segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O encantador de cavalos

- Como assim você tinha um "Meu Querido Pônei?!?!?!?!"
A indagação já não seria tão normal se fosse direcionada a uma mulher - visto que boa parte delas já teve tal brinquedo. Mas ela foi feita a Vasconcelos. Sujeito gente fina demais, mas que pecou ao errar nas suas escolhas quando menino. Vasconcelos era (no passado mesmo) nos anos 90 o tipo do sujeito que bastava uma rápida olhadela para encaixá-lo num estereótipo. O cara era do rock n´ roll. Não dava para dizer outra coisa. Cabelos compridos, cavanhaque, casaco de flanela no estilo xadrez, como a turma do grunge, coturno, e, na mão direita, quatro anéis, cada um com uma letra, formando a palavra O-Z-Z-Y (a voz do Black Sabbath). Ah! Alternava seu tempo como guitarrista de uma banda autoral chamada Building Spirits e outra cover do Alice in Chains. De fato, o caro era do rock.


Ainda em meados de 2000 o sujeito se transforma completamente (calma, ele não virou gay). Cabelos sempre muito bem aparados, barba sempre feita, roupinha de vovô, faculdade de Direito e vocabulário rebuscado, cheio de formalidades - até mesmo com os amigos mais próximos. Virou o tipo de cara que vira para um amigaço de longa data e diz: "Fulano, será que você poderia, por favor, me emprestar seu isqueiro? Poxa que bom cara. Fico muito feliz..." Porra! Francamente, né? Que tipo de AMIGO vira pra você e pede um isqueiro ao melhor estilo inglesinho herdeiro do trono da rainha??!?! Amigo que é amigo vira para o outro e pede: "Ô mané, joga o isqueiro aí". PONTO. Nem obrigado se fala, porque é obrigação do amigo fazer isso sem esperar um obrigado em troca (amizade de homem é assim e prometo, em breve, explicar direitinho isso em um texto por aqui).


Sem mais digressões, voltemos para o ponto da questão. Em um tempo anterior a essa mudança de personalidade, estavam vários amigos, dos tempos de escola, refrescando a goela com a doce cerveja no tradicional Armazém do Mineiro, na Asa Norte. Entre uma cerveja e outra servida religiosamente pelo "Seu Paulo - o eterno garçom do butikim", os amigos divagam sobre "n" assuntos. Um deles, tomou rumos mais polêmicos: "brinquedos e diversões de infância". Todo mundo já pautou uma mesa redonda no bar sobre esse tema. Mais de uma vez, inclusive.

O Gordinho lembrou que "fabricava" potentes armas caseiras, enquanto a molecada do prédio só tinha as tradicionais zarabatanas (cano de antena, um ferrinho e um abacate). O Bactéria se orgulhava ao dizer que tinha todos os Comandos em Ação. Bertoldo gritava ao lembrar das colossais formações que conseguia com suas peças de Lego. Na acalorada e animada discussão, veio o Vasconcelos, ainda do rock n´roll, e confessou em meio as várias vozes se cruzando: "Eu tinha um Pequeno Pônei...", admitiu com o olhar distante e nostálgico. TODOS pararam de falar por três segundos e arregalaram os olhos. Até que um deles quebrou o silêncio: "Como assim você tinha um "Meu Pequeno Pônei?!?!?!? Que porra é essa moleque?!?!?! Tá errado!!!!".

Vasconcelos não entendia o espanto dos companheiros de copo e insistia em perguntar qual era o problema daquilo. Quando todos achavam que nada podia ser pior do que desgraçada confissão, ele emenda em uma explicação sobre como brincava com aquele objeto "exclusivo para meninas de saiotes e trancinhas": "Eu vivia cortando a crina dele achando que iria crescer de novo. Eu era muito burro...". Contou, jurando que ali era o dono da situação. Todos se entreolharam mais uma vez, pediram a conta e foram embora. Moral da história: as aparências enganam.


Sem mais para o momento...

8 comentários:

Anônimo disse...

Pequeno Pônei é demais pra mim!
Sem mais para o momento...

Paulinho Mesquita disse...

Caralho... acho que nem minha irmã teve um pequeno pônei...

Ederson Marques disse...

po, eu jogava botão, tampinha, bola... brincava de Comandos em Ação, pique-porrada, carniça, zarabatana... que infãncia foi essa de brincar de Meu Pequeno Pônei??? Putz!!! Vai ver foi por isso que deixou o rock de lado e virou advogado almofadinha... hahaha

Anônimo disse...

Lembro como se fosse hj. Fiquei sem palavras na hora. Daí o gordinho soltou um daqueles seus berros peculiares "Q pooorra é essa mlk?!" Foi umas das maiores decepções da minha vida...

Bruna K Marques disse...

Que momento!
Eles voltaram agora com toda força.
Será que ele guarda um?
beijos

Unknown disse...

Putz...
pequeno pônei é foda!!! Como o cara fala uma coisa dessas...

Anônimo disse...

Que a imprensa é sensacionalista, todos sabemos. Relembremos a verdade:

Todos brincando e comentando as alegrias da infância...

Vítima: "Gente, na minha infância, uma das coisas mais legais foi quando eu visitei um hotel-fazenda. Me deixaram andar num pequeno pônei!"

Algoz: "Caralho, muleke, IRC!, tu tinha um meu querido pônei?!"

Vítima: "Não, eu disse que..." - Algoz: "Sua bicha imunda!!! IRC! Galera, saca só, ele tinha um meu querido pônei!!!"

Comoção geral.

Algoz: "E tu alizava o BURRRP! cabelo dele?"

Vítima: "Cara, você não entendeu nada do que eu..." - Algoz: "Eu IRC! sabia!! Galera, galera, ele ainda alisava o meu querido pônei!!!"

Histeria coletiva.

Anônimo disse...

hahahahahahahahaha

caro vasconcelos, vc sabe q a historia nào foi essa! eu tava lá! hahaha

leandro, a recordação do querido onion merece relato tb. hahaha