quarta-feira, 24 de março de 2010

Alexandre, O Grande - Parte I

Existem os bêbados comuns e os profissionais. O comum é aquele que senta no bar, enche a cara até ficar com a "boca fofa", conta piadas bestas, morre de rir delas e vai embora. E existem os profissionais. Esses são do tipo que "bebeu fez merda" ou "bebeu tem história para a posteridade". Alexandre não é um bêbado comum. Não mesmo. Ele é profissional, dos melhores da área. É "O Grande Bêbado". É do tipo que, só para divertir a gurizada na mesa, já comeu um Louva-Deus vivo. "Tem gosto de camarão com terra", classificou. No dia seguinte, além de não se lembrar de absolutamente nada, ainda retirava pedaços "crocantes" entre os dentes.

Certa vez, ao lado de três camaradas e quatro "cocotas", celebrava a folia de Momo na casa de um deles, o Dirceu. Era sexta-feira de carnaval. Portanto, haveria, no mínimo, quatro dias de farra pela frente. Todos bebiam as cervejas, vodkas, ices, cachaças e até a tenebrosa Catuaba Selvagem de forma ávida e descompromissada com o amanhã. Por volta das 5h da madrugada, Dona Lourdes, mãe de Dirceu, que já conhecia de tempos atrás o potencial destrutivo de Alexandre e companhia, aproxima-se do grupo e fala para o filho de modo que todos pudessem ouvir: "Dirceu, meu filho. Não vai dar para essa festa continuar até amanhã. Os vizinhos já estão reclamando, eu não consigo dormir, vocês já beberam demais e....". E por aí foi.

Sem ter para onde ir e ainda com muita bebida estocada, a gangue, incluindo Dirceu, sentou-se na padaria da quadra e todos comeram um nutritivo café da manhã. "E agora Alexandre? Ainda são 6h30 do sábado de carnaval! Pra onde vamos? O que vamos fazer com tanta bebida gelada?", questionou Jussara, uma ninfeta "ótema" de 19 aninhos, que deixava Alexandre, de 30, maluco - e qualquer outro marmanjo também. "É Alexandre! A gente não pode parar, se não a gente vai chapar aqui mesmo", completou Dany, outra ninfeta de 19, igualmente gostosa. O nosso herói pensou por alguns instantes e vislumbrou um feriadão inesquecível na casa de um outro amigo, o Deco, que mora sozinho num belo condomínio nos arredores de Sobradinho. "Tive uma ideia. Vamos todos pra casa do Deco", decretou Alexandre, mesmo sabendo que o amigo havia viajado para o Rio de Janeiro.

E lá se foram os quatro camaradas e as quatro cocotas para a casa de Deco. "Bicho, será que o Deco não vai ficar puto com a gente?", questionou um preocupado Dirceu. "Que nada. O cara é brother. Ele vai entender", respondeu confiante Alexandre. No trajeto até a "mansão" de Deco, que conta com piscina, ofurô, quintal gramado e churrasqueira, nosso herói telefona para Obina, um "chaveiro de confiança", que, prontamente, se comprometeu a encontrá-los no local da putaria. Chegando lá, Obina abre sua caixa de ferramentas e começa a trabalhar nas fechaduras da residência de Deco. Vinte minutos depois, as portas da perdição se abrem e todos entram correndo e saltitando. "São 65 reais, patrão". Alexandre deu R$ 100. "Toma aí. Guarda o troco e mantenha o bico fechado", ordenou o "patrão" Alexandre.

Daí em diante foi só alegria. Som bombando, sol rachando, carne no espeto, cerveja no freezer horizontal da casa do "brother" Deco e as lindas garotas de cueca (!!!) no ofurô. Isso mesmo. Elas não queriam molhar a única calcinha que carregavam e tomaram "emprestado" cuecas do Deco que estavam penduradas no varal. Alexandre ficou pagando de reizinho o resto do sábado e do domingo também! Todos dormiram por lá mesmo. Na rede, no sofá, na única cama, no chão... não dormiam, dormiam, acordavam de novo e o que aconteceu nesse íntere todo, qualquer um pode imaginar.

Quem não gostou da "quermesse" animadinha foi o Seu Lourival, vizinho de muro de Deco. Do alto de sua varanda, que dava para ver absolutamente tudo que se passa no quintal de Deco, Seu Lourival, um senhor de 72 anos, observava atentamente à suruba no vizinho. Não demorou muito e logo havia uma queixa na Delegacia de Polícia da cidade. "Perturbação da ordem com a promoção de evento regado a bebidas e drogas e corrupção de menores". Seu Lourival viu as cocotas e pensou ser todas menores de idade. Não tardou para uma viatura policial tocar a campainha. "Fo-deu", disse Dirceu. Alexandre chamou a responsabilidade. "Que nada. Deixa comigo que eu resolvo. Fiquem todos aqui". O bonitão foi até a porta e recebeu os policiais.


- Pois não, amigos. Posso ajudá-los?
- Certamente que sim. Recebemos uma denúncia de que estaria acontecendo uma festa com menores de idade e drogas por aqui.
- Acho que deve ter havido um engano. Como você pode ver, somos quatro casais de namorados tomando nossa cervejinha de carnaval e curtindo uma música, que nem está alta.

O policial esticou o pescoço sobre o ombro de Alexandre e reparou que os "badernistas" pareciam mesmo comportados e o som estava em volume aceitável para um sábado à tarde.



- Tudo bem. Mas vamos ficar de olho. Nunca se sabe...
- Fiquem à vontade. Se quiserem entrar para conferir, faço questão.
- Não será preciso. Desculpe o transtorno.
- Eu é que peço desculpas por tudo isso. Sabe como são os vizinhos hoje em dia, né?


O profissional do álcool conseguiu se livrar dos policiais temporariamente. Por duas horas, eles ficaram dando voltas na quadra, para mostrar serviço ao vizinho denunciante. Mas - naquele dia - não deu em nada.

Veio a segunda-feira e Alexandre recebe um telefonema do amigo Léo.
- E aí moleque doido, só diboresti (de boa)?
- Estou aqui meio de ressaca com a galera na casa do Deco.
- Ué. Mas ele não está viajando?
- Calma.... depois eu explico. O que tá pegando?
- Porra! Estamos aqui na chácara da minha vó em Alexânia. Casa só pra gente. A rapaziada tá vindo. Anima?
- Espere a gente ao cair da tarde.
- Beleza. Pode chamar a galera que está aí contigo. Quanto mais gente melhor.
- Formô.


Nosso herói e sua trupe arrumaram mal e porcamente a casa do brother Deco e partiram rumo a Alexânia, distante uns 100 quilômetros de Brasília. Antes, parada no posto de gasolina do Colorado para abastecer e comprar mais cerveja. Lá eles encontram Ezequiel, um camarada que eles viram umas três vezes na vida. Ele havia passado a noite de domingo no Pamonhas & Batatas, o maior front de guerra noturna em Sobradinho. "E aí rapaziada. Pra onde vocês estão indo?", perguntou Ezequiel segurando uma garrafinha de Gatorade. "Estamos indo pra Alexânia. Tem coragem?", provocou Dirceu. O gatorade-boy, sem falar uma palavra, trancou o seu carro e apenas sentou no banco de trás do carro de Dirceu. E lá se foram para Alexânia. Dois carros, nove pessoas e uma "casa invadida" deixada pra trás. Claro que ia dar merda...


CONTINUA...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Como se vingar de um bêbado sem noção de forma mais sem noção ainda

Quem enche a rabiola de cerveja sabe que é preciso ter um banheiro por perto ou, no mínimo, uma árvore para dar aquela mijada de tempos em tempos. Roger que o diga. Em uma viagem com o pessoal da faculdade à Salvador, foi para uma festa à fantasia no centro da cidade com toda a rapaziada. Lugar do tipo inferninho à céu aberto. Entupido de gente. Propício para a guerra nossa de cada dia (ou noite). Roger já havia mandado goela abaixo 14 latinhas de Skol (temperatura ambiente, como na maioria das festas) e cinco copos de vodka com energético. Aquela altura já havia levado sete foras e agarrado três gordas, suas vítimas favoritas. Mas mijar que é bom, nada.

Eis que o "Homem-Esponja" vira para o amigo e convoca: "Roberto, vamos procurar um banheiro comigo, bicho. Tá foda aqui. Quase mijando nas calças". O amigo bêbado, fantasiado de COQUEIRO (!!!), não se comoveu com o desespero do seu camarada. "Ah! Fala sério! Mija em qualquer lugar mesmo!". Roger deu uma volta por ali perto, procurando algum canto para se aliviar. Até que retornou ao ponto de partida e viu um "COQUEIRO" dançando no mesmo lugar. "Opa! Uma árvore, vou mijar ali mesmo". A "árvore" era Roberto fantasiado de coqueiro, que, quando sentiu o "quentinho" escorrendo pela perna, deu um pulo pra trás ainda meio sem acreditar no que estava acontecendo. "Que porra é essa Roger?! Tá maluco???". Balançando que nem um João Bobo, o mijão olha para o amigo e responde com um sorriso cínico. "Ffffffoi mal.... você di.. (irc)... disse pra eu miiijiar (irc) em qualquer lugar.... e vozê tá de coque.. (irc)... coqueiro. Se não tem banheiro, vai uma árvore mesmo".

O Coqueiro bêbado acabou entrando na brincadeira e sugeriu que Roger terminasse o xixi na perna de outro amigo, o Ricardo, que estava logo atrás dele. Ricardo não levou tão na boa quanto o coqueiro Roberto. Apelou e tudo mais. Mas Roberto foi colocar panos quentes no estresse do amigo. "Relaxa, cara. A gente vai se vingar dele. Confie em mim". Trato é trato. E vingança é um prato que todos sabem como se come. Né?

A festa seguiu. Roberto e Ricardo foram na frente. Eles estavam no mesmo quarto que Roger - o mijão - e um japa nerd da faculdade. Este não era muito chegado dos caras. Foi colocado no quarto como sobra. Caiu de paraquedas. O quarto tinha duas beliches, onde dormiam Roger na parte de baixo de uma e o "Coqueiro" na parte de cima. Na outra, ficavam Ricardo emcima e o japa nerd embaixo, que, naquela altura já dormia há muito tempo. "Eu vou comer alguma coisa antes de deitar. Quando eu voltar, você vai ver o que vou fazer com esse bêbado". Ricardo comeu sanduíches, ovos fritos, batatas e tudo o que tinha direito, com o objetivo de empurrar ao máximo o bolo fecal formado em seu interior nos últimos cinco dias. De volta ao quarto, ficou segurando o sono o quanto pôde. Ele queria estar acordado quando Roger chegasse.

O mijão entrou no quarto por volta das 5h30 daquela madrugada de terça-feira. Ficou só de cueca e caiu "morto" na cama. Quando Roger começou a roncar, Ricardo pensou que a hora da verdade havia chegado. Cuidadosamente, prostrou-se de cócoras em cima do amigo, de modo que o esfíncter estivesse alinhado com o centro do tórax do companheiro de beliche. Concentrou-se, apertou o bucho e fez força. O resultado do esforço foi um colossal cocozão marrom despejado sobre o peito de Roger. Ricardo nem se limpou. Tratou de pular rápido para o beliche de cima e fingir que estava dormindo.

Não demorou nem mesmo um minuto para Roger acordar com o mau cheiro. Meio atordoado, meio dormindo, ele abriu os olhos sem entender de onde vinha o futum. Até que ele liga o abajour e enxerga um belo montinho de bosta sobre seu peito. "Queeeeeem foi o filho da puta que cagou no meu peito? Inteiro!!!". Ricardo e Roberto não conseguiam parar de rir. Roberto, que tinha apelado com a mijada em sua perna, riu tanto que não se segurou e fez xixi nas calças, de modo que o caldinho escorreu para a beliche de baixo, pingando bem emcima do japa nerd. Ele acordou com as risadas e o "quentinho" na cama e ligou a luz. Quando viu Roger todo cagado e o xixi escorrendo da cama de cima, não pôde controlar a repulsa. Deu aquela vomitada no chão do quarto. Cocô + xixi + vômito. Era o próprio quarto do pânico.


Enquanto todos riam - exceto o japa nerd - Roger ameaçou. "Se não tirarem essa merda de cima de mim, eu juro que jogo no ventilador do teto". Não demorou nem 15 segundos e a merda já estava devidamente limpa. Só a merda. O xixi e o vômito ficaram por lá até a arrumadeira chegar no outro dia. É assim o prato da vingança. Frio, fedido, pastoso e marrom. Mas todos seguem grandes amigos até hoje...


Sem mais para o momento