quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Um carnaval para se esquecer

"Não interessa o grau alcóolico no qual você está inserido. Nunca, mas nunca pense com a cabeça de baixo, porque ela é egoísta...". Essa foi a lição que Astolfo tirou depois de uma noite de bagaceira solitária num inesquecível Carnaval em Belo Horizonte, onde já mora há dez anos. A tragicomédia começou por volta das 23h, quando, em pleno domingo de Carnaval, deixou a firma onde trabalha sete dias por semana, 12 horas por dia. Cansado e estressado, parou num de seus bares favoritos: A Taverna do Joe, um típico bar pé-sujo de esquina, mas com tratamento vip para os principais frequentadores. E Astolfo era um grande vip na Taverna do Joe. Mas antes de pedir um drink ligou para sua esposa Angélica, com quem já estava casado havia oito anos. "Amor, tô saindo do trabalho agora. Tô estressado pra caralho. Tô puto. Preciso encher a cara. Não espere por mim, tá? Devo chegar tarde".

"Habeas-corpus" em mãos, bebeu logo de cara oito garrafas de Original, sozinho no balcão do Joe, enquanto curtia ao fundo o som de Chico Science. Não satisfeito, foi parar em outro bar que figura em seu TOP 3 de botecos: O Madruga´s Drinks. Bebeu outras oito garrafas de Original numa mesa no fundo do bar, cochilou algumas vezes, acordou, bebeu mais, mais e mais. Resumindo: ficou bebadalhalhalhalhaço. Até que... "Estava arrasado, mas entraram umas putas pagas no bar e eu me animei rapidinho. Várias gostosas...várias!". Astolfo, achando que era o dono da situação, aproxima-se das "virgens" e começa a puxar papo, perguntando de onde elas vinham, pra onde elas iam e etc. "A gente estava lá na Devil´s Night Club, ali na outra rua. Está bastante animado lá... se é que você me entende". E lá se foi Astolfo, trôpego, mas todo animadinho. Seria só uma olhadela, nada de chutar o balde.

Cinco minutos de caminhada bastaram para chegar à entrada da Devil´s Night Club. Ingresso? R$ 80,00 só para sorrir. "Garoto! A casa fecha em 20 minutos. Mas você já entrou. Agora se fodeu!", avisou um dos gigantes que vigiava a entrada. Já na entrada, Astolfo foi abordado por duas gostosas, enquanto ao seu redor rolava a maior putaria. "Uma loira do tipo Luciana Vendramini e uma morena à lá Priscila do BBB me ofereceram pó e eu descartei imediatamente. Em 15 minutos elas tomaram dois Red Bulls e duas caipiroskas na minha conta. Eu estava bêbado, sozinho, de pau duro e ao mesmo tempo intimidado...", resumiu Astolfo. Rigorosamente às 4h da madrugada, conforme o gigante da porta havia avisado, as luzes se acendem, a música é interrompida e o gerente informa nos alto-falantes da casa. "Negada, tá na hora de vocês se resolverem. Quem comeu, comeu. Quem não comeu, vai passar 'fome', porque estamos fechando". Nessa hora, o genérico de "Priscila BBB" que bebeu na conta de Astolfo, encosta no ouvido do garotão e intima. "Vou te dar por 25 conto. Mas bora rápido!", disse já se levantando e puxando o bebum, que, rapidamente, fez um cálculo de cabeça e viu que compensava - visto que a média cobrada era de R$ 250 por uma trepadinha. "Eu estava bêbado e queria trepar, né bicho? Aí não pude evitar", justificou o taradão.

De pau duro e todo melado, o ingênuo trabalhador chega ao caixa e entrega uma nota de R$ 20 e outra de R$ 5, ansioso pela noite de luxúria. Mas a morena vira a tela do computador e mostra a conta real: R$ 302,19. "Que porra é essa?!?!?! Coloca logo uma arma na minha cabeça e diz que é um assalto, porra! Caralho! Caralho! Estou aqui há apenas 20 minutos e...". Antes que concluísse seu protesto, o gigante da portaria se aproxima e "delicadamente" questiona o porquê da alteração. Astolfo começa a gaguejar e se vê vítima de um grande golpe, no melhor estilo "Ice da Augusta" (não entendeu? então clique aqui). Para amenizar o golpe, a BBB fala baixinho ao ouvido do trouxa. "Escuta aqui. São trezentos paus você me comendo ou não. E aí? Vai querer relaxar ou não vai?". Astolfo, ainda meio cabreiro, acabou cedendo e acompanhou a gata até um dos quartos do puteiro. Durante o caminho, ele viu um grupo de amigos reclamando da mesma forma do preço da night com o segurança; dois moleques, acompanhados de dois tiozões, chupavam os peitos caídos de duas putas gordas; um velhote bêbado - que tinha toda a cara de ser cliente fiel do recinto - jogava sinuca com quatro gostosas só de calcinha. Como dá pra notar, a fauna do ambiente era riquíssima.

Dentro do quarto, Astolfo não parava de pensar na grande merda que havia se metido. Talvez por isso, ficou mais de dez minutos de pau mole. "Ela dançou pra mim e depois ficou pagando o boquete por mais de dez minutos. E nada de ficar duro. O foda foi quando subiu. Mirei, penetrei e rolou aquela coelhada. Não durou nem 30 segundos e gozei...". Terminada a transa relâmpago, a moça iniciou uma massagem no garotão. Melecou todo seu corpo com cremes de ervas aromáticas, enquanto contava uma cascata sobre uma apresentadora de programas infantis que namora um de seus clientes. O contratante chegou a cochilar por alguns momentos, mas a contratada estava frenética. Bastava Astolfo fechar os olhos e a moça caía de boca. Mas ele caiu na real e percebeu o quão tarde estava e deu um pulo da cama, já vestindo suas calças. "Fiquei fazendo contorcionismo na pia para tirar a porra do creme das costas. E ela lá na cama, peladona, com um sorrisinho safado no canto da boca...".

Assim que conseguiu retirar o grosso da melequeira de creme que ficara em suas costas, Astolfo bateu em retirada pra casa. No meio do caminho, por volta das 5h da madrugada, percebeu que estava todo encharcado, fedendo a sexo, perfume de puta e todo o tipo de desgraça. "Puta merda. Se eu chegar assim, Angélica vai me capar e ainda fazer eu engolir os restos", pensou o jovem. O que fazer numa situação como essa? Não ir pra casa, lógico. E lá se foi Astolfo, de volta para o... Madruga's Drinks!!!! "Entrei e fiquei lá pirando, com o maior peso na consciência. O pior é que somando o tempo que fiquei de pau mole, duro, a coelhada, mole de novo, mais boquetes e a massagem não se passaram nem 15 minutos...", lamentava-se, em desespero, o garanhão. Sentado ali, sozinho, cabisbaixo e pensamentos a mil, Astolfo observa três senhores bebendo e fumando mais do que o Velho do Rio, da novela Pantanal. É quando ele tem a brilhante idéia de sentar na mesa ao lado, para ficar fedendo a tabaco - e não a puta. Pediu até uma cerveja ao Lincoln, o garçom brother do Madruga's. Tomou umas três garrafas até as 6h da manhã. Na última, encheu um copo descartável, pagou a conta e saiu pela porta da frente. "Passei cerveja na camisa e no pescoço pra ficar fedendo a outra coisa", explicou.

O jovem chega em casa as 6h26, fedido, sujo, bêbado, com uma Coca-cola numa mão e uma garrafa de água na outra. Quando enfia a mão no bolso procurando suas chaves, percebe que elas não estão mais lá. Provavelmente ficou nos lençois da puta da Devil's. "Minha idéia era chegar e dormir na sala, porque daí eu podia dizer pra Angélica que cheguei e deitei no sofá. Aquele papinho de não querer incomodá-la e tal... nem pela hora, nem pelo meu estado alcóolico". A idéia foi-se por água abaixo. Astolfo teve que ligar para sua esposa para poder entrar. Quando ela abriu a porta, olhou pra ele de cima a baixo por eternos dez segundos e disse uma única e mortífera palavra: "nooooooossa...". Deu as costas, foi dormir e ficou uma semana sem falar com ele. Astolfo não poderia fazer diferente. Foi dormir no sofá. Depois disso, toda vez que o jovem vê algum amigo querendo aprontar, ele aconselha. "Não interessa o grau alcóolico no qual você está inserido. Nunca, mas nunca pense com a cabeça de baixo, porque ela é egoísta... Depois que ela se satisfaz, a cabeça de cima é quem te fode".

Sem mais para o momento

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Frase na reunião do AA


“Troque seu coração por um fígado, assim você se apaixona menos e bebe mais”


Sem mais para o momento

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O "amigão" da vez

“Caralho! Caralho! Caralho! Caralho! Meu pai vai me matar, cara! Caralho! Estou fodido. Muito fodido, bicho. Estou muito fodido mesmo! Puta merda! Estou fodido”. O desespero apocalíptico de Jônatas era justificável e tinha nome: o grande Jeremias, figura já apresentada por aqui no emblemático texto intitulado “Complexo de Abe Simpson (leia aqui)”. No início da corrente década, Jeremias ainda era um reles repórterzinho foca, com salário esmagado de R$ 1.200,00 (bruto), que devia durar 30 dias para o aluguel, gasolina, contas de luz, telefone, condomínio, comida... Mesmo assim, sempre sobrava um restinho para tomar uns drinks com seus convivas. Numa noitada com o amigo Jônatas, a farra acabou mal. “A gente foi naquele bar de maconheiro da 305 norte. Era só para tomarmos uma gelada, mas enchemos a rabiola e fomos parar na Happy News”, revelou Jeremias, referindo-se ao extinto reduto de playboys e barbies que havia no Píer 21.

Nessa filial de Beverly Hills em Brasília, Jeremias e Jônatas partiram pra guerra com a faca entre os dentes e sangue no olhar. Avistaram a primeira dupla de gatinhas dando mole e chegaram junto. Não demorou muito e Jônatas já estava “sintonizando o rádio” na loirinha e trocando salivas no canto do balcão. A amiga morena era uma gata, segundo Jeremias. Como se não bastasse essa qualidade, ela dava o maior mole para o comédia. Dançaram freneticamente e tudo mais. Mas sabe-se lá porque cargas d´agua o imbecil mentiu.

- Ei, eu lembro de você! Você é o Jeremias, né? Cara, eu estudei contigo na quarta série!!! É você mesmo! Nossa! Quanto tempo...
- Não, não.... você está me confundindo. Eu me chamo Alexandre.
- Nossa! Estudei com um garoto muuuuuito legal que era a sua cara...
- Não... eh.... ahn... eh.... na verdade, eu não sou Alexandre. Eu sou o Jeremias mesmo.
- Aaahhh cara, qualé? Tá me achando com cara de otária? Vai passear vai. Mané...

A “ratada” de Jeremias lhe custou o papel de “vela” durante o resto da noite. “Se eu tivesse admitido que era o Jeremias, tenho certeza que eu brilharia naquela noite”. Puto com a situação, Jeremias começou a entornar tequilas no balcão. Convidou Jônatas e sua gatinha a acompanhá-lo nos drinks. “Já que vocês vão se pegar a noite inteira, aceitem minha cortesia. Tomem tequila comigo. Eu pago”. Como o idiota já havia enchido a rabiola de cerveja, o efeito da tequila em seu organismo foi multiplicado por mil. “Fiquei remoendo a tequila no bucho encostado no balcão, enquanto eles dançavam serelepes na pista. Não sei se tinha pesado mais a burrice da tequila ou de azarar a gatinha com nome trocado”, lamentou Jeremias.

Lá pelas tantas, Jônatas, com o “bichão” em riste, chama Jeremias no canto e avisa discretamente. “A mulher está quicando e eu quero ejacular. Vou levá-la para o Motel Colorado”. Jeremias, numa situação complicada, sugere ir dirigindo o carro do amigo até o bar de maconheiros da 305 norte, onde havia deixado o seu carro. “Eu dirijo seu carro e você curte as preliminares no banco de trás com ela. De lá, eu desço e você manda ver”. E lá se foram. Jeremias como o chofer e Jônatas metendo a mão na loira em tudo quanto é lugar, no banco de trás. Dez minutos depois de trajeto, próximo de um viaduto, Jeremias, um ás no volante quando sóbrio, dá uma cochiladinha e o Escort prata, ano 99 do pai do amigo, foi de encontro ao meio fio. Por muito pouco não desceram o barranco. O casal seminu no banco de trás foi parar no porta-luvas. O carro ficou destruído. Empenou tudo, amassou as rodas e comprometeu toda a suspensão. Jeremias não sabia onde enfiar a cara. “Sabe aqueles barulhos de carroça? Era um barulho muito louco, constrangedor”.

Ao se dar conta do estrago, Jônatas era um misto de indignação e pânico. “Caralho! Caralho! Caralho! Caralho! Meu pai vai me matar, cara! Caralho! Estou fodido. Muito fodido, bicho. Estou muito fodido mesmo! Puta merda! Estou fodido”. Jônatas repetia isso sem parar. Só mudou o discurso quando perguntou ao gente boa que havia detonado seu carro como aquilo foi acontecer. Na maior cara de pau, ele inventou na hora uma história ridícula. Para o casal "Brasileirinhas", Jeremias disse ter se animado com a sacanagem deles no banco de atrás e ficou olhando no retrovisor. "A putaria estava forte e acabei perdendo a concentração. Melhor do que dizer que tirei um inocente cochilinho, né?", comentou comigo o jovem soneca.
Ainda em estado de choque, Jônatas pediu para que o carro fosse levado até o posto mais próximo. Lá chegando, Jeremias, o mestre da cara de pau, fingia que estava tudo bem, mesmo ao reparar as rodas totalmente empenadas, com o carro fazendo um barulho de carroça. "Ah... isso a gente dá um jeito". O bêbado cara de pau ajoelhou no asfalto, abraçou o pneu com toda sua força e tentava empurrá-lo pra dentro. "Estava pior do que a Torre de Pisa. Constrangimento total". Jônatas se emputeceu com aquela cena e convidou Jeremias a ser levado para casa. A foda dele já tinha ido por terra mesmo...

No dia seguinte, Jeremias acorda com uma ressaca nível 10 - numa escala onde o zero é "soninho de bebê" e o 10 é "estado pré-coma". Pega um gatorade na geladeira, sua caneta, bloquinho e crachá e vai pra labuta. A pauta do dia não poderia ser pior: "audiência pública para discutir regularização dos quiosques de Brasília". No percurso até a pauta, no carro do jornal, junto com motorista e fotógrafo, Jeremias parecia um boneco de posto, de tanto que balançava a cabeça. Não aguentou cinco minutos de trajeto e vomitou até sua medula. Detalhe: janelas fechadas. "Foi puro gatorade de tangerina. Ficou aquele cheiro de desgraça no carro durante semanas".

O motora gente boa apelidou o reportezinho foca de "vomitão". Ninguém mais o chamava de Jeremias. No dia do pagamento, dos R$ 1200 (sem os descontos) de salário, o iluminado teve de subtrair R$ 800 para pagar as despesas do carro que bateu. Já a amizade entre Jônatas e Jeremias ficou pra sempre abalada. Seis anos já se passaram da "inocente cochiladinha" e eles nunca mais saíram juntos. A única vez que se viram foi num amigo oculto, quando, por ironia do destino, Jônatas tirou Jeremias e deu de presente um reles porta-retrato. Hoje, Jônatas está casado e eliminou todo e qualquer contato com Jeremias. Este se mudou para outra cidade, ficou careca, 12 quilos mais gordo e bebe como nunca. E, claro, continua tirando seus cochilinhos inocentes por aí...

Sem mais para o momento