quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Estado permanente de férias


Sem mais para o momento

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Tradições típicas de bêbados

Começa assim: uma roda de amigos bebendo sem parar até serem "expulsos" do boteco. No trajeto entre o recinto e o estacionamento, alguém tem a brilhante idéia: "E aí? Rolamento?". Segundos depois, todos estão no chão, sem saber exatamente o porquê. Tudo pura e unicamente para manter viva uma tradição de bêbados. Ou não. Mas, segundo a Alcoolpédia, reza uma lenda que essa tradição vem desde a Idade Média. Naquele tempo, os aldeões mandavam goela abaixo e noite adentro toda a cerveja estocada nas tavernas da região. "Taverneeeeeeeirooooooooooo! Cerveja para os homens, água para os cavalos". Algumas horas depois, estavam todos rolando no chão, felizes da vida.

Muitos leitores do Taverneiro, em todos os cantos do Brasil, já foram flagrados (e há provas materiais e testemunhais disso) mantendo essa tradição. Eu, por exemplo, sou um grande entusiasta desse saudável costume. Não lembro muito bem quando comecei a adotar a técnica post-bar, mas minhas lembranças mais remotas são de pelo menos dez anos atrás. O Testa é outro grande adepto. Não recusa um. Mas toda vez sai todo ralado. Ainda não é um "samurai" das ruas. Já o Paraíba costuma dar rolamentos em câmera lenta. Talvez por conta de sua avantajada pança, que "cresceu" 10 quilos em 9 meses. De pança igualmente sinuosa, o Gordo Souza faz diferente. Meio metido a dançarino, não só executa um rolamento perfeito, como já levanta dando saltinhos e batendo palminhas incentivadoras. Morales gosta tanto da coisa que até já fez o movimento até mesmo em casa de moças virgens - se bem que pareceu mais uma queda, seguida do movimento, do que um rolamento intencional.

Em linhas gerais, o rolamento nada mais é do que uma técnica empregada nas inúmeras artes marciais. A definição constante no dicionário diz que o sujeito executa um movimento circular com eixo no abdôme, se mantendo sobre as costas de maneira transversa... (???). Nada melhor do que citar alguns episódios para todos entenderem. O rolamento em dupla é o mais tradicional. Dia desses, Paraíba recebeu em casa um amigo de outra cidade. Beberam até não aguentar mais. No caminho para o carro se deparam com uma ladeira de 45 graus. Qualquer um pensaria: "vai dar merda". Mas os dois bebuns não hesitaram e mantiveram a tradição ladeira abaixo. Lógico que não parou no primeiro. Eles continuaram a rolar, a rolar e a rolar. Tem também o carreira solo. Muito raro, mas acontece quando o cara está muito bêbado e faz primeiro só para encorajar os demais. Ou quando na hora H alguém refuga. Tem também o rolamento coletivo. Esses são os mais assustadores. O maior de todos teve um elenco de cinco pudins de cachaça numa festa de estranhos, as 6h da manhã. O tiozão, dono da casa, já estava acordado, lendo seu jornal na varanda. De repente, observa a sua frente, no seu quintal, os últimos sobreviventes da farra. Todos perfilados, prontos para executar o movimento. "Vamos lá galera, no 'três' todo mundo dando rolamento". O último deles foi parar no pé no tiozão. Um outro quase caiu dentro da piscina.

Para esses tipo de bêbado, não tem tatame ruim. Pode ser na grama, no asfalto, na ladeira, na calçada, nos paralelepípedos, na sala de estar da casa alheia... O importante é manter a tradição. Por isso, para finalizar, segue um passo-a-passo para você aprender essa técnica que atravessa os séculos e, por que não, repassar para seus companheiros de copo esse saudável comportamento.

1 - Beba muitos litros de qualquer bebida alcóolica.
2 - Quando já estiver no grau, intime os demais bêbados a realizar o movimento. Pelo menos um deles não te deixará na mão. Afinal, brother é brother e filho da puta é filho da puta.
3 - Mantenha-se perfilado com os demais e conte até três.
4 - Atenção para a seqüência de movimentos: jogue o corpo para a frente com as mãos erguidas. Se você é destro, toque primeiramente a mão direita no solo, em seguida o antebraço, cotovelo e por fim o ombro (isso evita que você bata a cabeça no "tatame"). Se for canhoto, a idéia se mantém, mas toque a mão esquerda no solo. Dependendo do nível alcóolico, suas pernas se jogarão automaticamente (leis da física) por cima de seu corpo, completando um movimento perfeito. Pronto.
Você está apto a participar das tradicionais rodas de rolamento no meio da rua. Se é que não já o faz. Ou, pelo menos, segue uma outra tradição típica de bêbado. Né?

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A ÚLTIMA VALSA

Ronaldo era um sujeito boa praça, mas também um grandissíssimo filho da puta. Era do tipo que fazia amizades rapidamente e as cultivava como ninguém, embora gostasse de sacanear a molecada. Quando encarnava em um deles, não parava enquanto não tirasse a "vítima" do sério. Filho de Dona Inez, uma mãe dedicada, católica fervorosa, que dava de tudo do melhor para sua cria. Não lhe faltava nada. Era o xodó de Dona Inez, mesmo que ele não fosse o melhor filho do mundo. Pelo contrário, dava muito desgosto, na verdade. Botafoguense dos mais fanáticos, não perdia um jogo do seu time de coração, nem mesmo quando a peleja era contra o famigerado Madureira. Acompanhava atentamente as narrações de Luiz Penido, no seu radinho de pilha. Fã de Slayer, Pantera e Sepultura. Aos fins de semana, curtia uma cervejinha com os amigos nas festas. Mas nada que extrapolasse a ordem natural das coisas de quase todo homem recém-saído da adolescência.

Mas Ronaldo passou por uma mudança brusca em sua vida. Por isso, aos poucos, foi entrando de cabeça na cachaça. Cerveja? Já não fazia tanto efeito em seu organismo. Começou por bebidas baratas, como Catuaba Selvagem, 51, Presidente, Natasha... mas, claro, a cerveja sempre estava ao seu lado. Numa de suas estripulias pós-bebedeira detonou o Santana ano 88 de seu velho. Bêbado, fez um "gato" no meio da entrequadra comercial. O carro que descia na mão contrária chapou na porta do passageiro, onde estava um amigo de Ronaldo (igualmente bêbado). Após rodar no meio da pista, o jovem engatou a primeira marcha e fugiu, catando ainda a traseira de outros dois carros que estavam no estacionamento. Acelerou fundo até se "esconder" no estacionamento de uma quadra residencial, distante dali uns 3 quilômetros.

- E aí velho... será que alguém anotou a placa do meu carro?- Cara... foi tudo muito rápido. Mas é melhor a gente dar um tempo por aqui.- Foda que eu detonei outros dois carros que nada tinham a ver, né?- É... você está na mão do palhaço agora, amigo...
Meia hora depois, a dupla de bebuns retorna a mesma quadra onde ocorrera o acidente, com o mesmo Santana ano 88, todo fodido, e com a mesma cara de pau. Estacionaram nas redondezas e foram até um bar que havia naquela rua. Ronaldo, cínico que só ele, perguntou ao garçom depois de pedir uma dose de Dreher: "E aí chefe... soube que rolou uma batida sinistra aqui agora, né? Ninguém conseguiu anotar a placa do filho da puta?". O garçom, todo solícito, dissera que dois caras gigantes pegaram seus carros e saíram à caça do infrator. Mas voltaram sem sucesso. Alívio para Ronaldo e seu amigo bêbado, que, a essa altura, estava todo cagado de medo de serem reconhecidos.

Coisas do tipo se repetiram um sem número de vezes. Quem não conhecia Ronaldo de perto, se perguntava como aquele garoto se tornara um grande inconseqüente. Chegou ao fundo do poço. Bebia em tradicionais bares pés sujos da cidade. Sozinho, em pleno meio-dia. Café da manhã? Velho Barreiro com cigarros Hollywood. Almoço? Cerveja com mais cigarros Hollywood. Jantar? Conhaque Presidente com muitos cigarros Hollywood. Dia após dia. Essa era a rotina de Ronaldo. Chegou a raspar a cabeça com gilete. Mergulhou nas drogas. Maconha? Era como cigarros comuns. Fumava vários fininhos ao longo do dia. Vivia de "cabeça feita". Por várias vezes, amigos tiveram que buscá-lo no bar para levá-lo em casa.

Três meses antes de tudo isso, não fazia nem metade das besteiras que vinha fazendo. Aliás, não fazia nenhuma. Passou a fazer desde aquela festiva noite, onde era comemorada a formatura de um primo. Ele, que não era muito de dançar, foi tirado por Dona Inez para uma valsa. "Meu filho, dança com sua mãe pelo menos uma vez na sua vida?". Meio sem jeito, acabou aceitando para não deixar a mãe na mão. Ela o abraçou. Ele sorriu. Na metade da valsa, ela desmorona. Ronaldo ainda consegue evitar que sua mãe caia pra trás. Ele a segurou firme em seus braços, ajoelhou com ela em seu colo, e chorou a morte de sua mãe... ali mesmo, no meio do salão, diante de todos os convidados. Diagnóstico: enfarte fulminante. Nos braços do seu único filho que nunca havia dançado com a mãe. Desde então, nunca mais foi o mesmo. Passou a beber e a fumar como nunca. Raspou a cabeça com gilete. Bateu o Santana ano 88 de seu velho. Quase enlouqueceu. Buscou refúgio no fundo do copo de cachaça. Sem mãe, hoje sofre com uma cirrose...

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domingo, 7 de dezembro de 2008

É hora de rir na geral


EU TERIA UM DESGOSTO PROFUNDO SE FALTASSE O VASCO NO MUNDO...

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Velas e bolo para O Taverneiro

Bebedeiras, porres, esculhambações, putarias, polêmicas, carapuças, definições, crises, zoeira, filha-da-putagem, contos, revelações, ressacas, estripulias, sacanagem, cerveja, muita cerveja... De tudo isso teve um pouco nesse primeiro ano de "vida" do alcoolizado blog O Taverneiro, completado semana passada - dia 26 de novembro, para ser mais exato. Fato lembrado por Testinha, uma das principais "vítimas" desse espaço. "Porra cara! Você está de marcação comigo? Eu estou em quase todas as histórias!". Também pudera. Vive bêbado e fazendo merda!

E não é só o nobre bêbado Testinha que sempre passa por aqui. O melhor do Taverneiro é que aqueles que o lêem não "cansam" de fornecer pauta para ser contada aqui. O melhor é que sempre tem história boa pra botar na mesa. Algumas parecem até mentira, mas são todas completamente verídicas. Como o caso em que quatro guerreiros invadiram um casamento via nado. A prova está em "A arte da guerra (noturna). Muitos episódios ficaram imortalizados por aqui, como a folclórica noite do "Sete Otários e um Banheiro". Sem falar nas estripulias do menino-garoto em "Sampa City - A Cidade do Pecado". A pobre moça esquecida no escritório pelo bêbado que foi comprar camisinha também fez sucesso.

Não dá para deixar de fora a maior pegadinha de todos os tempos: a televisão de 29 polegadas da 105 FM. Melhor do que essa, só o cara que comprou gato por lebre e levou um traveco, ao invés de uma puta. Ainda no campo das putas, quem fez história também foi o Souza em "Dois Perdidos Numa Noite Suja". Medalha de prata, porque a medalha de ouro nesse quesito foi para "Morales - O Rei das Putas", uma das campeãs. Mas nada verdadeiramente mais idiota do que um menino, achando que é homem, comprar um cavalo num leilão, dando origem ao famoso conto "Um Pangaré Bom de Lance". O mesmo sujeito motivou a "análise" Um Pangaré Ruim de Roda. Ainda como análise, um conto que motivou vários debates foi Bêbado e um celular: uma relação explosiva. A transformação de um nerds em um dos maiores arruaceiros vivos dessa Brasila fez sucesso também. A auto-biográfica A Primeira Vez no Planeta dos Macacos foi uma das que despertou grande polêmica. A mais recente, Pense Bem Antes de Pedir Carona, chegou a receber questionamentos se, de fato, é verídica. Como já dito, repito: tudo aqui é absolutamente baseado em fatos reais.

Essas são algumas das muitas amostras do que um bêbado pode fazer. O bêbado é um espécime que sempre vai render história - seja feliz ou triste. Por isso, esse espaço continuará sendo atualizado por muito tempo. Se tiver paciência, sangue frio e estômago, escolha sua favorita entre essas.

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