quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Morales: o rei das putas (parte final)

Eram 7h de um belo amanhecer carioca. A campainha do quarto do hotel onde los tres compadres se hospedavam "gritou" frenética e ininterruptamente até que a porta se abrisse. "Eu pensei que ia morrer. Quase me caguei todo...", disse Morales ao entrar pela porta, com respiração bastante ofegante e todo suado. Gonzalez, semi-sóbrio, não entendeu nada. Benitez, um verdadeiro pudim de cachaça, de tão embriagado, nem deu confiança. Morales procurou se sentar rapidamente, abaixou a cabeça e ficou refletindo sobre sua rápida passagem pelo inferno.

EXPRESSO DA MORTE
Morales virou-se para Gonzalez, Benitez, Jaiminho e Myagi, que observavam tudo a cerca de 30 metros dali. Ele fez um sinal de "jóinha" e, com um sorriso sem-vergonha na cara pediu aos amigos. "Cabrons! Me esperem. Daqui a pouco eu volto". Avisou o cabeludo, duas horas antes de chegar ofegante e encharcado ao hotel. Mal o táxi saiu e ainda no Leme começou a sacanagem no banco de trás. A musa do mexicano tentou, por várias vezes, frear os ímpetos sexuais de Morales. "Aí... tu tem vintão aí no bolso? Então passa pra cá. Preciso comprar um pó. Só vou te dar se comprar o meu pó". Morales pensou por alguns segundos. Mas naquela altura do campeonato, pouco podia fazer se quisesse pular do barco. Entregou a nota de R$ 20 para sua musa, que ordenou ao taxista. "Toca para o Morro Chapéu Mangueira". Numa fração de segundos, o cérebro de Morales mandou uma mensagem para seu esfíncter contrair bruscamente. "Estou fodido... a mulher vai me levar para uma boca de fumo".

CIDADE DE DEUS
Alguns quilômetros depois e quase mais nenhuma sacanagem - o esfíncter ainda estava contraído e gotas de suor escorriam da testa do mexicano - o táxi chega ao tal morro. Uma vizinhança tranqüila. Tão tranqüila que quase não se vê gente na rua. As únicas que podem ser vistas, curiosamente carregam armas na cintura e um capuz na cabeça. "Puta merda, o que estou fazendo aqui?!?!", perguntava Morales o tempo todo a si mesmo. O táxi parou numa "currutela" que só passava um carro para a "virgem" descer e buscar o que tanto queria. "Relaxa gostosão, só vou ali emcima pegar meu pó e já volto", disse a puta, tentando tranqüilizar Morales (já quase todo cagado). Para piorar a situação do mexicano, o taxista era um psicótico. Praticamente Robert De Niro em Taxi Driver. "Aí malandragem, vamos comer o cú dessa gata aí! O que tu acha?". Morales fingia não ouvir as propostas do psicopata travestido de motorista. O tempo foi passando e nada da garota descer. Um minuto no morro, as 5h47 da manhã, pode ser uma vida inteira.

BENITEZ E GONZALEZ, UMA DUPLA DE "DOIS CARAS"
O pedido de Morales para seus dois camaradas esperá-lo na saída do La Cicciolina soou como uma piada. De péssimo gosto. Quando Gonzalez olhou para Benitez e percebeu que ele mais parecia um boneco de Olinda, de tão cambaleante que estava, tomou uma decisão unilateral: "Ele está de sacanagem?! O cara sabe muito bem como chegar no hotel. Vamos embora! Ele que se vire". Como Benitez não estava em boas condições de argumentar, só balançou a cabeça em sinal positivo e saiu caminhando rumo ao hotel.

Ainda nas redondezas do Leme, Benitez avista uma gordinha de 1,50m (já contando com o salto alto) entrando em um táxi. Eis que acontece um daqueles flashbacks de bêbado, que o remete ao exato momento em que ele azarava uma das moças do Cicciolina. Ele estava certo de que era a mesma entrando no táxi. "Meu Deus! Olha só quem está aqui! E aí mineirinha...", disse, já com a metade do corpo para dentro do táxi. A passageira deu um grito e o motorista quase deu um soco nele. Tudo não passou de um engano. Era apenas uma trabalhadora, que saía para ganhar seu pão de cada dia.

Os dois seguiram caminho, pela Avenida Atlântica. Benitez, que tinha um importante compromisso de negócios marcado para as 8h30 da manhã, no extremo oposto do Rio de Janeiro, não parava de repetir. "Eu dou uma dormidinha de quatro horas e estou zerado para a reunião", dizia insistentemete. Gonzalez, inutilmente, tentava convencê-lo de que já se passava das 6h30. Pela matemática, faltavam apenas duas horas para sua tão falada reunião de negócios. Mesmo assim, o bêbado teimoso relutava em aceitar a realidade. "Você está viajando... Ainda são 3h da manhã". Benitez só se convenceu de que Gonzalez tinha razão, quando olhou para o mar e viu o sol escaldante sair por trás da linha do horizonte. "Caralho...irc, agora, irc, estou abalado... irc, irc.... Tô fodido... irc", lamentou Benitez, com a língua embolada e soluçando sem parar.

DADINHO É O CARALHO... MEU NOME É ZÉ PEQUENO!
Do outro lado da cidade, Morales pensava numa maneira de escapar daquela furada com suas calças, dinheiro e esfíncter inteiros. Ou, pelo menos, com sua vida preservada. Ele fica olhando pela janela do carro, tentando enxergar o que estava acontecendo lá em cima, na laje de um sobrado abandonado, onde funciona um "self-service" de coisas (i)legais. Eis que o mexicano escuta uma discussão envolvendo uma voz feminina e várias masculinas. "Puta merda. Amigo, agüenta aí que vou lá buscar essa mulher e vamos embora daqui". Morales desceu do táxi e tentou corajosamente subir no sobrado. "Epa, epa, epa... peraí brother. Onde você pensa que vai todo apressadinho assim? Tá achando o que?". Um gente boa armado com uma metralhadora de uso exclusivo das Forças Armadas barrou Morales. "Vou lá em cima buscar a mulher, cara...", justificou, já com a cueca semi-melada.

Morales subiu as estreitas escadas, acompanhado do gente boa da metralhadora. Lá em cima, se depara com a seguinte cena: quatro caras de bermudão Cyclone, regata, boné aba reta. Cada um com um cigarrinho do capeta na mão e uma arma na outra. No meio deles, rodando a baiana, a mocinha do Cicciolina. "Eu quero meu pó!!! Eu quero meu pó!!! Eu já te paguei seu desgraçado! Me dá meu pó!!!!". O Zé Pequeno da área olhou para o mexicano e deu o recado: "Aí malandragem.... é melhor tu tirar essa mulher daqui, se não vou sapecar". Morales - no limite extremo do drama - arrastou sua garota até o táxi e se mandou dali. "Bora meu irmão, acelera essa porra. Vamos sair daqui!!!". Quando tudo parecia que a furada estava para acabar, a musa do mexicano dá um novo pití. "Pára o carro! Eu vou voltar lá! Aquele desgraçado pegou meu dinheiro e não me entregou o que eu pedi! Eu vou voltar!!!".

RUN FORREST, RUN!!!!!
Quando o táxi parou para dar a meia-volta, ainda no alto do morro, Morales subtamente se movimentou. "Meu irmão.... quer saber? Ela é toda sua. Se vira com essa mulher aí. Eu vou embora daqui agora". O sujeito se tremendo todo abriu a porta do passageiro e saiu correndo. Nem dinheiro deixou. Correu como nunca correu. Quando chegou no pé do morro, pensou. "Já que corri até aqui, vou correr um pouco mais". Quando chegou até o Leme, continou: "Já que corri até o Leme, posso correr um pouco mais". Quando chegou na altura do Posto 6 em Copacabana, insistiu: "Já que corri do morro até aqui, posso continuar correndo um pouco mais". E assim foi. Por quilômetros. Até chegar ao hotel onde Benitez e Gonzalez já haviam chegado.

Com os cabelos molhados, caindo na cara, a camisa toda suada e o esfíncter não mais no limite extremo da contração, Morales enterrou o dedo na campainha, até que a porta se abrisse. Gonzalez foi quem atendeu a porta. "Puta madre, cabron?! Que mierda é essa?! Que te passa?!?!". Morales só conseguiu dizer uma coisa: "Eu pensei que ia morrer. Quase me caguei todo...". Sentou no sofá, tirou o sapato e ficou pensativo por longos 10 minutos, em estado de choque. Só depois disso, conseguiu contar aos camaradas o que havia se passado. Gonzalez foi curto e grosso: "Tu é burro?!". Benitez... bom... Benitez não conseguia nem raciocionar direito. Só conseguia repetir seu mantra: "vou dormir umas quatro horinhas e acordo zerado para a reunião".

No dia seguinte, Gonzalez e Morales acordaram por volta das 14h e foram tomar cerveja na praia. Morales, ainda abalado, pouco falava. Quando conseguia, filosofava sobre a fragilidade da vida humana. "É estranho, né? Uma hora você está tomando cerveja, todo feliz, e um minuto depois pode estar morto, cravejado de balas dos traficantes. Que merda...". Benitez estava desaparecido. Reza a lenda de que ele realmente acordou para a reunião de negócios e por lá ficou até as 18h. Dizem que não foi das mais produtivas. Ele fedia a desgraça e exalava álcool por todos os poros. Dizem, que, por isso, ele fora dispensado daqueles negócios e teve de voltar a sua terra natal. Mesmo assim, quando o relógio marcava 20h daquele "day after", o celular dos caras toca e do outro lado uma voz de ressaca faz o convite: "E aí cabrons! Acabou a maldita reunião. Vamos tomar um choppinho agora?!". Aí é covardia...

Sem mais para o momento

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Morales - o rei das putas

"La Cicciolina American Bar: R$ 20,00, com direito a dois drinks. Belíssimas loiras, ruivas, negras e morenas fazendo strip até as 6h da manhã". Moralez, Benitez e Gonzalez, três mexicanos de férias no Rio de Janeiro, ficaram felizes que nem pintos no lixo com o tentador outdoor daquela casa de moças "virgens", no bairro do Leme. "E ainda aceita Visa Electron! É aqui mesmo que a gente vai ficar!", sentenciou Benitez, que nunca anda com dinheiro no bolso, apenas com seu cartão do banco e a carteira de motorista.

Logo na entrada do recinto, los tres compadres fazem amizade com Jaiminho e Sr. Miyagi, dois garçons coroas gente fina. Foram eles que serviram de cara três caipirinhas caprichadas para os rapazes e outros tantos ao longo da noite. Enqüanto esperava pelo seu drink, encostado no balcão, Benitez foi abordado por uma das "virgens", uma bela morena, estatura média, seios fartos, coxas torneadas e aquela cara de safada. "Estou contigo garoto...", sussurrou a morena no ouvido de Benitez, cravando sua mão nas bolas do babaca. Reação? Saiu de lá correndo, à procura de seus compadres. "Cara, uma mulher acabou de me azarar ali. Até pegou no meu saco!", comentou com Gonzalez, que, de primeira, indagou: "E aí? O que tu fizeste cabron?!". Meio incabulado, o amigo respondeu: "Porra.... eu fiquei abalado. Por alguns instantes eu me esqueci que estávamos em uma casa de moças 'virgens'", justificou o cabron ainda abalado e jurando que na hora pensara estar em uma boate normal, com playboys, patricinhas, malas, piriguetes, DJs da moda e etc.

Paralelamente a esse debate entre Gonzalez e Benitez, do outro lado do salão estava Morales, já com um sorriso de orelha a orelha, sentado em uma mesa com uma garota de cada lado. Mais do que isso, sua mesa estava estrategicamente posicionada ao lado do poste onde as senhoritas escorregavam. Era o braço esquerdo sobre a loira, o direito sobre a morena e os olhos vidrados na ruiva de cabeça pra baixo no poste. Os amigos tentaram uma aproximação, mas a loira e a morena só queriam saber de Morales. Ele começava a estabelecer ali o seu reinado...

Os outros dois camaradas ficaram a noite circulando pelo recinto, sempre com um drink na mão. Um atrás do outro, sem limites. Vez ou outra paravam para assistir aos shows. Entre uma apresentação e outra, Morales continuava "arrebentando". Passava a mão nas dançarinas, pedia para subir no poste junto com elas, ajoelhava no chão, distribuía bebida, entrava no camarim junto com as meninas, ajudava a vestir a roupa... Estava se achando o verdadeiro dono da situação. Até a "tiazona" delas, aquela que cuidava das coisas por trás das cortinas, simpatizou com o mexicano. Os garçons Jaiminho e Sr. Myiagi só observavam, com um cínico sorriso estampado na cara, como quem dissesse: "isso vai dar merda...".

O INÍCIO DA DERROCADA DE MORALES
Eis que o "rei das putas" foca suas constantes investidas numa musa de cinema. Alta, coxas duras, bunda empinada, peitos na medida certa, cintura fininha e um belíssimo rosto branquinho contornado por longos e lisos cabelos pretos. "Meu Deus! É ela... é com ela que eu quero ficar pra sempre... ", comentou Morales, de boca aberta. Partiu pra cima da gata e iniciou sua interminável azaração, que se estendeu por quase duas horas. Como se diz por aí, "ficou casado" com a gata. Até parou com as "tentativas de estupro" nas demais. Benitez e Gonzalez, encostados no balcão com seus drinks e jogando conversa fora com Jaiminho, tinham certeza de que Morales não sossegaria enqüanto não fosse além dos amassos nas coxas dela. Mas eles, nem mesmo Morales, Jaiminho e Myiagi, não haviam percebido um detalhe. A musa da noite era a maior junkie do Leme, fissurada em pó e derivados. E isso... foi a desgraça daquele pobre mexicano.

Em um dos raros momentos que Morales deu trégua à musa, em uma das idas ao banheiro, um vovô garoto abordou a musa da noite. Cinco minutos de conversinha e eles se levantam. O vovô paga a conta e sai de mãos dadas com a moça. Quando Morales retorna do banheiro, cambaleante, percebe que tinha tomado aquela furada de olho de um coroa de 60 anos! "Tô fodido mesmo. Só me resta me juntar aos caras e ao Jaiminho e sair fora...", pensou Morales. Mas antes mesmo de chegar ao balcão, ele cai de cara naquele chão limpinho do La Cicciolina, derrubando um monte de cadeiras e mesa. "Iihhhhh, esse aí está com vocês, não está?", questionou Jaiminho aos compadres, que ainda tentaram ajudar rapidamente, mas Morales se negou a aceitar ajuda. "Sai fora. Deixa que eu consigo levantar sozinho. Me deixa...", falou o machão. Mas aquilo fora o suficiente para os outros dois dar um basta naquela farra e ir pra casa.

EMBARQUE PARA O INFERNO
"Olha só quem está aqui!!!! Você me largou lá dentro, né?! Safadinha... mas eu te achei de novoooo", disse Morales, feliz da vida, ao rever sua musa do lado de fora do local. Ela deu de ombros e continuou ao lado do vovô-furador-de-olho, que estava ali apenas à espera de um táxi para um motel. Mas Morales é guerreiro. Continuou insistindo com a musa. O vovô-furador-de-olho, já emputecido com a inconveniência daquele cabeludo, não quis saber e deu as costas. Entrou no primeiro táxi que passou por ali e largou a moça com Morales. "Seu desgraçado. Tá vendo o que você acabou de fazer?! Melou o meu esquema! Seu viado, turista de merda!". A puta ficou puta. "Calma gata! Te quiero", devolveu o galante.

Soltando fumaça pelas ventas, a musa parou um táxi e sentou no banco de trás. Morales, no limite extremo da inconveniência, entrou em seguida. Não deu nem tempo de ela se acomodar direito e já saía pela outra porta, fugindo do taradão. Como numa perseguição daqueles filmes de comédia pastelão, à lá Loucademia de Polícia, Morales saiu junto, também pela mesma porta oposta. A situação se repetiu em três táxis seguidos. No quarto, a musa cravou uma diretaça. "Tu está mesmo a fim de me comer todinha???? Quer um cú?! Então vem comigo. Motorista, pega a Avenida Atlântica". Morales virou-se para Gonzalez, Benitez, Jaiminho e Myagi, que observavam tudo a cerca de 30 metros dali. Ele fez um sinal de "jóinha" e, com um sorriso sem-vergonha na cara pediu aos amigos. "Cabrons! Me esperem. Daqui a pouco eu volto". Mal sabia que ele acabara de comprar sua passagem para o inferno...