segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A arte da guerra (noturna)

Quando a pauta é a "guerra noturna" não tem "Vietnã" que desanime o bom soldado. Seja em um forrózão na "baixa da égua" ou em uma festa de bacanas com tudo liberado, o combatente de carteirinha encara qualquer uma das batalhas do mesmo jeito: com sangue no olhar e esperança no coração. Entre mortos e feridos, o saldo tende a ser positivo se a estratégia for bem traçada dentro do pelotão - que, de preferência, não seja constituído por mais do que quatro soldados.

Mas até mesmo quando o exército é de um homem só, a conquista de territórios pode ser vitoriosa. São os legítimos kamikazes. Eles podem deixar um front de guerra dos mais fartos do outro lado da fronteira e arriscar a vida em outros territórios. Mesmo às cegas, sem saber o que encontrará pela frente - em breve, um capítulo especial sobre esse tipo de militar da putaria. Tem recruta que prefere atacar de dupla. A tática funciona quando um distrai a amiga gorda e horroroooosa, enquanto o outro ataca a amiga bonita. Essa estratégia costuma ser infalível. Mas é preciso ter um parceiro patriota ao extremo para sair vencedor. Até Sun Tzu aprovaria esse método. Afinal, ao lado de todo soldado há um grande herói...

Mas a "guerra", é importante destacar, não necessariamente tem que haver "conquista" dos corações das gatas. Destruição também faz parte. Por que não? Por vezes, o guerreiro tem como objetivo único se embriagar e destruir tudo, sem almejar objetivos específicos. Pegar alguém dependeria apenas de uma boa oportunidade e de uma certo índice de sangue no álcool. O que ficou conhecido como a "Tomada de Três Ranchos" é um exemplo típico de batalha assim. Três heróicos guerreiros invadem um casamento de estranhos. Detalhe: via aquática... Sim. Os caras deram uma de penetra num baita casamento, utilizando-se de táticas militares. Uma versão alcóolica do Dia-D da Segunda Guerra Mundial, quando tropas anglo-saxãs invadiram as praias da Normandia para libertar a França dos nazistas. Nesse caso, a libertação era da fissura em encher a cara de uísque, vodka, champagne e cerveja. Apenas isso e nada mais.

A PREPARAÇÃO
A estratégia começou a ser desenhada na noite anterior. O pelotão formado por quatro veteranos do Exército da putaria brasiliense fazia um reconhecimento da night de Três Ranchos, interior de Goiás. Lá pelas tantas, conhecem um DJ. Papo vai, papo vem, o disc-jóquei comunica que na noite seguinte vai dar som num puta casamento, numa mansão da cidade. "O problema é que precisa de convite. Mas apareçam lá na porta. De repente, vocês convencem os seguranças a entrar...". Ele não esperava que os caras realmente fossem aparecer. Tampouco da forma como fizeram.

DIA-D
Na noite seguinte, antes de voltar para seus aposentos, depois de um longo dia de cachaçada, o pelotão passa em frente ao local do casamento para reconhecer o território. Muros de 4 metros de altura, cães por todos os lados, seguranças com equipamentos de espionagem, forte esquema de conferência dos convites... "Fo-deu. Vai ser foda entrar aí...", pensou um dos arruaceiros. Acabaram voltando para a pousada onde estavam.

Um deles, meio "amarelão", não deu muito crédito à intenção de seus pares em bancar os penetras bons de bico. Foi o primeiro a entrar no chuveiro (pela demora, deve ter aproveitado para bater "umazinha"). Do lado de fora, os outros três combinavam uma forma de invadir o casamento. Analisaram a distância entre a pousada e o evento, além do posicionamento geográfico. "Via terrestre não dá. Tem muito segurança. Aérea também não. Só tem um jeito. Vamos nadando!!!" Um grande lago separava os dois pontos. É como se o local onde eles estavam fosse o Pier 21 e o casamento no Pontão do Lago Sul. "Amarelão??!?! Anda logo com esse banho aí. Prepare suas coisas, porque vamos aquele casamento agora!".

Quando o combatente saiu do banho não acreditou no que viu. Dois amigos de sunga, toca de nado e óculos de mergulho. Ao lado deles, uma grande sacola cheia de roupas e toalha. Apenas um deles estava vestido. Não adequadamente para um casamento, é verdade, mas estava. Calça jeans, tênis e camiseta pólo. Certinho... Era esse que seria o "pescador" da canoa que eles arranjaram na vizinhança. Os outros dois usariam táticas anfíbias para chegar ao destino. Nadariam ao lado da canoa até o outro lado da margem. Um braço apoiando na embarcação e o outro servindo de remo. O Amarelão não topou. Não acreditava que aquilo poderia dar certo. Mas lá se foram os três guerreiros invadir territórios.

Meia hora de nado e cinco paradas depois, a operação quase foi abortada. Lá da pista de dança, o DJ avista uma canoa no meio da escuridão do lago e aponta um dos holofotes diretamente para aquele "vulto" estranho. "Finge que está pescando! Finge que está pescando! Rápido!!!". De camisa pólo e calça jeans, o falso pescador usou o remo como vara de pesca. Detalhe: com a pá do remo pra cima... Certinho... Alguns segundos depois, o DJ voltou o holofote para a pista de dança e os guerreiros puderam continuar a operação. Ao chegar às margens, esconderam a canoa nos arbustos e vestiram as roupas. Entraram tranqüilamente no evento e foram rapidamente conversar com o DJ. "Não acredito! Vocês vieram mesmo!!! Mas como é possível?!", perguntou incrédulo o disc-jóquei. "Lembra quando você jogou luz na nossa cara lá no meio do lago? Pois é... viemos nadando. Agora diz logo o nome dos noivos e quem são eles!".

Os três guerreiros se divertiram até não aguentar mais. Quando alguém perguntava de quem eles eram convidados, analisavam se a pergunta partia da família do noivo ou da noiva. Se do noivo, diziam que eram amigos antigos da noiva. E vice-versa. Do outro lado do lago, o Amarelão, que não encarou a "Tomada de Três Ranchos", passou a noite se perguntando. "Ou esses arruaceiros realmente conseguiram invadir o casamento ou morreram afogados...". Não só conseguiram como encheram a cara e a pança. Um deles, chegou a vomitar. O outro foi inventar de dançar funk e se estatelou no chão. Teve que ser "rebocado". Era a hora de retirar as tropas. Só que dessa vez, pelo portão da frente.

De volta ao QG deles, acordaram o Amarelão a socos, montinhos e gritaria. Contaram toda a saga e deixaram o companheiro com um arrependimento amargo. "Vocês conseguiram... Pelo amor de Deus... quando a gente chegar em Brasília, diz pra todo mundo que eu também fui. Por favor!". Eles não pegaram ninguém. Nem o Amarelão. Mas pelo menos os três combatentes ficaram para a eternidade nas galerias da guerra noturna. Já o Amarelão... se alojou nas trincheiras da covardia e ficou só na "mão".

Sem mais para o momento

12 comentários:

Anônimo disse...

É como vc disse na introdução do post: Com sangue no olhar e esperança no coração!

Sem mais para o momento...

Unknown disse...

Tô fudido...

Anônimo disse...

É nois na guerra!!!!! Vida loca!!!!

Anônimo disse...

Nas imortais palavras do Sr. Burns: " Exxxcelente".

Kibeleza de Rapaz disse...

Olá, eu sou o Kibe.
Muito bem contada essa história.
Eu presenciei essa empreitada toda, pois estava junto aos guerreiros, não, não sou o amarelão, somente um companheiro de batalha que não pode ir para missão de campo pois o General(noiva) não deixou. Este conto é veridico e muito bem relatado. Parabéns!
Até mais.

El Pedroca disse...

Faço das palavras do Kibe as minhas!!!

Foi muito bom mesmo esse dia! AHAHAHAHAH

O troféu ainda está em exposição no meu armário!!!

Paulinho Mesquita disse...

Caralho... simplesmente, caralho!

Bruna K Marques disse...

Caracas... eu convivo com essas pessoas!
É demais!
hahahahahahahahahahaahhhaha

Anônimo disse...

Inacreditável!!!!!!

Anônimo disse...

Ao contrário de alguns caras "amarelos", não costumo fugir da raia! Me chamem pra próxima batalha!!!
Hahahahahahaahahaha!!

Anônimo disse...

o anônimo aí sou eu! Xau!

Anônimo disse...

Tenho muito orgulho de ter participado dessa batalha, foi uma das ms bem executadas de todos tempos e só n foi perfeita pq estávamos com fardas iadequadas para a ocasião. De toda a experiência vivida naquele dia acho que a mais me marcou foi qnd o noivo (já muito bêbado) veio em nossa direção e se juntou ao nosso pelotão perguntando: "Vcs são convidados de quem?". Nós nos olhamos e pensamos "Fudeu tudo agora." Foi aí que um lembrou o nome da noiva e falou: "Da Cândida". Foram Segundos apreensivos até que o noivo sorriu e pediu um cigarro com se ja fossemos conhecidos de longa data. Depois desse momento percebemos que tinhamos conquistado o território de vez.

Soldado Guilherme na ativa e pronto pra próxima.