quarta-feira, 30 de abril de 2008

Isso que é jornalismo!!!!


Sempre sonhei emplacar manchetes fanfarronas como essa... Aí não Ronaldo... nem nosso amigo Johnny - que quase comeu um traveco na Asa Norte - acharia que isso aí é uma mulher. Francamente...

Sem mais para o momento...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Ser desmoralizado e demagogo é...

Embora já tenha sentido no bolso o peso das multas, o consultor de vendas Gustavo Silveira, 26 anos, que já foi um crítico dos pardais, defende a fiscalização eletrônica. "A violência no trânsito está muito grande. É preciso ter cada vez mais pardal. Só assim os motoristas deixarão de abusar do excesso de velocidade", considera. Silveira lembra que gastou quase R$ 5 mil em multas nos últimos anos. (Correiobraziliense.com.br, 24/04/2008).


Antes de comentar a declaração hipócrita dada por esse personagem ao competente repórter Diego Abreu (correiobraziliense.com.br), deixe-me explicar quem é o sujeito. Gustavo é apenas um nome fictício. Ele é conhecido mesmo pela singela alcunha de “O Inimigo”. Logo, não dá para confiar nas declarações de um cidadão como esse. Pode parecer bizarro, mas Inimigo tem esse codinome devido ao seu questionável hábito de se separar dos amigos durante as noitadas. Eis uma situação: chega em uma balada um grupo de cinco pessoas. Todos juntos. Meia hora depois, no máximo, vem a indefectível pergunta: “cadê o Inimigo?”. Ninguém, nem mesmo Deus, tem notícias do sujeito, que desaparece numa fração de segundos. Seria ele o ectoplasma vivo do Mestre dos Magos?

Passada essa explanação inicial, passemos aos hábitos do Inimigo. Eis um cara que, como seu comparsa inseparável, o Pangaré, faz jus ao ditado: “todo babaca tem a vida atribulada”. É o único garotão que na história desse país conseguiu pegar uma mulher na mesa de bar sem um flerte sequer . Tudo bem, isso é comum. Mas nada comum é essa mesma mulher reencontrar, no dia seguinte, o mesmo babaca, em outra mesa de bar, e não se lembrar que na noitada anterior quase tivera a língua comida pelo tal Inimigo. Ela não acreditava nos amigos que afirmavam que eles passaram a noite se pegando na frente de todo mundo naquele bar. Inimigo ficou visivelmente abalado. Não acaba por aí: a mulher confessou nessa mesma mesa adorar meninas, até mais do que meninos. Aí o Inimigo queria enfiar a cara no saco. Desmoralizante...

Aproveitando que o comparsa Pangaré já foi mencionado, voltemos a uma outra situação desmoralizante. Para ambos. Festinha humilde na mansão do Irmão Caminhoneiro Shell. Pangaré e Inimigo chegam no meio da madrugada. Avistam uma gordinha com uma minisaia obscena dando sopa e partem para cima. Pangaré começa a destilar galanteios baratos no ouvido da gorda. Testemunhas viram vários “selinhos” entre os dois. Inimigo não quis deixar barato. Sem o menor pudor, sentou-se entre Pangaré e a gorda e partiu para o ataque. Em outras palavras, não hesitou em furar o olho de seu comparsa. Não demorou muito para Inimigo estar com a língua dentro da boca da moçoila. Pangaré, incrédulo, tirou o time de campo, praguejando contra o... INIMIGO – um cara que fura o olho de um comparsa assim só pode mesmo ser chamado de Inimigo.

E assim foi a noite inteira. Na verdade, até o dia amanhecer. Inimigo, com sangue no olhar, aviltando a gorda por horas a fio. Mão aqui, mão ali, boca no pescoço, na boca, apertões... Mas o triste desse episódio não é nem isso. Antes dos comparsas Pangaré e Inimigo chegarem ao recinto e beijarem a garotinha, o sagaz Bueno, um apaixonado por gordas, já havia dado uns amassos fortes na mocinha. As mesmas testemunhas que viram os selinhos entre Pangaré e ela e os amassos escancarados com o Inimigo, afirmam ter presenciado algo mais do que beijos entre Bueno e a garota. Daí, surgiu um novo verbete: o famoso "rebaba" virou “reporra” para Inimigo e Pangaré. Bueno só se refere aos dois como “os chupas”... ou, de forma menos escancarada, como “o fura” e “o olho”. Desmoralizante...

Em Goiânia, os amigos do Inimigo suspeitam que ele tenha sido abusado sexualmente por um traveco e duas lésbicas. Eles saem de um Carnagoiânia desses da vida e se deparam com o Inimigo sentado no chão, completamente embriagado, encostado no pneu do carro deles. Detalhe: cercado pelas três figuras noturnas pouco agradáveis. Quando Inimigo avistou os amigos quase chorou de felicidade: “Graças a Deus vocês chegaram! Nunca estive tão feliz em reencontrar vocês. Graças a Deus! Eu amo vocês!” Gritava Inimigo, ao ponto de encher os olhos de lágrimas. Ele nunca mais comentou sobre o assunto. Quando alguém fala sobre o episódio, ele sai pela tangente. Desmoralizante...

Voltando ao comentário hipócrita do cidadão sobre o trânsito em Brasília. “É preciso ter cada vez mais pardal. Só assim os motoristas deixarão de abusar do excesso de velocidade”. É uma frase até fundamentada. Mas vindo de um cara que tem ódio do Detran pelos seus R$ 5 mil em multas não dá para levar a sério. Mesmo porque ele não cansa de discursar contra a fiscalização impiedosa dos agentes da lei. A última chaga foi na temida Ponte JK, quando foi flagrado pelos amarelos-e-pretos sem carteira de motorista, sem documento e ainda foi reprovado no teste do bafômetro – ainda que ele tenha tomado míseras 3 latas. Resultado: prejuízo de R$ 957,00 no bolso, carteira apreendida, além dos 7 pontos extras, e carro rebocado para o depósito do Detran. E quem estava ao lado dele? Seu comparsa inseparável: o Pangaré!!! Há duas conclusões, portanto: declarações demagogas à imprensa de um cara que tem R$ 5 mil em multas são piadas. Mas repórteres meninos-garotos não se dão conta disso. A outra é óbvia: Inimigo e Pangaré juntos só pode dar merda.

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terça-feira, 22 de abril de 2008

Ô "Brasíla" véa sem lei..."

Mais de um milhão de pessoas reunidas no mesmo local para comemorar os 48 anos dessa Brasília-véa-sem-lei. "Vai dar merda", pensaria um mais precavido. Nem mesmo o maior efetivo policial já reunido na história da Capital da República deu conta de todas as confusões. As histéricas e, pasmem, histéricos pelos "cucarachas" do RBD deram mais trabalho. Invasão da Área VIP, com a derrubada do cercadinho que separava o público, invasão de palco, incêndio nas grades laterais, desmaio, convulsões (!!!)... Se fosse um filme se chamaria A Hora do Pesadelo. A pobre molecada? Segundo último levantamento, o número de crianças perdidas chegou a 180!

Pior foi o metrô e a rodoviária do Plano Piloto. Apocalypse Now - versão do diretor, sem cortes... Chegou um momento em que um transeunte não conseguia ir pra frente, nem pra trás. Há imagens de pessoas entrando nos coletivos pelas janelas. PELAS JANELAS!!! O pior é quando uns macacos travestidos de gente colocam em prática a irracionalidade. Aí caga tudo de vez. O metrô foi usado, abusado e depredado. Dos 17 trens em circulação, três foram arrebentados. A Hora do Rush... Êta Brasíla-véa-sem-lei...

Os shows da noite serviram de trilha sonora para a macacada distribuir socos gratuitamente. Que o diga a "banda carioca" Capital Inicial (o Dinho Ouro Preto se esforça para falar como um nasxxxxxxxxcido e criado no Rio de Janeiro). Fora as confusões isoladas, o próprio mezzo brasiliense, mezzo carioca Dinho teve que pedir no microfone para a macacada parar de brigar. Pela manhã, o noticiário anunciou que houve um espancamento durante o show do Capital. Clube da Luta... Em frente ao palco, os policiais tiveram que usar spray de pimenta para dispersar os macacos que se acotovelavam gratuitamente, achando que eram os donos da situação. Minutos antes da apresentação do gente boa Leonardo, os tiras dispararam duas vezes para o alto para dispersar uns brigões, o que provocou um início de tumulto e correria. Corra Que a Polícia Vem Aí... Essa é a Brasíla-véa-sem-lei.

"Mas não teve nada bom?!", perguntaria alguém quem não foi ao local. Sim, claro, teve muitas coisas bonitas. Como o "Piscinão do Museu da República", onde a criançada, com toda a sua característica "tô nem aí pra nada", fez a arruaça nas águas "profundas" do espelho d´agua de lá. E nem mesmo os insuportáveis 30º que deviam fazer no início da tarde desanimaram a gurizada para enfrentar as filas quilométricas da brinquedoteca gigante... A Era da Inocência. A queima de fogos por intermináveis 20 minutos ofuscou até mesmo a lua cheia e amarelada, comprada por P.O., segundo alguns de seus interlocutores. A cerveja gelada a R$ 1,50 era covardia - na verdade o preço era R$ 2, mas o ambulante, numa política de fidelização de clientes, fazia a um preço mais camarada. A velhota de 359 anos, toda banguela, que lascou um beijo no cangote de um pobre mancebo, sentado no colo da sua garota. A velha não se intimidou com a presença da adversária e ainda entoou uma canção antes de partir para o ataque. Lolita...

Os anônimos - esses tiveram participação fundamental para animar a festa. Um figura cheio de dreadlocks de aproximadamente 16 anos caminhava solitariamente pela Esplanada, vestido em um terno preto impecável, camisa preta, gravata vermelha e... tênis branco de cano longo (daqueles usados para jogar basquete). O Terno de 2 Bilhões de Dólares. Mas esse não se destacava mais do que o híbrido de Conan, o Bárbaro com Príncipe Adam (o He-Man antes dos poderes de Greyskull). Do alto de seus 1,90m, o sujeito transita tranqüilamente só de sunga, chinelos e com seus cabelos compridos cacheados no melhor estilo Luiz Caldas, só que descoloridos. Um cara desses tinha que ser preso por atentado violento ao pudor!!!

O Seu Cabeleira acompanha sua esposa e três amigos do filho. Depois de várias cervejas a R$ 1,50, dois desses amigos vão urinar numa árvore daquelas bem largas. Enqüanto dão aquela mijada, os caras percebem a aproximação de um terceiro elemento, que encosta no lado oposto da árvore e passar a respingar mijo para tudo quanto é lado. Um dos caras fala em voz alta propositadamente para o folgado ouvir: "Porra! Tem um cara aqui que quase mijou na minha perna!". Segundos depois, um odor de chorume vencido páira no ar. O outro amigo pergunta: "Tu tá podre hein?! Você peidou?!?!?!". O camarada nega a acusação e fala em voz alta novamente: "Tá doido?! Se eu peidasse fedido desse jeito você podia me enterrar agora. Deve ter sido esse mesmo cara aí que quase mijou na minha perna". Terminado o xixi, eles dão a volta na árvore e dão uma olhadela de lado para ver quem era o mijão/peidão. O Seu Cabeleira!!! O próprio, que também ficara surpreso e sem graça ao reencontrar os dois amigos.

Mas o anônimo da noite foi um tal de Bueno. Esse sabe o que faz. Avistou uma gordinha horrorooooooooosa e institivamente abordou: "Olha só quem está por aqui!... O que foi? Não está me reconhecendo?!". A gordinha horroroooosa estranhou a situação, olhou, pensou e admitiu: "Desculpe, não te conheço". Bueno foi rápido no gatilho: "Eu também não. Mas a gente resolve isso agora. Vem cá!". Pegou a gorda pelo braço, levou no canto e poucos minutos depois já estava comendo a língua da gorda. Desnecessário... O Exorcista. É por essas e outras que a festa dessa Brasíla-véa-sem-lei fez valer o "ingresso". Não tem RBD, Leonardo, Capital Inicial ou Chiclete com Banana que atue melhor do que um Bueno, Conan, o Bárbaro, Seu Cabeleira e outros tantos anônimos que fazem essa cidade uma coroa enxuta, cheia de problemas, mas que tem a sua graça.

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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Coisas de pai

Duas coleguinhas de jardim de infância - quatro aninhos cada uma - se dão aos mãos e se colocam a rodar, rodar, rodar e rodar. Morrem de rir daquela singela diversão. Se eu visse essa cena acharia lindo, mas logo sentenciaria: "vai dar merda". A poucos metros dessa brincadeira pura de criança, um destrambelhado, da mesma turma e idade, corre a mil por hora olhando, sabiamente, para o alto. Definitivamente eu diria: "vai dar merda, com certeza!". E deu. O destrambelhado se choca com uma das duas coleguinhas, a de cabelos dourados, levemente enrolados nas pontas, que responde pela alcunha de Mel. Saldo da colisão: um para cada lado. O destrambelhado machucou o queixo. Mel teve um corte feio na região que fica entre os lábios superiores e o nariz (não sei como se chama essa parte, humildemente), que dava pra ver o que havia no outro lado. Desespero, sangue, lágrimas e gritos. Muitos gritos.

A Tia Sandra, coordenadora da educação infantil da escola, age prontamente, pega no colo a pequena Mel com seus 15 quilos e presta os primeiros socorros. Em seguida, passa a mão no telefone e liga para o papai aqui, já de saída para o trabalho. "Oi, tudo bem? Olha só. Estou te ligando porque aconteceu um pequeno acidente com a Melissa...". Institivamente já comecei a me tremer todo. "Fez um pequeno corte na boca...", quase mijei nas calças quando ouvi isso. "Acho que não precisa dar ponto (...) mas não precisa se preocupar. Ela já está bem, mas está chamando pelo 'papai'". Larguei tudo, entrei no carro e saí arrancando, rumo à escola. Ao entrar na sala da coordenadora, me deparo com um "bolinho" de gente, todo encolhido, no colo da Tia Sandra. Detalhe: ela estava quietinha, sem chorar, mas ao ver o papai se desmancha em lágrimas e sai correndo em direção ao colo: "papai... tá doendo.... buáááááá". Manhosa? Acho que não. Só não queria sair do colo do papai.

No hospital começa todo um processo. Sabia que seria necessário "costurar" aquele rasgo causado pelo sábio destrambelhado que corre olhando para cima. Sabia também que o volume do choro dela ultrapassaria os 300 decibéis e tentei bancar o psicólogo. "Filha, é o seguinte. O médico vai fazer um curativo no seu dodói. Não é pra ter medo. Você tem que aguentar. Você só chora porque ACHA que vai doer. Não tenha medo, tá?". Tentava quase entrando em pânico junto. "Mas e se doer? (...) Você sedula (segura) na minha mão". Sabia que ia ser dureza. Na mesa de cirurgia, uma injeção do tamanho da cara dela. "Isso é só a anestesia, tá Melissa? Vai doer agora...". Quase dei um tiro na cara do médico, tamanho o tato que ele teve com a criança, que, claro, entrou em pânico. Gritava copiosamente, como se alguém estivesse espancando a coitadinha. É nessas horas que a gente percebe o quanto ficamos babacas com a paternidade. Os olhos se enchem de lágrima. O cara falta se cagar todinho. Se ele não é espada, acaba se revelando. Mas é preciso se segurar.

Três minutos depois e muitos berros que ecoaram por todos os corredores do hospital, lá estava o primeiro ponto da vida da pequena Mel. Pode ser o primeiro de vários. Tomara que tenha sido o último. Não é nada legal passar por isso. Fico imaginando o quanto meus pais sofreram com a minha infância. Foram cinco pontos na testa; Cinco pontos na barriga! (causados depois que uma lança daquelas grades que ficam em frente às casas deslizou facilmente para dentro da minha barriga); dois dentes quebrados; vários ossos fraturados (perdi as contas de quantas vezes tive de engessar alguma parte do corpo); e por aí vaí. Queira o Todo Poderoso que a pequena Mel não puxe ao pai nesse aspecto. Se por conta de um mísero ponto eu quase morri, não quero imaginar o que vai acontecer comigo se ela se acidentar de forma mais crítica. Ainda bem que sou espada... né?


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quarta-feira, 2 de abril de 2008

Senhor, prendei os flanelinhas!!!!!


Cena real 1:
Folgado assobia freneticamente: Fíiiiiii, fíiiiiiii, fíiiiiiiiii....
Motorista tenta ignorar passando ao largo.
Folgado sugere: deixa o carro solto aí patrão.
Motorista conduzindo seu carro vagarosamente à procura de vagas nessa maldita cidade, dita "planejada": não, não, cara. Valeu...
Folgado insistente: deixa que eu estaciono pra você então.
Motorista, já nervoso: não, bicho, valeu.
Folgado pra caralho joga uruca no motora: você não vai achar vaga a essa hora aqui não hein...
Motorista pavio curto já engatando a segunda marcha: aahhh má-vá-pá-puta-que-o-pariu!!!!

Cena real 2:
Folgado surge das trevas quando vê o motorista se aproximar de seu carro: bem vigiado aí viu doutor.
Motorista incrédulo com a cara de pau do sujeito, ignora o folgado e pensa com ele: caralho, tô fodido mesmo. Não tinha ninguém aqui quando cheguei, tampouco deixei alguém vigiando meu Corcel Negro.
Folgado tenta mostrar serviço fazendo aquilo que sua classe mais sabe fazer - assobiar: Fíiiiii, fíiiiii, fíiiiiii... pode vir doutor. Vem, vem, vem.
Motorista perdendo a paciência: puta merda, será que esse cara pensa que não sei tirar um carro da vaga?!
Folgado urrando no assobio: Fíiiii, fíiiiii, fíiiiiii, fíiiiiiii.... vem, vem, vem...
Motorista abaixa o vidro e tenta ser diplomático: bicho, estou sem nada aqui hoje.
Folgadíssimo no limite extremo da folga: porra.... #$%@*&... valeu mão de vaca, seu zura...
Motorista sem acreditar na cena pára o carro, coloca a cabeça pra fora e chama pra briga: a porra do estacionamento é seu? é privativo isso? eu deixei você cuidando do meu carro?!?!?!
Folgado praguejando como ninguém e andando em direção aos seus párias: %#@*&, viado, $%&*@#, corno, #$%@&*....

Inacreditável...

Cena real 3:
Folgado tenta mostrar serviço: aqui patrão!
Motorista, com um histórico de más relações com essa classe, já olha puto e pensa alto: lá vem mais um deles...
Folgado assobia freneticamente sinalizando para uma "vaga" em fila dupla: fíiiiiiii, fíiiiiii, fíiiiiiii... deixa aí mesmo patrão.

Atrasado em 45 minutos para o trabalho e sem nenhuma vaga nem mesmo em cima das árvores, o motorista se vê obrigado a largar o carro com o freio de mão solto numa dessas "vagas descoladas" pelo folgado.

O Folgado sentencia: Aíiiiii patrão, tá certinho aí. Pode deixar que com nóis tá em casa.
Motorista: Tô fodido mesmo...

Cena real 4:
Motorista roga por Nossa Senhora das Vagas por uma vaguinha qualquer. Eis que surje lá da baixa da égua um sujeito sem camisa, cara de mala, gesticulando freneticamente e assobiando, claro: Aqui patrão! aqui! fíiiii, fíiii, fíiiiii...

Motorista acaba cedendo, diante do inferno que está para estacionar em QUALQUER lugar de Brasília.

Folgado: e aí Patrão, vamos lavar hoje?
Motorista desconfiado tenta sair bem da negociação: mas hoje é terça-feira ainda cara. Dia de lavar carro é sexta-feira, para você impressionar a gatinha, não é não?
Folgado se achando "o" negociador, enquanto caminha ao lado do motorista por alguns metros: que nada patrão, carro tem que ficar limpinho todo dia.
Motorista consegue chegar num meio termo: relaxa bicho. Sexta-feira a gente dá uma geral no Corcel Negro aí.
Folgado fecha o negócio: beleza. Não esquece de me procurar. Meu nome é Wesley.

No dia seguinte...

O folgado "Wesley" lá da baixa da égua percebe a aproximação do Corcel Negro e começa: Fíiiiii, fíiiiii, fíiiiii... patrão, tô aqui.
No outro dia: Aqui patrão! Deixa com o Wesley!

Dia seguinte:
e aí patrão, vamos lavar hoje, né?

Desagradável... o motorista que rala pra caralho todo dia tem que se conformar que agora tem um guardador/lavador de carros oficial ou estará sujeito a retaliações do sindicato da categoria dos folgados.

É por esses e outros episódios que não há a menor chance de ter simpatia pelos "flanelinhas", a quem os politicamente corretos gostam de classificar como "guardadores de carros autônomos" (?!?!?!?!?!?!). Eu chamo de malas inconvenientes. Tem coisa pior e mais comum do que isso? O cidadão de bem chega no estacionamento e desce do carro falando ao celular algo extremamente importante. Dos bueiros, árvores e trevas, surgem "flanelinhas" de tudo quanto é canto fazendo o que eles mais sabem: assobiar. Num primeiro momento, você tenta ignorar, fingir que não é com você. Mas os caras não páram a sinfonia enquanto você não olhar. Já numa situação desagradável - e ainda ao telefone - você dá aquela olhada de canto. É o necessário para ouvir a tradicional frase: "tá bem vigiado aí hein doutor". Não dá para não se indignar. E ainda ficam putos quando você volta e dá R$ 0,25 para aquele que assobiou mais alto. É o Valet Park dos novos tempos.

O pior são aqueles que "trabalham" nos grandes shows e eventos. Esses não são guardadores de carros nem cidadãos de bem. Que me desculpem os certinhos, mas esses são verdadeiros bandidos, que usam da prática da extorsão para intimidar o cara que ralou anos para comprar um Corcel. "A gente está recebendo adiantado aí. São R$ 5". Certa vez, no Rio de Janeiro, o marginal cobrou R$ 10!!!! Parece piada, mas isso acontece freqüentemente. O curioso é que o estacionamento está tomado por PMs, muitos deles montados a cavalo, que olham a situação e parecem achar normal. Os malditos flanelas agem a noite inteira. E ai de você se não pagar o cara. Um amigo desafiou e não pagou. Quando voltou ao carro encontrou a singela homenagem: "CORNO", riscado em letras garrafais na porta do motorista. O que fazer com um camarada desses? Aí vem aquelas donas que passam o dia inteiro dentro de casa assistindo Márcia ou Leão Lobo e dizem que eles são trabalhadores, estão ali porque não tiveram oportunidade, estão ganhando o pão de cada dia e blá blá blá.

O bom mesmo é fazer como um gente boa, policial à paisana, mencionado numa mesa de bar dessas da vida. Um desses caras que tentou extorquir o cidadão de bem se deu mal. O cara cobrou R$ 10 para "olhar" o carro, num universo de mais de 10 mil veículos. Será que ele conseguiria? O "à paisana", já biritum, virou para o moleque, travestido de "adulto-que-tenta-ganhar-seu-dinheiro" e diz: "Tu vai vigiar mesmo? Tem certeza? Então tu vai ficar aí do lado do meu carro. Se quando eu voltar você não estiver aí, eu vou atrás de você e não vai prestar", avisou, mostrando o distintivo da corporação sob o casaco. Quatro horas depois, num frio de encolher pinto, o "à paisana" se aproxima do seu carro e percebe que o "flanelinha" está deitado embaixo do veículo, dormindo todo encolhido. Maldade do "à paisana"? Medo do "trabalhador"? Que nada. Isso se chama "dever cumprido". O cara não extorquiu R$ 10 para "vigiar" o carro do cidadão? Então... que vigie mesmo, ora bolas. Ou prendei os flanelinhas!

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terça-feira, 1 de abril de 2008

Frase do dia

"Melhor do que transar, só dar uma cagadinha... (10 segundos depois), ou não?"

Do poeta, mago e escultor de palavras Vintão
Sem mais para o momento...