terça-feira, 28 de outubro de 2008

Big Brother Piri

"Seguinte: o último a cair será o líder dessa merda e terá todas as regalias que quiser! E aí? Vão amarelar?". Não era bem um reality show. Tampouco Pedro Bial orientando um bando de gostosas siliconadas e bombados numa prova do líder do Big Brother Brasil. Era apenas um bêbado, desafiando outros três bêbados a continuarem bebendo até só restar um "sobrevivente". A essa altura já haviam ingerido algumas dezenas de litros da doce cerveja numa casa alugada em Pirenópolis, interior de Goiás. Casa essa que abrigou nove pessoas de Brasília por dois longos dias - fruto da falta do que fazer na capital do País (ou pelo menos das "mesmas coisas a se fazer sempre").

A maratona etílica começou por volta das 15h. Todos os "brothers" da casa bebiam uma cervejinha aqui, outra acolá. Mas o "quadrado mágico", como ficaram conhecidos os quatro beberrões, dominou isopor e freezer e não pararam um único minuto. Garrincha, um baixinho marrento que só ele, era o mais eufórico e apressadinho. Como diz um de seus amigos, "o cara sempre queima a largada", começando a beber cedo e rápido demais. O efeito disso, geralmente, é ser o primeiro a cair. Reinaldo, em seus tempos áureos, quando ainda saía com os amigos, tentava lata a lata seguir o ritmo do amigo. No retrovisor de ambos, Rivelino e Sócrates, mais experientes e resistentes nessa "arte", mantinham a irrisória diferença de uma latinha para os grandes "líderes".

Mas Garrincha, afeito a variedades, propôs ao amigo Reinaldo: "E aí... que tal um Hi-Fi?". A mistura de vodka com Fanta sempre seduziu essa dupla, que, em menos de 1 hora mandou goela abaixo 1 litro de Hi-Fi, fora as cervejas. Rivelino e Sócrates, sábios, preferiram não misturar e seguiram apenas na cevada. Assim, gole a gole e mijada a mijada, o "quadrado mágico" vê todos os outros "brothers" se retirarem para seus aposentos, pouco depois de meia-noite, "derrubados" pela bebida. E o "quadrado" lá, de pé, tomando cerveja ao som do saudoso Furacão 2000. "Eu só quero é ser feliz/Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é/E poder me orgulhar, e ter a consciência que o pobre tem seu lugar...". No talo! Atrapalhando toda a vizinhança a dormir. Inclusive Bianca, uma das "sisters", que se recusara a dormir em seu quarto, devido ao inchaço populacional de baratas no cômodo. Mesmo com toda sua delicadeza feminina, preferiu colocar um colchão surrado no meio da sala, onde os quatro beberrões gritavam, falavam merda, cantavam, deixavam cair cerveja e às vezes até eles mesmo... Um exemplo de coragem.

Pior para um outro "brother", o Abreu, um dos sujeitos mais serenos da cidade. Ele se retirou pouco antes de meia-noite, sob a justificativa feminina de "não estar se sentindo bem". No meio da madrugada, enqüanto dormia, foi surpreendido pelo menos cinco vezes pela invasão dos bêbabos em seu quarto. "Aêêêêêê.... montinhooooooo!!!!!". Pobre coitado. Foi a única vez que alguém testemunhou o pobre rapaz apelar com alguém. Isso porque, até hoje, ele agradece aos céus por não ter sido vítima de um plano maléfico de Garrincha, Reinaldo, Rivelino e Sócrates. Havia um galo, apelidado de Demolidor, no quintal da casa. Ele cantava como nenhum outro galo, o tempo inteiro. Até que alguém teve a saudável idéia de ir lá "caçar" o galináceo e jogá-lo emcima do Abreu. O problema é que os bêbados se guiavam pelo som do canto do galo. Não havia uma única luz no quintal. Nada se via. Para a sorte do pobre Abreu...

No auge dessa bagunça, Rivelino desafia os demais: "Seguinte: o último a cair será o líder dessa merda e terá todas as regalias que quiser! E aí? Vão amarelar?". Eles se entreolharam por alguns segundos, hesitaram, mas toparam o desafio. Garrincha mal se segurava em pé, mas com o mesmo empenho de Rocky Balboa ao ser desafiado por Apollo Creed, resistiu como nunca havia resistido. Cerveja vai, cerveja vem, funk vai, funk vem, e Garrincha é flagrado várias vezes "dando uma descansadinha". Bastava alguém engatar uma conversa que ele, jurando que ninguém estava vendo, fechava os olhos, burlando o regulamento da prova. "Garriiiiiiiiiiinchaaaaa!!!! Acoooooorda filho da puta!!!!!", era o grito que ecoava na sala a cada 20 minutos. "Calma, calma, tô zerado. Me dá mais uma cerva aí...", respondia na maior cara de pau o velho Garrincha, empenhado em pegar a liderança.

Três horas depois, totalizando 12 horas de bebedeira e NOVENTA E SEIS LATAS DE SKOL CONTABILIZADAS METICULOSAMENTE (fora o Hi-Fi e algumas garrafas num bar da cidade), ninguém mais se agüentava (foto dos destroços, ao lado). Eis que alguém sugere dar como empate técnico a prova do líder, além de uma menção honrosa para Garrincha. Ele sofreu como ninguém para ficar de pé. Sangrou até o último segundo. Tremia da cabeça aos pés e já não sabia quem era. Pela perseverança, os companheiros concederam a ele um título de hors concours. Depois dos aplausos, Garrincha dormiu sentado ali mesmo no sofá, até o amanhecer. Aliás, tentou dormir. Já que perto dele, no outro sofá, dormia uma verdadeira "Scania". "Puta que pariu..., eu nunca mais durmo perto do Rivelino. Ele não ronca, grita... não dormi porra nenhuma. Estou com uma ressaca nível 9", resmungou, em um comentário típico dele.

No day-after, o "quadrado mágico" pouco falava, pouco se movia. Apenas curtia a ressaca. Sócrates ainda contraiu uma faringite, seguida por uma forte febre. Garrincha e Reinaldo entraram no Hi-Fi de novo e ainda bateram o carro na volta para casa. E o Rivelino? Azarou todo mundo, pegou ninguém e passou o dia inteiro cagando. E nunca mais alguém quis viajar com o quarteto...

Sem mais para o momento

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Complexo de Abe Simpson

"Eu coloco meu celular para despertar, durmo 10 minutinhos e fico zerado. Eu preciso dar essa dormidinha antes de ir pra casa, se não já era...". Jarbas costumava justificar suas tradicionais sonecas das 4h da manhã, no acostamento da Ponte JK, no Lago Sul, dessa forma. Religiosamente, sempre que bebia e voltava tarde para casa, ele encostava sua caranga e tirava um belo cochilo. O celular despertava, ele acordava assustado e seguia seu rumo. Detalhe importante: sua casa não fica a mais de 2 quilômetros do ponto onde ele sempre dormia. Incrível como o bêbado conseguia rodar a cidade inteira sem dormir e a 2 quilômetros de casa, cerca de 3 minutos de "viagem", ele TINHA que dormir. Numa dessas, ignorou o despertador e decidiu dormir mais cinco minutinhos. Acordou todo desorientado, horas depois, com o sol fritando na cara.

Sentir sono após beber alguns drinks é uma conseqüência a que todos estão sujeitos. Fatal. Mas um sono incontrolável, daqueles que as pálpebras parecem pesar 80 quilos, são poucos os infelizes que têm de se confrontar com esse poderoso inimigo. Jarbas, o mesmo da ponte, já foi pego dormindo em pé, segurando um taco de sinuca. Segundo ele, a jogada estava demorando demais e ele resolveu dar uma descansadinha... Em outro episódio, Jarbas contava a um casal de amigos uma história sobre uma tal máquina fotográfica que ele tinha quebrado. Antes que terminasse o conto, caiu em um sono profundo. No meio da história... É o Complexo de Abe Simpson, aquele vovô simpático do desenho animado. Do nada, começa a dormir. Assim, sem mais nem menos...

O Jeremias, um amigo lá da Paraíba, também sofre desse mal, mas num estágio avançadíssimo da "doença". Já dormiu em tudo quanto é lugar. No trânsito, no sofá da casa dos outros, na mesa do bar, no banheiro, no chão... O cara é um verdadeiro fenômeno. Uma vez saiu para beber com dois amigos de trabalho na casa de um deles. Compraram três caixas de cerveja, fritaram umas lingüiças de frango e ficaram falando besteira até as 6h da manhã. O nível alcóolico do trio era de dar medo. Ainda assim, Jeremias, balançando de sono, insistiu em dirigir pra casa. Já a poucos metros de sua morada, pára o carro no balão para dar preferência a outro veículo. "Enquanto esse carro não passa vou fechar o olho um pouquinho para dar uma descansadinha aqui.". O bêbado teve essa brilhante idéia porque o outro carro estava a pelo menos uns 500 metros. Calculou que dava para cochilar uns 15 segundos. Mas "desmaiou". Só acordou com o buzinaço do ônibus escolar, parado atrás dele, querendo passar. Até hoje não sabe se a cochilada durou 15 segundos ou 1 hora.

O mesmo Jeremias entornou tudo quanto é bebida em uma formatura. Saiu de lá por volta das 4h e seguiu rumo ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek - o povo de Brasília tem essa bizarra tradição de ir para o aeroporto após todas as formaturas. Nunca entendi isso... Enfim. Todo mundo lá, ainda celebrando a formatura, falando alto, abraço pra lá, abraço pra cá e Jeremias sente uma incômoda explosão no estômago. "Amor, vou ao banheiro. Preciso cagar. Já volto, tá?". A namorada do sujeito pouco se importou e continuou celebrando. Jeremias seguiu rumo ao alívio. Uma hora depois, a turma sente falta da presença do Jeremias. Todos começam a procurá-lo pelo aeroporto. Mas nada. Nem vestígio. Até que sua namorada diz ter uma remota lembrança de que ele havia avisado que iria ao banheiro. Quando foram verificar, Jeremias estava dormindo, sentado no vaso, com as calças arriadas. Uma cena ridícula. Até foto tiraram.

Outro banheiro já serviu de dormitório para o sonolento Jeremias. Lá na Paraíba. Ele diz que nessa época não bebia metade do que bebe hoje, mas já sofria do Complexo de Abe Simpson. Saiu pra night, todo serelepe. Dançava frenético ao som do hit daqueles tempos: Rhythm of the Night, da Corona. Azarou todas as mulheres do ambiente. Abraçou até as gordas horrorosas. Parecia alguém recém-saído de Alcatraz. Atacando todo mundo. Uma das vítimas, se engraçou mais efusivamente para o lado dele e o convidou até o balcão para tomar um drink, uma espécie de "Moe Flamejante", "Carruagem de Fogo", algo parecido. "Aquela merda bateu no meu estômago e fui direto para o banheiro. Agachei para vomitar, mas não rolou...". Jeremias adormeceu lá mesmo, abraçado ao vaso. Muito tempo depois, acordou dentro da cabine, todo amarrotado, com as costas numa parede e os pés por cima do vaso, "empurrando" a outra parede. "Tentei vomitar. Não consegui. Acordei do nada, umas 5h45 da manhã, e ainda voltei a pé pra casa". Um herói.

Dormir nas mesas de bar é outra especialidade de Jeremias. Uma vez saiu de uma balada do pessoal do trabalho. Começou cedo da noite e terminou cedo também, por volta de 1h. "Vou tomar só mais umazinha e vou para casa", planejou ao sair da festa. Parou num bar perto de sua casa, sentou sozinho numa mesa e pediu uma cerva. O que aconteceu? Jeremias com a cabeça na mesa tirando aquele cochilo. Acordou meio sem graça, deixou o dinheiro da cerva sobre a mesa e tomou seu rumo.

Numa de suas inúmeras viagens brazilzão afora, adormeceu na boate. Fora visitar um primo que não via há muito tempo. Foi pra night com o parente. Entre um drink e outro, a pálpebra começa a pesar. Eles se sentam num sofázinho que havia por ali e continuam a papear. O primo anfitrião resolve ir ao banheiro e Jeremias fica a sua espera, sentado no sofá, com uma long neck nas mãos (quente). O cara começou a demorar. Provavelmente deve ter topado com alguma gostosa no meio do caminho e ficou azarando. Alguns bons minutos depois, retorna para encontrar Jeremias e vê a cena deprimente: um bêbado com a cara amassada, todo estirado no sofá, impedindo todo mundo de sentar. Virou a atração da noite. Até os turistas tiravam fotos "daquilo".

Com ele é assim: bebeu, dormiu. Os amigos precavidos nem saem apenas com ele. Sempre tem que ter alguém para "vigiá-lo", mantê-lo "alerta", enquanto o outro vai ao banheiro ou pegar uma cerveja. Uma vez, durante uma bebedeira, perguntaram para o Jeremias o que acontece com ele , por que ele é assim. A resposta veio rápida, precisa, mas sem final: "bebida comigo, em um certo estágio, passa repentinamente da euforia ao mais abissal dos sonos. Sem que eu me dê conta, eu... Zzzzzzzzzzzzzzzzzz....". Dormiu de novo...

Sem mais para o momento

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bêbado e um celular: uma relação explosiva

Depois que a tecnologia avançou e as teles puderam oferecer a telefonia móvel, surgiu um novo tipo de idiota social: o bêbado inconveniente sem noção. É o sujeito que após alguns drinks jura de pé junto que a ex-namorada está acordada às 4h da manhã, de olho no celular, à espera "daquela" mensagem exxxperta do cara que ela mesma deu um pé na bunda. Ou que um amigo, por algum motivo especial, se sentirá lisonjeado ao receber um telefonema de um (ou vários) bêbado, às 3h30 da madrugada, gritando palavras ininteligíveis. Pura e unicamente por esporte. Ou "filha-da-putagem" mesmo. Quem sabe a psicologia avançada possa explicar esse fenômeno social, né?

O fenômeno é tão comum que basta olhar no seu círculo de amizades para identificar pelo menos cinco bêbados que já fizeram merda com um celular na mão. O Ribamar, um baixinho gente boa, figurinha certa nos bares de Brasília, é o "Pelé das Mensagens Noturnas". Basta uma noite no bar para ele sair disparando suas cantadas baratas via Embratel. "Êta morena cheirosa. Pense num cara apaixonado por você. Pena que não me dá mole". Ou ainda: "Já te falei que você é a mulher da minha vida? O que eu faço para te ter, gata?". É daí pra pior. Ou, para os ex-casos, costuma dizer: "Não consigo viver sem você. Dói muito. Volta pra mim...". Detalhe: nunca lembra do que fez. Por isso, no dia seguinte, sempre dá aquela checada nas "mensagens enviadas" e "números discados" para "descobrir" as possíveis merdas que fizera na noitada anterior. Geralmente, o resultado é uma ressaca moral. E sem remédio.

Numa dessas, o Ribamar extrapolou. Foi para essas festas open bar. Encheu a rabiola de vodka e cerveja. Estava se achando o dono da situação. Eis que, então, rigorosamente às 6h24, saca o celular do bolso e começa a digitar: "Cara, eu simplesmente te amo: pra sempre e do tamanho do universo". Já estaria errado de qualquer jeito fazer isso nesse horário. Mas a merda era maior. Ele mandou para um amigO, que acordou assustado com o toque de mensagem de seu Nokia. Só teve uma reação: "que porra é essa?...". Pensou várias coisas: será que o Ribamar é gay? Ele estaria com problemas? Ou ele quis dizer, via Embratel, aquele tradicional discurso de bêbado para um amigo. Algo como "pô cara, eu te considero pra caralho. Tu é irmão. Mora aqui...".

Antes fosse isso. O cara confessou ter errado o destinatário. Percebeu o erro no momento que apertou o SEND, mas já era tarde. Não satisfeito, no minuto seguinte, encaminhou a mesma mensagem para sua cicatriz amorosa - que até então jurava não sentir mais nada. Depois dessa, confessou ser doente, viciado nas SMS noturnas. Um caminho sem volta... Já pensa até em sair de casa sem celular. Só para evitar a fadiga...

Pegadinha do Malandro
Outra categoria de idiota social que bebe e acha que todo mundo é legal é aquele bêbado que liga pra todo mundo de madrugada. Só para zoar mesmo. Mas, ao contrário dos "Don Juans" da madrugada, que agem sozinhos, esse bêbado age em grupo. No mínimo, em dupla. "Vamos ligar para o Fulaninho e mandar ele acordar?!". Pra quê, né? Mas quando se está bebum, tudo é engraçado. Até aquela gordinha horrorosa lá no fundo do boteco.

Nesses casos, quem está do outro lado da linha geralmente recebe a ligação com uma seqüência de improprérios. Ou simplesmente dá END. Mas quando o "crime" é planejado, daqueles perfeitos, que não deixam suspeitos, o resultado pode ser o mais inesperado possível.

Caso real:
- Bêbada arruaceira para um amigo arruaceiro, depois de já ter ligado para umas 15 pessoas: deixa eu ligar agora para um amigo seu que eu não conheço para passar uma cantada...
- Arruaceiro doido pra ver a merda:
pega aqui. Liga pra esse número e diz que você se chama.... Amanda. Deixe ele doidinho.

As pessoas que estavam ao redor viram aquilo e tiveram a mesma avaliação sobre a traquinagem de bêbado: "mas que filhos da puta...". E a ligação foi feita:

- Bêbada se passando por outra pessoa às 2h, com voz sensual: Oi lindo...
- Otário:
Ooiiii!
- Bêbada: É a Amanda, lembra de mim?
- Otário cara de pau: Lóooooooooooogico.
- Bêbada: onde é que você está?
- Otário, mentindo: estou numa festinha
(na verdade, estava num dos principais fronts da guerra noturna brasiliense, o heróico Roda do Chopp).
- Bêbada, com voz de atriz pornô: ah... que pena. Estou sozinha em casa e lembrei de você.
- Otário taradão: Ué... você quer que eu vá aí?
- Bêbada se segurando para não rir: adoraria... mas estou achando que você não sabe com quem está falando.
- Otário no limite extremo da virilidade: sei, sei.... como esqueceria?!

- Bêbada: onde é que eu moro, então?
- Otário de saias justas: aí você quer demais...
- Bêbada: sabia que você não ia se lembrar. No dia que ficamos você estava completamente embriagado
(essa tática é infalível para convencer os beberrões que fizeram merda).
- Otário: mas com certeza eu me lembrarei quando te ver.
- Bêbada: Então venha pra cá... o endereço é...
(omitido para preservar a identidade dos envolvidos).
- Otário: agora!!!

Tu, tu, tu, tu.... Dez minutos e 30 quilômetros depois, o taradão, ainda sem saber de quem se tratava, chega ao endereço indicado.

- Otário taradão: estou a caminho. Quando eu chegar, posso te ligar e você vai me receber na porta?
- Bêbada, já indicada ao Oscar: Lógico. Aproveita e traga uma cervejinha pra gente tomar...
- Otário meio desconfiado: Ahn... ahn... eh... tá, tá... vou levar.
- Bêbada sem vergonha: como você quer que eu esteja vestida para te receber?
- Otário incrédulo: hahahahahahahahaha.... pô cara... que isso. Sei lá... do jeito que você quiser...


Dez minutos depois, ele, na sua caranga, e jurando que ia se dar bem, liga novamente informando que está na porta, à espera de sua gatinha. Essa, por sua vez, vira para o seu comparsa e avisa: "agora é a sua vez de entrar em ação. Vai lá". O comparsa, tido entre seus companheiros de bar como um dos maiores filhos da puta vivo, vai até lá fora receber o seu amigão. "Rááááááááááááá, você caiu na pegadinha do Malandro!!!!".

Quando o sujeito, que saiu de um dos principais fronts de guerra de Brasília, achando que ia arrebentar, percebe que foi manipulado por um "amigo", sente uma vontade primitiva de arrancar os olhos do malandrão.

Nunca algo parecido tinha acontecido ali, entre eles. Bom mesmo seria se as operadoras pudessem oferecer como serviço um detector de cheiro de cachaça para poder cortar todo e qualquer tipo de função do aparelho. Ficar inutilizável. Enqüanto isso não é possível, fica a lição para o cara que largou o front de guerra rumo ao desconhecido, o babaca que planejou a "pegadinha" e todos que presenciaram o episódio: celular na mão de bêbado, só pode dar merda.

Sem mais para o momento

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tipos de bêbados

Da BBC Brasil

O governo britânico está lançando uma nova campanha contra o alcoolismo dirigida a nove 'tipos' mais comuns de usuários que abusam do álcool. A campanha será feita a partir de uma pesquisa do Departamento de Saúde da Inglaterra, que indicou as nove categorias mais comuns de bebedores. Elas incluem os que o fazem para aliviar estresse e pessoas deprimidas que bebem por tédio ou para se relacionar.

Para o governo, identificar as razões que levam usuários a abusar do álcool será "muito útil" para combater o alcoolismo. O estudo se debruçou sobre homens que bebem mais de 50 unidades semanais de álcool e mulheres que bebem pelo menos 35 unidades semanais - duas vezes acima do limite recomendado. Uma unidade de álcool equivale a um copo de cerveja ou vinho ou, alternativamente, meia dose de bebida destilada.

TIPOS
Entre os nove tipos identificados, estão, por exemplo, os que bebem para desestressar e relaxar, em meio a uma rotina de pressão no trabalho. Em outros casos, usuários abusam do álcool ao se perder em um estilo de vida agitado e por vezes extravagante.

As informações serão utilizadas pelo governo para orientar uma campanha contra o alcoolismo que deve atingir 4 mil bebedores contumazes no nordeste do país, em um projeto-piloto que, se bem sucedido nos próximos meses, será levado para o resto do país.

A secretária britânica de Saúde, Dawn Primarolo, admitiu que os bebedores incluídos nas nove categorias têm em comum um problema "difícil de combater". Mas ela disse acreditar que a nova abordagem será capaz de convencer os usuários a ser agentes da própria mudança. "Esta é uma abordagem totalmente nova de fazer as pessoas entenderem os efeitos de seus hábitos em relação à bebida e de ajudá-las a mudar para melhor."

Veja abaixo os nove tipos de bebedores identificados pela campanha.

Deprimido: Está com a vida em um estado de crise - atravessando um período de dificuldade financeira, luto ou divórcio recente, por exemplo.
Motivações: Vê o álcool como uma forma de se reconfortar ou como uma automedicação para ajudar a lidar com as turbulências.

Estressado: Leva uma vida sob pressão no trabalho, o que normalmente leva ao sentimento de não ter as coisas sob controle ou de estar sobrecarregado de responsabilidades.
Motivações: O álcool é uma forma de relaxar e de retomar a sensação de controle, ao traçar uma linha entre vida pessoal e profissional. Os parceiros normalmente reforçam este comportamento, ao preparar drinques para os bebedores.

'Social': Têm uma agenda social carregada.
Motivações: O álcool é um meio de ligação que unifica a todos e os coloca em uma mesma sintonia.

Conformista: Tipicamente, rapazes tradicionalistas que crêem que 'homens vão ao bar todas as noites'.
Motivações: O álcool faz parte do que definem como 'meu momento'. O bar é sua segunda casa, e eles se sentem aceitos e em casa neste ambiente.

Bebedor comunitário: Bebe em grandes grupos sociais.
Motivações: Levado ao álcool pelo senso de comunidade criado pelo ambiente do bar. A bebida dá segurança e significado à vida, e age como meio social.

Entediado: Tipicamente, mães solteiras ou mulheres recém-divorciadas, com vida social restrita.
Motivações: A bebida é uma companhia que substitui o casal. Beber marca o final do dia, talvez encerrando um jornada de obrigações.

Machão: Normalmente se sente subvalorizado, sem voz e frustrado em áreas importantes da vida.
Motivações: Seu lado bebedor é um alter-ego que gira em torno da sua capacidade de beber. A bebida é motivada pela necessidade constante de reafirmar sua masculinidade e seu status em relação a outras pessoas.


Hedonista: Solteiros, divorciados ou com filhos crescidos.
Motivações: Beber em excesso é uma forma de expressar sua independência, liberdade e juventude para si mesmo. O álcool é usado para diminuir inibições.

Quase dependente: Homens que moram 'de fato' no bar - que, para eles, é quase o mesmo que a casa.
Motivações: Uma combinação de motivos, incluindo tédio, necessidade de se conformar e um senso de mal-estar existencial em suas vidas.

NOTA DO TAVERNEIRO: Conheço bêbados de todos esses tipos. Eu me identifiquei como o "social". Afinal, só tenho bebido socialmente...né?

Sem mais para o momento

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A arte da guerra (noturna) - Parte II

"Pegar mulher bonita é fácil. Difícil é pegar as mulheres que eu pego"

(Gus S.T., General Reformado da
Guerra Noturna Brasiliense)