de saiotes e trancinhas": "Eu vivia cortando a crina dele achando que iria crescer de novo. Eu era muito burro...". Contou, jurando que ali era o dono da situação. Todos se entreolharam mais uma vez, pediram a conta e foram embora. Moral da história: as aparências enganam.


Sem mais para o momento...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Minha mão esquerda

- Puta merda. Não consigo preencher esse cheque... Foda-se. Vai assim mesmo. Todo torto...
- Quer que eu preencha senhor?
- Pelo amor de Deus! Tenha piedade!

Episódios tragicômicos como esse tem acontecido comigo desde sábado à noite. Sim, porque estou forçado a encontrar outras obrigações para minha mão esquerda, que não seja apenas segurar uma latinha de cerveja. Tudo o que eu faço agora, tem de necessariamente passar por ela. Isso porque estou com o meu dedo opositor direito - o famoso dedão - imobilizado desde sábado à noite. E, como bem sabem, é isso que nos dá larga vantagem em relação aos animais irracionais - temos uma pinça na mão e sem ela somos inúteis. Não dá para segurar NADA (e nem jogar Play Station!!!).

Por isso, por causa desse dedão, tudo o que eu fazia com a mão direita - absolutamente tudo - tem que ser feito com a esquerda agora. Pior: para mim, a mão esquerda nunca teve função - exceto segurar uma cervejinha ou manter o equilíbrio. Logo, dá para imaginar o quão agradável é ter que comer com uma mão que nunca usava, escrever alguma coisa como um canhoto, vestir uma roupa ou amarrar um cadarço, tomar banho e otras cosas mas... Estou me virando como posso. Nunca pensei então que minha mão esquerda seria tão útil. Sabe aquele filme da década de 80, Meu Pé Esquerdo, com Daniel Day-Lewis?... Pois é. Quase isso. Perseverança e aprendizado constantes. Um verdadeiro exemplo de superação.

O pior é olhar pra tras e lembrar como essa contusão aconteceu. Futebol é óbvio. Depois de marcar cinco belos gols na peladinha de fim de semana, já estava com a língua pra fora , clamando por um balão de oxigênio, sem agüentar dar mais um passo. Pedi para descansar um pouco no gol. Fiquei lá paradão, enquanto a pelota "pererecava" pra lá e pra cá no meio do campo.

Numa dessas, meu irmão pega de primeira e solta a bomba de fora da área. Eu, que não sou goleiro de ofício, quis fazer uma bela defesa - daquelas para se fazer pose para os fotógrafos - e pulei na bola de mão trocada - para as mulheres (e alguns "homens estranhos") que não entendem o esporte bretão, significa dizer que, se a pelota for no ângulo direito, o guarda-metas vai na bola com a mão esquerda. Se for no ângulo esquerdo, ele vai com a mão direita. O artifício é utilizado para alcançar bolas mais altas.

Pois bem. Foi nessa hora que a bola veio em cheio contra o meu dedão, que virou todo para trás. Soltei um sonoro "Puta que pariu!!!!!!" e rolei no chão, de tanta dor.

No hospital, o ortopedista de plantão vira pra mim e diagnostica: "Houve um estiramento nos ligamentos laterais do seu dedo e possivelmente o ligamento da parte anterior se rompeu. Mas isso não dá para ver agora, porque eu teria que virar o seu dedo todo para trás para examinar e você não vai aguentar. Se eu fizer isso você vai chorar". Já estava chorando por dentro. Quase externei o choro quando ele disse: "Depois que você voltar aqui a gente faz esse exame. Se tiver rompido mesmo terá que fazer uma cirurgia e, conseqüentemente, fisioterapia", disse na maior naturalidade. Logo pensei: "Fo-deu".


Mas... pensando bem, tudo tem seu lado bom da coisa. "Vamos colocar uma tala nesse seu dedo e você vai ter que ficar com ela por 14 dias. Vou te passar um atestado". Cá estou. "Curtindo" em casa umas "férias forçadas". Sem minha indispensável mão direita. E digitando esse texto só com a mão esquerda e o dedo inducador da mão direita. Como nos tempos de criança... Além disso, nos dias de futebol com os amigos, sempre terei uma desculpa boa para não ir para o gol - coisa que eu odeio, mesmo que cansado. "Meu opositor direito é remendado. Não posso correr o risco de levar nova pancada". Ninguém vai poder falar nada. Humildemente...


Sem mais para o momento...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Diálogos entre pai e filha

O sentido da vida:

- Papai, por que você nasceu homem?
- Uai, Melissa... sei lá! Porque quiseram assim!
- Hum... mas você nasceu da barriga de quem?
- Ué! Da minha mãe! A sua avó!
- Hãaannn...... ué, mas ela era novinha?
- Claro! Um dia ela já foi que nem você!
- Hummm..... (10 segundos depois, ainda achando que a avó sempre foi velha). Mas tem foto disso?! Quero ver!


Mais uma vez achando que a avó sempre foi velha:
- Papai, cadê a Léia? (babá)
- Tá lá na frente ó. Vindo bem devagar, porque ela está trazendo sua bisa.
- Hum.... e por que elas 'tão' andando bem devagarzinho?
- Por que a bisa já está bem velhinha.
- Ahhh... igual a vovó Vicencia, sua mamãe, né?

Caçoando a avó de novo:
- Vovó, como você consegue me pegar no colo só com um braço?
- Porque eu como tudinho todo dia e fico forte!
- Ué! Mas você não é velhinha?

Fora de contexto, durante o jantar:
- Papai, quero ser baterista!

Mais fora de contexto ainda, dias depois:

- Papai, quero ser bailarina.
- Ué! já desistiu da bateria?
- Nãaaooo. Outro dia eu vou ser baterista. Mas agora quero ser bailarina.

Conclusão óbvia:
- Papai, você sabe qual é o nome da mulher do Pernalonga?
- Não faço idéia.
- Ué! pernaLARGA!!! (óbvio, né? se o masculino é "longa" o feminino tem de ser "larga")

Xixi na cama:
- Bom dia papai.
- Bom dia filha.
- Não bida (briga) comigo não, tá.
- Ué, por que?
- Mas por favor papai...
- Sim, mas por que você está falando isso?
- Porque minha calcinha está molhada.
- $#%@*#!!!! Mas por que você fez xixi na cama?! Não já falei que não pode!!!
- Ditupa (Desculpa) papai. É porque eu não queria te acordar...
(como é que briga desse jeito?)


Xixi no meio da madrugada:

- Papai, papai. Acorda papai (susurrando).
- Quié Melissa.
- Quero fazer xixi.
- Vamos lá então.
Ela sentada no vaso, quase dormindo, olha para o pai e ainda sussurando diz:

- Eu estou de parabéns, né papai?
- Tá sim.
- É porque eu já sou dande (grande).

Crise de identidade:

- Quero jantar arroz, fijão (feijão), tarninha (carninha) e tomate
- Tá bom.
- Ahhhhhh. Esqueci! Minha mãe disse que eu sou vegetariana e não posso comer os bichinhos.
- Tá bom. Depois a gente conversa sobre isso.

15 minutos depois...

- E aí Melissa? O que é mesmo que você quer jantar?
- Arroz, fijão, tarninha e tomate.
- Ué! Você não disse que era vegetariana?
- Sou, mas só hoje que eu não vou ser, porque eu adoro tarninha. Amanhã eu sou vegetariana, tá?
- Então tá, né?


Sem mais para o momento...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

"Todo carnaval tem seu fim..."

Acabou a folia de momo!!! Totalmente excelente para uns, desgracenta para outros. Olha o Briba, por exemplo. O cara veio lá da Paraíba, terra afeita a festejos em qualquer dia do ano. Mas ele, todo metido a europeu (todas as férias ele dá um pulo lá), bate no peito para afirmar que acha tudo isso aí uma grande babaquice. Não discordo tanto dele. A não ser do tom radical. Tem muita coisa que é babaquisse mesmo. A ação do Bope no Galinho de Brasília, por exemplo, ou aqueles caras que torcem o ano inteiro para chegar logo o carnaval para poder se travestir de mulher. Constrangedor. Mas também não condeno quem goste (do verdadeiro carnaval). Eu, por exemplo, se for para cair na folia, que seja ao som do legítimo samba carioca - que tem tudo a ver com carnaval.

Mas tem gente que confunde as coisas e acha que a tradução da folia de momo seja um funk com os profundos termos "créu, créu, créu, créu, créu... " (o cara é um poeta). Ou pior: que um "dublê de artista" cover auto-intitulado Mr. Babão (!!!) seja "o cara". Na verdade, ele só goza com o pau dos outros. Não tem uma música se quer. Mas tem gente que acha o máximo. Vejamos o Menino-garoto, o Mendes e o Big-Twenty, por exemplo. Desde que os conheço, eles seguem o Mr. Babão onde quer que ele esteja. Se fosse contabilizar quantas noites eles se esbaldaram ao som de Mr. Babão ou coisas do gênero, daria para dar a volta ao mundo de bicicleta. Eu corto meu dedão se eles não arrumariam a mala para pegar a estrada, caso fosse anunciado nos próximos dias: "Mr. Babão comanda a festa em Goiânia" . Mas... tudo bem. Cada um com seus problemas, né?


O Bruce foi mais esperto. Deixou de ir num show do Babão aqui, outro ali, da Ivete semgraça (nas palavras de Felipe Campbell), Vixe Mainha e coisas do gênero - coisa que o Menino-garoto, o Mendes e o Big-Twenty nunca fazem. Bruce conseguiu com isso, economizar uma boa grana. Juntou-se ao seu parceiro de guerra, o Banner. Eles se mandaram para o Rio de Janeiro para curtir os tradicionais blocos de rua (de graça!!!). Estão lá até agora e só devem voltar no fim da semana. Já devem ter tomado 800 litros de cerveja e devorado 467 mulheres (gordinhas inclusive, uma das especialidades deles).

Empreendedor também foi nosso amigo Dr. Bactéria. Ao longo do ano, não quis saber de "pequenos", como o Babão, Vixe Mainha, Alexandre Peixe e etc. Guardou verba e está a essa altura em alto-mar, num cruzeiro cheio de gostosas. O Menino-garoto, o Mendes e o Big-Twenty, que tiveram 98% de freqüência nesses showzinhos "ótimos" ao longo do ano estão aí, reclamando com cara de mané: "pô... queria viajar nesse carnaval. Mas estou sem grana". Quem mandou ser distraído?


Que fim levou o carnaval dos três então? Mendes, o maior camisolão vivo, não pôde sair de casa. A mulher dele o proíbe de fazer isso. E se o fizer leva porrada. Mas o Menino-garoto e o Big-Twenty, mesmo sem dinheiro para viajar, queriam fazer desse carnaval chuvoso na Brasíla-véa-sem-lei um festejo momesco ao melhor estilo "chutar o balde". Mendigaram duas cortesias, passaram no mercado, compraram uma garrafa de vodka e outra de refrigerante. Prepararam o famoso Hi-Fi e foram curtir o Babão pela 986ª vez. Cada um tomou cinco litros de Hi-fi (cerveja era muito caro e eles não guardaram dinheiro ao longo do ano, então...). No final, foram flagrados pelas câmeras do Discovery Channel e o vídeo vem logo abaixo.

Aí vem a alegoria da história. Sabe aquela música do Los Hermanos, chamada "Todo Carnaval Tem Seu Fim"? Pois é. Lá pelo meio da canção tem um verso: "... Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco". Nesses últimos dias, o refrão da dupla Menino-garoto e Big-Twenty - ou de qualquer um dos caras do nosso núcleo, é verdade - levanta qualquer bloco em uníssono: "beber, cair e levantar".

Sem hipocrisia e sem mais para o momento...