segunda-feira, 29 de junho de 2009

This is Sparta!

Setor Comercial Sul, Brasília, 5h54 de uma fria madrugada de outono. Embriagado depois de muitas cervejas quentes no Calaf, um dos principais fronts de guerra do Planalto Central, Leônidas protagoniza um momento épico ao lado de alguns de seus companheiros. Mas antes de entrar em detalhes, conheçamos Leônidas. Trata-se de um legítimo guerreiro espartano nos campos da guerra noturna. Não existe mulher feia para ele. Existem mulheres. Apenas isso. E todas devem ser avaliadas - se possível, abatidas. Já traçou velhas gordas, jovens mukissas, guardadoras de carro, ambulantes... enfim, o cara tem um vasto repertório.

Naquela noite, ele havia se juntado a um exército de 300 mukisseiros rumo ao Calaf. Local bacana, música boa, cerveja (nem sempre) gelada e algumas gatas misturadas com barangas. Objetivo, não perde muito tempo gastando vocabulário com as mais gatinhas. Por fatores óbvios, são as mais difíceis. Por isso, sua meta, geralmente, são as horrorosas. É tiro certo. Afinal, mulher feia não pode ficar selecionando muito. Mas naquela noite, Leônidas não estava com a pontaria muito boa. Levou a primeira queda logo no início da noite. A segunda veio meia hora depois. A terceira, já embriagado, não demorou nem 30 segundos. "Puta merda. Que fase! Agora é questão de honra. Não vou pra casa sem antes brilhar nesta noite", prometeu Leônidas ao seu general, o Caiado, outro que não vê tempo ruim em nada nessa vida. Carrega medalhas em sua farda pelas suas "conquistas" em fronts como o Roda do Chopp, Café Cancun e no extinto Otello. Naquela noite, nem mesmo Caiado conquistou algum terreno. Mas eles não desistem fácil.

Dispostos a manter a média, deixaram os campos minados do Calaf e seguiram com os 300 para uma parada mais ácida: o Setor Comercial Sul e Setor de Diversões Sul. A base era o Conic, tradicional reduto das figuras mais bizarras do quadrilátero federativo incrustrado em Goiás. De lá, atacavam em duplas nas redondezas, até mesmo nos postos de gasolina. "Hoje, se eu não pegar ninguém, vou pagar uma puta", dizia, cheio da razão, Leônidas. E o que ele esperava encontrar ali as 4h da manhã? Só virgens? Não foi bem assim... Já na primeira abordagem, antes mesmo que pudesse falar alguma coisa, um ser de minissaia e bota cano longo abre logo o jogo: "São R$ 30, meu bem. Mas eu sou boneca, viu? Você aguenta?". Leônidas olhou para Caiado e não hesitou: "Liga o turbo dessa lata velha. Vamos vazar daqui".

Poucos metros adiante, eles param ao lado de Deise, uma morena que não era "boneca". Em compensação, era o diabo... Devia pesar uns 80 quilos. Era baixinha, corcunda, pernas flácidas e peitos caídos para a lateral. Mas Leônidas, como legítimo espartano, é do tipo que não se importa com o preço da banana. Ele quer é ver o macaco feliz. "E aí meu amor, vamos transar?", disse o bruto. "Meu amor, o relax é R$ 30 no carro". Leônidas continuou a flertar a "gatinha" por intermináveis dez minutos. Queria faturar de graça. Mas Caiado não estava com muita paciência e acelerou o carro, para frustração de Leônidas. "Porra Caiado, já estava quase beijando a gata! Tu é o maior empata-foda hein!". Caiado deu de ombros e parou no posto de gasolina, onde havia uma loja de conveniência. Fez duas ou três ligações e combinou com os 300 para se encontrarem ali e tomar umas geladas. Meia hora depois, a turma estava reunida e contando as histórias de mais uma noite sem muitos terrenos conquistados. Eis que surge entre as árvores aquela figura estranha que tocou o coração de Leônidas. Era Deise. Sozinha e cabisbaixa, mas cheia de amor pra dá. "Olha lá Caiado. Olha quem está ali! É a minha gata. Agora ela não me escapa".

Para a estratégia dar certo dessa vez, Leônidas foi um guerreiro mais diplomático. Chegou com uma cerveja na mão e um cigarro na outra. "Aceita um drink, gata?". Deise abriu um sorrisinho sem vergonha e ainda perguntou se o safado tinha "fogo". Mesmo com a cara de safada, Deise tentou se fazer de difícil para Leônidas. "Eu não vou sair com você. Ali embaixo, agora há pouco, você me largou lá, porque não quis me pagar trintinha!". Ao ouvir isso, o mercador Leônidas foi firme e ofereceu módicos R$ 10 para eles transarem rapidinho. "Vamos encarar os fatos, vai... já são 5h da manhã e você não vai conseguir mais nada hoje. Eu quero transar e você quer ganhar. Dezão?", argumentou. O problema é que ela não tinha ambiente. Ele não tinha carro. E Caiado não estava disposto a liberar seu Fiat 147 para os dois ficarem nus no seu banco. Solução? ATRÁS DAS ÁRVORES (!!!!) do postinho. Caiado e companhia não acreditaram na cena. Tentaram interceptar, mas já era tarde. À distância, podiam observar Leônidas com a mão no rabo da gorda, que permaneceu de costas para ele o tempo todo, com a saia levantada, subindo e descendo. "Puta que pariu! O que esse moleque está fazendo?! Agora ele passou dos limites. Não dá pra acreditar...", repetia inconformado o Caiado.

Já com o "garotão" em riste e encapotado por uma Jontex, Leônidas tira a calcinha de Deise e se depara com a pior situação que já tinha vivido até ali. Prova disso foi seu depoimento numa mesa de bar, semanas depois, aos amigos. "Nunca tinha sentido aquilo... Era um cheiro de desgraça mesmo. Não sei nem comparar aquele fedor. Parecia que tinha um rato morto dentro da mulher...", confessou o guerreiro, com olhar distante. Voltando aquela noite: Leônidas virou a cara de lado, prendeu a respiração, fechou os olhos e, assim como seu homônimo do filme "300", gritou: "This is Spartaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa", bradou, para delírio dos 300, que observavam tudo no posto de gasolina. Dez minutos depois, largou a princesa e voltou para o posto. Levinho...

O relógio já marcava 5h54 da madrugada de sexta-feira. Após o coito com Deise, Leônidas fumava seu cigarrinho e tomava uma saidera com os amigos no mesmo posto que serviu de camarote para sua performance. O silêncio reinava entre o grupo, até que o safado resolve quebrar o gelo com uma confissão desnecessária, dispersando todo o exército. "A cabeça do meu pau está pra fora até agora, porque, não sei se vocês sabem, mas eu tenho fimose...". Ninguém deu uma palavra. Apenas levantaram, entraram nos carros e foram embora. Abalados...

Sem mais para o momento

terça-feira, 2 de junho de 2009

CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ

O sujeito embriagado, sabe-se, além de forte, rico, piloto e bonito, torna-se burro. Não basta mexer com a mulher dos outros. Tem que mexer, caçoar ou desrespeitar os tiras também. Conheço um cara que já PEIDOU na cara de um policial militar. Sim! PEIDOU! Foi o Assunção. Um gordinho com cara de gringo que, quando descobriu as benesses do álcool, deixou de ser um nerds-jogador-de-RPG para ser um nerds-bêbado-inconsequente. Ele estava na companhia de Manoel, Domingos e Osório. Os quatro seguiam num Ford Pampa 1983 pela 504 sul, na W2 Sul, numa velocidade média de 70km/h, numa via onde a velocidade permitida é de 40km/h. Uma viatura da polícia militar que passava por ali fechou o carro. Os quatro espertões tiveram que descer para serem revistados. Na abordagem tradicionalmente truculenta de policiais militares, Manoel, um dos bêbados, já desceu dizendo: "Calma, calma, calma! Nós somos estudantes"... Hum. E daí, né? Ele achou que estava certinho...

Enfim. Todos os quatro na parede levavam baculejo, quando o mais esquentadinho dos tiras começa a falar alto e bater forte nos bolsos e pernas dos jovens. Enquanto isso, seu parceiro observava à distância com a arma em punho. Ao chegar no gordinho Assunção, a tragédia... Quando o Cabo Maia agachou para revistar as pernas, o gordo, muito nervoso, não se aguentou e soltou o maior dos peidos na cara do policial, que se jogou pra trás boquiaberto. "Tenente! Esse gordo peidou na minha cara?! Que porra é essa?!?!". O próprio Tenente não aguentou e começou a rir, enquanto os outros três amigos já ensaiavam um choro, porque sabiam que depois daquela merda estavam fodidos. Mas só Assunção levou a pior. O Cabo Maia, completamente desconcertado, reagiu com um belo tapa de mão aberta na orelha/cara do gordo, que caiu como uma jaca. No final da noite, achando que estava arrebentando, consultou seus amigos: "E aí caras, vocês viram o peido que eu dei na cara do PM? Arrebentei, né?". Os caras nunca mais saíram com Assunção...

Tão burro quanto o gordo peidão foi Madson, um camarada de 1,50m que já bateu seu carro umas 34 vezes. Em todas estava errado. Como da vez em que fugiu dos tiras de uma cidade do interior goiano. Ele estava ao lado de Ronaldo, um gordinho-hipertenso-marrento-esquentadinho. Os dois bebiam num sítio com os amigos desde cedo, quando lá pelas 21h a gelada e os cigarros acabaram. "Ronaldo, levanta esse traseiro gordo dessa piscina aí e vamos lá comigo comprar mais cerva e cigarro pra gurizada". Ronaldo boiava na piscina, mesmo com o cair da noite. Chacoalhou a pança e mesmo com a bermuda toda molhada entrou no carro, para desespero de Madson. "Agora já era. Fica na sua e vamos nessa, seu anão...".

Foram até a cidade, distante uns 5 quilômetros do sítio, compraram mais quatro caixas de cerva e oito maços de Carlton. Na volta, havia uma blitz da Polícia Municipal na entrada da cidade. "Puta merda. Fodeu Ronaldo! Vou fugir", pensou sabiamente o anão, que enfiou sua caranga numa estrada de terra sem iluminação. Lógico, aquilo chamou a atenção dos tiras, que ligaram a sirene e iniciaram a perseguição de 30 segundos... "Desce do carro, seu merda! Desce do carro de mão pra cima", ordenou o guardinha municipal. "Tu fugiu por que seu merda?! Tu tá maluco?!", continuava a gritar o cana, com a arma em punho. "Calma cara, não precisa disso. Eu fugi porque eu tinha bebido e lá em Brasília a gente não pode dirigir depois de beber". É mole? Madson tem quase 30 anos e ainda consegue soltar uma dessas. "Tu é burro ô playboy de merda?! Não é só em Brasília não! Isso é uma lei federal. FE-DE-RAL! Fui claro agora?", tentou ensinar o policial.

"Quero os dois aqui na frente do carro com mão pra cima e caladinhos". Ronaldo ainda estava com a bermuda toda molhada durante a revista. O soldado Iram estranhou. "Que porra é essa moleque? Tu tá mijado?". Silêncio... "Tu tá mijado porra?!". Silêncio... Cansado de ser ignorado por Ronaldo, Iram pegou o cacetete como forma de intimidar o cidadão. Aí o gordinho-esquentadinho explodiu. "Porra! Decide! Vcê manda eu ficar calado, e depois fica perguntando merda... como posso responder e ficar calado ao mesmo tempo?". Assim como o Cabo Maia - aquele que ficou boquiaberto após "comer" peido do Assunção - , o soldado Iram ficou parado, imóvel, pensando no que dizer. A única reação foi uma saraivada nas costelas de Ronaldo com seu cacetete. "Pra você aprender a me respeitar, seu merdinha". Madson, assustado, tentou contornar a situação. "Não senhor policial, é que ele estava na piscina de roupa e...". Antes que concluísse, o soldado Iram o interrompeu bruscamente. "Cala a boca anão! Eu não mandei tu ficar caladinho?! Não perguntei se você estava mijado, perguntei ao seu namoradinho aqui". E os dois lá ficaram, por quase uma hora, tomando esporro de um soldadozinho do interior.

No final das contas, depois da lição de moral, Madson e Iram retornaram ao sítio abalados e silenciosos. Ainda tiveram que ouvir reclamações e zoações de todos os amigos, porque deixaram a cerveja esquentar. Indignado, Ronaldo disse uma última frase para o amigo Madson. "Você é o segundo cara mais burro que eu conheço. Amanhã vou comprar um Código de Trânsito Brasileiro pra você estudar. Idiota...".



Sem mais para o momento