terça-feira, 13 de maio de 2008

Dois perdidos numa noite suja

"Porra! Tu quer saber mesmo?! Eu estava com uma puta paga!"

Como diria o folclórico Galvão Bueno, o cara, ao dizer isso para a namorada, estava "no limite extremo" da paciência - e, claro, da safadeza. Mas para chegar a esse ponto, às 7h de uma bela manhã de sábado, é necessário passar por algumas discussões sobre relacionamentos. Existe uma teoria compartilhada por muita gente que diz ser possível um namoro à distância. Não, não é! Acredite! É óbvio que não pode dar certo. Apenas mocinhas criadas no interior ou homens criados pela avó, num apartamento, acreditam nessa possibilidade. É como criança brincar com fogo. Uma hora vai dar merda.

O Souza que o diga. O cara nunca foi muito bom com relacionamentos - ou então ele é bom demais. É do tipo que pula de galho em galho desde que deu seu primeiro beijo na Aninha, a safadinha de 11 anos do bloco F, lá nos idos dos anos 90. Mas em cada galho desses ele ficou, em média, dois anos. Nos "intervalos", quando está entre um galho e outro, apronta suas estripulias. Não perdoa nem as horrorosas bem horrorosas mesmo. Foi numa dessas, depois de uma noitada no peGate´s, que ele foi parar na cama com Paulinha, uma "gata" de 1,50m, 80kg, cabelos pixaim pintados de vermelho, coturno até o joelho, tatuagens por todos os lados, fumava que nem uma caipora, tinha uma saliente pochete, cara de peixe morto... Enfim. No popular, era uma tremenda baranga!!! Segundo o próprio Souza confessou aos amigos, "na hora que ela tirou a roupa subiu um desagradável odor de bacalhau". Que dureza...

Mas isso é outra história. Voltando ao carma do herói da história. Quando o cidadão ainda era apenas um marginal que matava aula jogando fliperama no Polpa´s - reduto de maconheiros viciados em Marvel Vs. Capcom - iniciou com Valéria um duradouro, porém complicado relacionamento. Durou sete longos anos. Não é fácil, de uma hora para outra, colocar um ponto final num caso como esse de "quase-casamento". Convenhamos. Por isso, o Souza resolveu colocar apenas reticências nessa história. Vez ou outra dava uns pegas na gata. E não escondia de ninguém. Isso despertava um compreensivo ciúme nas suas peguetes. Uma dessas vítimas, a Sônia, virou namorada. "Coisa firme", jurava o cara. Mas havia um pequeno empecilho para que desse romance pudesse ser dito "... e eles foram felizes para sempre". Sônia morava em Belo Horizonte. Souza em Brasília. Pouco mais de 700 quilômetros separavam o casal. Chegava a sexta-feira, ele pegava a estrada, passava o fim de semana com seu amor e voltava no domingo. Na outra semana, era a vez dela fazer isso. Os amigos olhavam para aquela situação, conhecendo como o Souza é, e sentenciavam sem pestanejar: "vai dar merda...".

Oito meses depois... deu merda... óbvio! Por não ver o namorado de segunda a sexta, Sônia era implacável. Ela conhecia a história de Souza com Valéria e, por isso, se mordia de ciúmes. Como não podia conferir de perto se o safado estava aprontando, telefonava para ele 356 vezes durante o dia e outras 935 vezes pela noite. "Oi... onde você está? (...) Que barulheira está aí hein! (...) Você está com quem? (...) Que horas vai pra casa? (...) Nem avisa, né? (...) Está fazendo o que?". Sempre fazia essas perguntas clichês. Souza foi ficando cansado da filial da "Abin" na cola dele. Até na hora de cagar, o celular do sujeito tocava. Aí vieram as primeiras brigas, as primeiras DRs, as primeiras verdades e os primeiros "tempos".

Num desses "tempos", Souza saiu para um inocente happy-hour com os amigos do trabalho, mas acabou bebendo dois litros de uísque. De repente, um animador de noite propôs à mesa: "Amigos, vamos para a Starnight????" Para quem não sabe, Starnight é uma badalada "casa de virgens" instalada no centro da capital federal. Todos aceitaram o convite de bate-pronto. Souza, inclusive. Completamente embriagado. No recinto familiar, várias gostosas peladas (e virgens). Do alto das 3h da madrugada, Souza troca olhares com uma das meninas e inicia-se a negociação. Do preço inicial, o cara barganha um desconto de 50%!!!! A conversa vai parar no motel e no rala e rola o celular toca. Souza olha o celular e resolve ignorar a ligação. Segue o rala e rola. Minutos depois, vai tomar banho e deixa a gata - descrita por Souza como "a maior gostosa já vista ao vivo. Coisa de revista!". Enquanto lava o bichão lá no chuveiro, o celular toca novamente. À espera na cama, a gata pega o telemóvel e avisa que há uma ligação pra ele. "Ah, deixa essa porra tocar", gritou o dono da situação lá de dentro do chuveiro.

Mas a casa caiu. A gata, suspeita-se, já havia apertado o "TALK" no celular e não pressionou o "END" em seguida. Quem ligou ficou ouvindo tudo o que estava acontecendo. Souza voltou do chuveiro pronto pra outra e mandou ver de novo. Sem perdão. E o celular lá do lado da cama, com um apocalíptico "chamada em curso" estampado no visor. "Ai, ai, ai, ai, vai Souza... vai... oohhhhh. Ai meu Deus...". O cara arrebentou! Quem estava do outro lado da linha ouvindo tudo era ninguém menos do que... a pobre Sônia... Logo, dá para medir a proporção do estrago na vida de ambos.

O dia chega e com ele a hora da verdade. Souza acorda lentamente, com uma ressaca nível 9 - numa escala que vai de 0 a 10. "Eu não fazia a menor idéia de onde eu estava. Olhei no espelho do teto e vi a mulher mais gostosa que eu já conheci dormindo no meu peito. Por alguns segundos eu jurava que estava sonhando. De repente caiu a ficha... 'Caralho!!!! Preciso ir embora agora!!!'". Souza pagou os serviços da profissional, entrou na sua caranga, largou a moça na rodoviária e rumou para casa com uma ressaca moral nível 10. Não demorou muito para o celular tocar novamente. "Sônia", piscava no visor do aparelho. "Puuuuta que pariu... fo-deu". Segue o diálogo:

Sônia, soluçando de tanto chorar: onde você estava esta noite e com quem? Não minta, por favor...
Souza, querendo dar uma de esperto: ué... no bar, com o pessoal do trabalho.
Sônia, chorando copiosamente: Souza! Eu não sou burra! Fale a verdade! Você estava com ela, né?
Souza, no limite extremo do cinismo: ela quem?
Sônia, já puta com a cara de pau do malandro: Como com quem? Você sabe muito bem de quem estou falando! Aquela vagabunda da Valéria!
Souza, tentando uma última cartada: Tá louca mulher?!
Sônia: Eu ouvi tudo! Tudo!!! Eu quero que você morra!
Souza: Ouviu o que?! Do que você está falando?!
Sônia, a dona da razão: você trepando com a Valéria! Eu ouvi! Você atendeu o celular e não desligou... e eu ouvi tudo!

Nesse momento, Souza teve vários flashbacks: ele trabalhando na profissional do amor e o celular tocando; ele tomando banho e o celular tocando... "Gatinho, telefone pra você... ". Lembrou claramente da cena. "Caralhooo.... foi ali. Foi ali que a idiota melou tudo...".

Mas o safado ainda tentou atenuar: Olha Sônia, não foi bem assim...
Sônia, interrompendo bruscamente: Como não foi assim?!?!?!?! Eu ouvi tudo!!! Eu sabia! Você nunca vai mudar! Ela sempre estará no meio...
Souza tenta acalmá-la: Não é isso Sônia... nem falo mais com ela...
Sônia: você passou a noite com ela seu filho da p...
Souza: não passei!
Sônia: Passou sim!
Souza: Não passei porra!
Sônia: Passou! Seu cínico, cara de pau, cachorro! Eu te odeio!
Souza, no limite extremo, explode: Porra!!!! Tu quer saber mesmo?! Eu estava com uma puta paga!!!!
Silêncio na ligação por longos dez segundos.... e Souza volta a falar: É isso mesmo! Estava com uma puta! Satisfeita agora?????

Sônia passou três dias e três noites chorando. Emagreceu cinco quilos. Não falava nada com ninguém. Apenas chorava. Ligava para Souza e ficava muda, chorando. Quando conseguiu falar, soltou um seco "nunca mais me procure... ". Souza, uma pedra, arrependido de ter magoado a namorada, mas aliviado de certa forma. Hoje, Sônia faz terapia para se curar da queda. Já Souza, continua a se meter em relacionamentos complicados, virou álcoolatra, sem perder a felicidade de viver, mas defende: só filhos de vó acreditam em namoro à distância.

Sem mais para o momento...

9 comentários:

Anônimo disse...

Até onde vai o limite extremo?

Sem mais para o momento...

Ederson Marques disse...

esse é O cara!!! "Estou com uma puta paga". Jamais teria tamanha coragem... hehehe

Anônimo disse...

Que puta filha da puta. Coitado do cara. Não conhecia a história, mas já tenho certeza quem é o hipócrita..

Paulinho Mesquita disse...

Quase uma novela mexicana...

Anônimo disse...

Vc mandou o link pro Souza para ele ler?? hahaha

Anderson disse...

Figura rara esse Souza, heim?
Mais ainda é essa fotinha do Éderson com terno, gravata e celular.

OOOOOHHHHH cara!!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Putz. Estava com o digníssimo agora a pouco... e ele NÃO SABIA desse texto!!!

... mas aproveitando o momento, ele me brindou com a versão dele (imprópria para menores) do caso dele com a "Paulinha", heuahueahauehaeuae!!!

É ISSSO, garoto!

Anônimo disse...

uhasuhauhauahuahuahuahauhauhua
Esse Souza é o cara!!!!

Paula Barros disse...

Tenho que concordar. Não dá certo mesmo relacionamento à distância. E se tiver blog, a confusão ainda é maior.