segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pense bem antes de pedir carona

Johnny e Benício nunca foram atores de ofício. Mas carregam um histórico de encenações pós-bebedeira dignas de Globo de Ouro ou até mesmo Oscar. A idéia é sempre tirar sarro da cara de alguém. A última vítima foi capturada na saída de uma festa produzida para um público freqüentador de um festival de cinema. Após muitas garrafas de cerveja, os dois seguiam completamente embriagados em direção ao carro. Do lado de fora da festa, um sujeito inquieto aborda os dois amigos e, educadamente, inicia uma longa conversa.

Caroneiro: amigão... desculpa a intromissão, mas vocês estão indo para o rumo da Asa Sul?
Johnny: estamos sim, por que?
Caroneiro: poxa amigão, pelo amor de Deus, será que vocês podem me dar uma carona? Eu perdi o meu carro aqui no estacionamento. Eu estou há 1 hora procurando, minha mulher não pára de me ligar...
Johnny, interrompendo bruscamente: você é casado?
Caroneiro: sou sim e ela está me ligando há um tempão para eu ir embora...
Johnny, agressivamente: você acha isso legal? Sair para a putaria com os amigos e deixar a esposa sozinha em casa até as 6h da manhã? Acha isso bonito?
Caroneiro: poxa cara, eu não queria ter vindo. Estava no festival com os amigos e eu acabei entrando na onda...
Benício: então me dá aqui sua chave que eu acho o seu carro. Eu estou (irrccc) sóbrio...
Caroneiro: não amigão, pelo amor de Deus. Eu não estou brincando. O carro sumiu. Eu tenho que ir embora. Deixa eu ir com vocês, de coração...

Pobre coitado. O cara devia mesmo estar em maus lençóis com a esposa, tamanho era o desespero do "amigão" para chegar em casa. Johnny e Benício aceitaram dar a carona. A partir do momento em que o caroneiro entrou no carro, começou a pior noite da vida daquele infeliz.

Benício, ao volante, comenta com cara de poucos amigos: porra, você é o maior empata-foda hein bicho. A gente ia direto para o motel ali no Banban. Agora vou ter que ir lá na baixa da égua e voltar.
Caroneiro: pô, desculpa aí cara... eu, eu...
Benício, fingindo estar puto: "desculpa" é foda, né? Melou todo nosso esquema.
Caroneiro, entrando em desespero: pô amigão, vocês deviam ter avisado antes. Eu pediria carona para outra pessoa.
Johnny: agora já era brother.
Benício: e agora bicho? como a gente faz?
Caroneiro, já com voz trêmula (de choro): ah não cara, por favor, eu preciso chegar em casa.
Benício: porra aí é foda. Então você espera no carro pra gente dar umazinha?
Caroneiro pensa alguns segundos e considera a questão: por quanto tempo?
Benício: ah.... uma hora, uma hora e meia...
Caroneiro no limite extremo do desespero: nãaaaaaaaaao amigão! Pelo amor de Deus! Então pára o carro aqui. Eu vou correndo.
Benício: então tu vai ter que participar, bicho...
Caroneiro: ô amigo, de coração. Me deixa aqui então. É sério...

Suor na testa, mãos geladas e cuzinho na mão. Enqüanto o motorista Benício fazia o terror psicológico com o pobre rapaz, Johnny, só fazia eco aquilo que Benício dizia. "É bicho... tu é foda. Que merda...". E o cara no banco tinha certeza que ele ia rodar naquela noite.

Benício: seguinte velho. Você vai ter que deixar pelo menos o dinheiro do gás. Dá vintão aí.
Caroneiro: poxa cara, de coração, eu não tenho mais nada. Sério mesmo...
Benício e Johnny se viram pra trás bruscamente e o primeiro pergunta de forma agressiva: tu acha que a gente é otário?!?!
Caroneiro: é sério caras, de coração. Olha aqui, não tenho nem meus documentos direito...
Johnny: foda viu... o cara vai pra putaria com os amigos, larga a esposa em casa, e ainda tenta fazer os outros de otário.
Caroneiro: poxa galera, me perdoe, de coração... vocês deviam ter avisado.
Benício: tu curte rapazes?
Caroneiro: pô...
Benício: curte ou não curte porra?!?!?!
Caroneiro: curto não cara, mas eu respeito
Benício: aaah tá. É bom respeitar mesmo...


A essa altura, o infeliz no banco de trás rezava baixindo, não levantava o olhar uma única vez e, certamente, devia estar sentindo o maior arrependimento de sua vida. O terror psicológico durou pouco mais de 20 minutos. Mas o suficiente para travar o esfíncter do pobre coitado a ponto de não passar nem pensamento. O caroneiro acabou deixando escapar uma gota de lágrima no canto do olho... Foi a pior noite de sua vida. Sofreu xingamentos por parte da mulher para ele ir embora logo. Recebeu lição de moral de um bêbado. Passou por um "estupro" psicológico da festa até sua casa. Em casa, ainda discutiu com a esposa, por ter chegado as 6h da manhã, sem o carro comprado com prestações a perder de vista. Mas o pior, foi no momento de descer do carro. Johnny foi carrasco. "Vaza logo meu irmão...". O infeliz não disse uma única palavra e desceu mansamente. Até que Benício soltou a derradeira. "Eu ainda como esse cuzinho...". Levantou a cabeça, saiu correndo e sumiu na escuridão. Naquela noite, ao menos lhe restou uma lição que jamais esquecerá: nunca pegue carona com estranhos. Podem ser dois psicóticos.

Sem mais para o momento

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Pensador do ano

"Um bom vinho pode ser tinto ou branco. Mas um bom cú tem sempre que ser rosé"


Elvis Brown, cafetão interpretado por Tiririca, no filme roteirizado (!!!!!!) pelo "poeta" Chorão

Sem mais para o momento

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mundo Souza

"O Souza é a minha segunda casa. O lugar é 24 horas, tem rango bom, cerveja sempre gelada e fica na minha rua. A gente tem que ir lá". Diante de uma propaganda como essa, "vendida" pelo anfitrião Briba Paraíba, não tive dúvidas. Seria lá, no SOUZA, que eu tomaria a saidera daquela sexta-feira chuvosa em São Paulo. Antes, pela primeira vez na nossa vida, a gente fechou um outro bar, o São Cristovão, na Vila Madá.

"Senhores, aqui está a conta. Sei que vocês não pediram, mas a gente precisa fechar tudo e ir pra casa dormir, pelo amor de Deus". Ainda arrancamos um chopp derradeiro do desesperado garçom, antes de deixar R$ 90 na mesa e seguir rumo ao famoso Souza, na "Pomps" (Pompéia), lá pelas 3h.

Já nas proximidades do boteco, o "marketeiro" Briba não cansava de mencionar o quão bacana era o recinto. "...(O Souza) é um lugar muito bom. Atendimento excelente, clientela tranqüila, preço bom, ambiente agradável...". Nem bem havia terminado de enumerar as qualidades do boteco, um som de muita água batendo no chão pôde ser ouvido. Era a "obra" de um jovem, que saíra correndo os 100m rasos do salão do bar até a calçada e vomitou até sua medula. "Bom... como eu estava dizendo e vocês podem reparar... é um lugar bacana, né?". O jovem, apoiado no poste em frente ao Souza, vomitava sem parar. Na última despejada do líquido viscoso, cor de abóbora, com cheiro de merda, o jovem mandou pra fora o que sobrara de sua medula. Finalizou gofando até sua alma. Coisa linda de Deus...

Esse foi só o cartão de visitas. O Mundo Souza é assim: vários manos falando sobre o último rap que tá rolando lá na periferia; um bando de lôco com a camisa do Curinthia cantando "Eu voltei, agora pra ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar..."; outros tantos manos "maloquêros" tomando uma Brahma e fumando seus cigarrinhos Hollywood (vermelho); mais alguns bêbados falando alto e gesticulando sobre o caminho mais curto entre a "Pomps" e a estação São Judas; duas minas horrorosas se pegando; um junkie "fungando" um certo pó branco na pia do banheiro; o chapeiro, suado como alguém que acabou de percorrer uma maratona, preparando uma carne de sol acebolada, com um cigarrinho no canto da boca; de avental e gel no cabelo, um garçom quebrando um copo propositadamente na frente dos clientes - só porque o mesmo já estava trincado; um careca gordo, podre de bêbado, dormindo sentado lá no canto; dois caras azarando a mesma gatinha... Há de tudo um pouco. Dá para passar a noite estudando o comportamento do ser humano (bêbado).

O melhor de tudo é que só lá, no Souza, você beber até chegar ao ponto de, as 6h da manhã, dar rolamento no meio da rua, de tão bêbado, por míseros R$ 23!!!!!! É por isso que adoramos bares assim.

Sem mais para o momento

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Beber, cair e não levantar...

O universitário é um espécime com predisposição a passar muito tempo no bar entre uma aula e outra e, principalmente, após as aulas (uma forma de "estágio" para se acostumar à rotina depois que estiver formado e empregado). Mais do que isso, ele é propenso a "passar da conta", ser um tipo "sem limites". O Cardoso, um sujeito falador que só ele, meio metido a político, costuma ser assim. Lá pelo meio da faculdade, conheceu três camaradas que ainda hoje dividem mesa de bar com ele. O quarteto matou aula e foi beber no falecido Aspargus, um bar bem almofadinha, que existia na Asa Norte. Mas, pela conveniência da proximidade da faculdade e da residência oficial de Cardoso, foi o bar escolhido para jogar conversa fora naquela noite.

Se hoje - após quase dez anos desse encontro - Cardoso ainda se mostra um iniciante na arte de beber, naquela época, então, ele não passava de um garoto de 12 anos. Bebia alguns goles e já ficava vesgo e embolava a língua. Mesmo assim, insistia em permanecer na mesa até fechar a conta. Foi numa dessas que, após 36 GARRAFAS de Skol - uma média de 5,4 litros de cerveja por cabeça -, Cardoso teve de sair "rebocado" pelo irmão até sua casa , babando e roncando. Pior: na hora de pagar a conta, ele deu um cheque. Dia seguinte, o gerente do Aspargus telefona para o menino: "Senhor Cardoso? Aqui é o Chico, gerente do Aspargus. O senhor poderia retornar aqui ao nosso bar, porque o cheque que deixou aqui ontem está ininteligível. Não dá para identificar o valor, nem a assinatura. É um rabisco só...". Cardoso, sem lembrar do fato de ter pago a conta com cheque, se dirigiu até o estabelecimento e, para a sua própria surpresa, nem mesmo ele fazia alguma idéia do que havia assinado no cheque. Rasgou e deu outro.

O Caio Júnior também já aprontou das suas quando estudante de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB). Hoje, um profissional renomado, é mais comedido. Naquela época, de segunda a sexta-feira, ele costumava sair pelo menos três vezes para tomar sua cervejinha com os hippies de boutique lá da UnB. Outra vez, já eufórico, falando alto, rindo de qualquer coisa e azarando todo mundo, propôs aquela saudável brincadeirinha do "vira-vira". Todo mundo tinha que virar seu copo de cerveja. Quem refugasse, deveria virar DOIS copos. Lá pelas tantas, Caio Júnior, já se sentindo o dono da situação, vai ao banheiro dar aquela mijadinha. Na ida, "flerta" com uma garrafa de cachaça na prateleira. Na volta, retorna com ela embaixo do braço. "Galera, o desafio agora é pra gente grande. Vira-vira com cachaçaaaaaa!!!". Como todos já estavam bêbados... ninguém hesitou. Pelo contrário. Bateram palmas. Lógico... ia dar merda.

Quando a noite estava de final e a conta parcial já estava na mesa, Caio Júnior olhou ao seu redor e reparou que todos estavam arrasados e desanimados. Mas ele achou que a vitória viria nos minutos finais quando Suzana e Ellen, duas amigas gostosas e solteiras que moravam juntas, pediram um favorzinho. "Cacá, meu amor... você leva a gente em casa, por favooooor...". Neste momento, ao mesmo tempo que veio à mente de Caio Júnior a música "We Are The Champions", do Queen, ele balançou a cabeça positivamente e soltou um sorrisinho sem-vergonha. "É hoje, moleque!!! Vai rolar um ménage à trois!!!".

Não rolou... bastou o cidadão dirigir por duas, três quadras que a marvada cachaça começou a agir sem piedade em seu organismo. O cara começou a enxergar quatro pistas, onde havia duas. Dois postes, onde não tinha nada. Até duende atravessando na faixa de pedestres ele disse ter visto. Chegou ao apartamento das gatinhas na raça. Visivelmente inválido, sem a menor condição de se manter acordado, as garotas insistiram para Caio Júnior subir. Lá emcima, apagou de vez. Suzana e Ellen ficaram assustadas com a situação, sem saber o que fazer com aquele moribundo se tremendo todo no sofá. Gélido, pálido e inconsciente.

- Amiga, a gente tem que fazer alguma coisa ou ele vai morrer aqui mesmo! Vamos colocá-lo embaixo do chuveiro...
- Mas... a gente vai tirar a roupa dele?
- Claro! Não tem problema. Sei da fama dele. As meninas disseram que ele tem pinto pequeno. É inofensivo. Bêbado então...
- Então tá... mas você segura ele. Vai que ele acorda e tenta comer a gente...
- Pode deixar. Esse aí eu já conheço a fama... Não vai dar conta.

Aconteceu o que uma das gatinhas pensou. Caio acordou no meio do banho, sem entender nada. O problema é que ficou só dois minutos acordado e apagou de novo. Peladão e se tremendo todo no chão. "Amiga, fodeu. A água gelada não vai resolver. Vamos levá-lo ao hospital imediatamente!". Correram para o pronto-socorro do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Já na entrada, foi atirado numa cadeira de rodas e empurrado até a enfermaria mais próxima. "Ora, ora, ora... mais um idiota que não sabe beber, hein... Tragam a glicose para essa veia mirrada aqui. Vamos ressuscitar esse jovem", receitou o Dr. Nick Riviera, médico de plantão naquela noite.

O tempo foi passando e a glicose correndo nos vasos sanguíneos do menino, cabeça a cabeça com as moléculas de álcool. Aos poucos, Caio Júnior recobrava sua consciência. Até que ele acordou sem entender nada. Olhou ao redor e, sem falar uma única palavra, levantou da cadeira de rodas e entrou no carro, à espera das amigas. VERGONHA era uma palavra que não dava para expressar o que ele sentia naquele momento. No caminho para casa, as 7h30 da manhã, pairava no carro um silêncio genesiano (aquele antes da criação do mundo). Ninguém falava nada. O jovem mancebo lembrou que teria prova de Teorias da Comunicação às 8h45. Fedendo a desgraça e com uma bigorna balançando na cabeça, arriscou a fazer o teste mesmo assim. Tirou 1,3 de 10 e foi reprovado no semestre.

Pior do que isso, só ter passado pela situação de duas mulheres ter dado banho nele e não se lembrar de nenhum segundo daquela situação. Perdeu o semestre, pegou ninguém, passou duas semanas de ressaca e ainda recebeu uma mensagem de uma das garotas após a prova: "A mulherada tinha razão. Você tem o pinto pequeno mesmo. Que (dupla) decepção. Francamente...".

Sem mais para o momento