quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Alexandre, o Grande - Final

Uma hora e 15 minutos após deixar "Brasíla", a turminha chega em Alexânia (GO). Casa grande, três quartos, varanda, gramado, piscina e um córrego no fundo do quintal. Já devidamente acomodados, além de Léo, estavam outros três casais de namorados – sendo que um deles estava "grávido" – e algumas garotas expertaxxx. Praticamente um Big Brother, com direito a edredon e tudo mais. Um monte de gente amontoado no mesmo quarto e sala. Cerveja, cachaça, vodka e "coisas legais" saíam a rodo o dia inteiro.

Cai a noite e cada um tenta se acomodar em algum canto. Ezequiel (o gatorade-boy), que bebia havia três dias e noites seguidas foi o primeiro a capotar. Na calada da madrugada, quando todos estavam quase dormindo, ele acordou subitamente com a bexiga do tamanho de uma bola. Naquele quarto escuro e no limite extremo de segurar o xixi, saiu pisando naqueles que dormiam nos colchões no chão. Foi apalpando a parede, tentando encontrar a porta. Quando Alexandre ouviu aquela barulheira, acordou e tentou acender a luz. Mas antes que pudesse fazê-lo ouviu aquele barulho característico de líquido batendo no chão. Era ele, Ezequiel, pagando um mijão ali mesmo na parede do quarto. “Moleque! Tá maluco?! Vai pro banheiro porra! Vai ficar uma mer...”, antes que pudesse terminar a frase, viu Ezequiel, com o pinto na mão e ainda urinando, virar-se, no reflexo, para os amigos que dormiam no chão, causando aquele aguaceiro amarelado sobre os demais. Mas, dizem, ele conseguiu cortar a vazão do líquido úrico e correu para o banheiro.

De pau na mão – e gotejando -, saiu correndo pela casa e foi dar de cara na porta logo em frente ao quarto em que estava. “Achei o banheiro!”, pensou. Não era o banheiro. Era a porta do quarto do casal grávido. “Abra a porta, pelo amor de Deus!!!”, suplicou, esmurrando a porta com uma mão e apertando seu membro com a outra. Amanda, a grávida, levantou-se assustada para atender a porta. Mas ao girar a maçaneta, Ezequiel não suportou a pressão e, na porta mesmo, ainda fechada, deu a maior mijada da sua vida, daquelas que você inclina a cabeça para trás e solta um aliviado “aaaahhhhhhhhhh.... ooohhhh gooooood!”. Quando terminou, Amanda abriu a porta para ver o que estava acontecendo e não segurou a onda. Como é comum às grávidas, sentiu enjôo - nojo, eu diria - daquela amarelada na porta e chão de seu quarto. Vomitou instantaneamente todo o seu jantar sobre aquele líquido amarelo.

Alheio à situação, Ezequiel deu aquela balançadinha, guardou sua “criança” e, praticamente um bêbado inválido, voltou para a sua cama. Quem limpou a sujeira toda? O “babaca” do Juninho, namorado de Amanda. Já Ezequiel acordou só no outro dia, por volta das 10h da manhã. “E aí galera? Que cara de enterro é essa? Vou pegar uma cervejinha pra gente tomar café da manhã”. O “hóspede do barulho” não se lembrava da merda que havia feito na madrugada, tamanho o estado de embriaguez.

Não havia mais clima para continuar por ali. Alexandre juntou sua trupe e pegou a estrada de volta para Brasília, na segunda-feira de carnaval. Chegando à capital federal, largou Ezequiel no mesmo posto que o encontrou, onde o “gatorade-boy” deixara seu carro durante todo o fim de semana. Depois disso, Alexandre lembrou de Deco, o dono da casa “invadida” por ele e seus companheiros. “Não me deixem esquecer de ligar para o Deco, beleza?”.

Depois de deixar as cocotas em casa, sobraram apenas Alexandre e Dirceu. Dispostos a aproveitar o carnaval ao máximo, eles sentaram na Casa do Kibe para tomar mais algumas geladas. Conversa vai, conversa vem, o “invasor” lembra de ligar para o amigão Deco.

- Fala garoto! Tá na área?
- E aê Alexandre! Chego amanhã hein!
- Massa! Curtiu Uberaba bastante?
- Aqui é demais, bicho. Ano que vem você tem que vir junto.
- Vamos combinar sim. Mas olha só. Preciso te falar uma parada.
- Diga lá...
- Quando você estiver chegando, antes de ir pra casa, passa lá na minha para eu te entregar uma coisa?
- Como assim?
- Eh..... preciso entregar a nova chave da sua casa...
- Hã? Como assim?!
- Eh... é uma longa história. Mas se quiser entrar na sua casa, você tem que passar na minha antes para pegar a nova chave de lá.

Durante a invasão comandada por Alexandre, o chaveiro Obina precisou arrombar o portão e, por "osmose", fazer uma nova fechadura e chave para o local.

- Eu não estou acreditando numa porra dessas. Você só pode estar de sacanagem.
- Ah, relaxa Deco. Nada que você não faria. Só levei umas garotas para lá.
- Mas que filho da puta!!!! Estou voltando pra Brasília agora! Não quero mais conversa. Quando eu chegar a gente resolve!!! (tu,tu,tu,tu....)

- Acho que ele ficou puto...

No dia seguinte, Deco passa na casa de Alexandre, que, prontamente e sem muita conversa, entrega a nova chave da residência invadida. Sem querer saber de muito papo, Deco, de cara amarrada, vai embora e encontra sua casa totalmente pelo lado avesso. Latinhas de cerveja espalhadas pelo chão, pitucas de cigarro, duas de suas cuecas dentro do ofurô, piso cheio de terra... uma desgraça.

Mas o pior estava por vir. Alguns dias depois, toca a porta da casa de Deco um oficial de justiça com uma intimação para que ele fosse depor sobre o fato de “promover a desordem pública com festas regadas a som alto, bebidas alcóolicas, drogas e aliciamento de menores”. Alexandre soube do fato por outros amigos e, além de ficar com o cu na mão, tentou contato com Deco por semanas para se desculpar, mas não conseguiu. Seu medo era que o amigo alega-se que não estava em Brasília durante o episódio e acusasse Alexandre de “invasão de domicílio”. Alexandre consultou amigos advogados, que o alertaram para essa possibilidade e se acontecesse ele teria de responder a processo (mais um, já que ele havia sido condenado dois anos antes a prestar serviços sociais por ter agredido um policial).

Deco passou três meses sem falar com o amigo. Tempo em que Alexandre contraiu seu esfincter 24h por dia, só pensando na possibilidade de a bomba estourar para o seu lado. Mas no fim das contas, tudo não passou de fogo de palha. A acusação levantada pelo vizinho não deu em nada. De forma muito justa, Deco se safou da acusação de "aliciamento de menores". De forma muito injusta, Alexandre se safou de responder por "invasão de domicílio". Hoje, os dois voltaram a se falar e agora fazem juntos algazarras como essa. Já o vizinho, Seu Lourival, não aguentou por muito tempo as festas organizadas por Alexandre na casa de Deco e foi viver num asilo, longe dos arruaceiros.

Sem mais para o momento (e absolutamente verídico).

5 comentários:

Felipe disse...

Eu ja tive amigos "Folgados" assim em épocas de adolescência e pós-adolescência.

Na época, a gente fica puta e depois esquece. Hoje em dia, tinha que ser um cara MUIIIIITO amigo pra fazer umas merdas dessas e manter a amizade ilesa.

Saudações tricolores

PS: Ainda de cara com o tamanho do texto que o "Sr. Preguiça de ler textos Congresso Em Foco" se deu ao trabalho de escrever.

H A R R Y G O A Z disse...

Happy New Year !!!

Paulo Palavra disse...

porra, levou um ano pra concluir a história?
tive até que reler a parte 1.

Rose Dayanne disse...

Eita, que história... Jah vivi um Big Brother parecido, também em GO, só que em Pirinópolis e com uma galerona de Brasília... Pensa numa aventura, uma semana, dividindo uma casa com 19 pessoas, com direito a historias divertidas, engraçadas, trágicas e cômicas. Adorei o blog, colega sofrido jornalista, q como eu "ganha pouco, mas rala pra caralho"

Panga disse...

preciso saber quem são essas figuras!!!! inacreditável....