Foi por uma noite apenas. Apenas uma e nada mais. O ponteiro pequeno do relógio ainda cravava o 8 e o grande o 12, quando a gangue de arruaceiros chegara ao Clube da Caesb, Asa Sul. A “arena” foi cuidadosamente preparada para um provável Armaggedon. Espalhadas pelo gramado, entre 15 e 20 mesas com quatro lugares cada. Sobre elas, uma garrafa da tequila Jose Cuervo, genuinamente mexicana, e uma da vodka Absolut, genuinamente sueca. Ainda havia um grande freezer horizontal, entupido de cerveja em lata, absurdamente gelada. O menor dos cautelosos certamente dispararia. “Vai dar merda, com certeza”. Não deu outra. Ainda eram 21h30 e já saía o primeiro “carreto da noite”. Era Amanda, recém-saída do ensino médio. Bêbada como um mendigo. Largada na sarjeta.Foi por uma noite apenas que sobrara muita carne nos espetos. Mas quem se importava? Havia dezenas de litros daquela “cachaça” mexicana e mais dezenas de litros daquela “cachaça” sueca. Podia-se notar facilmente o brilho que reluzia dos olhos daqueles arruaceiros. Por volta das 22h30, já se contabilizavam mais três corpos estendidos no chão, fazendo companhia a Amanda.
VARGAS
Ao ver tamanha fartura alcoólica, o sujeito se prostrou de joelhos, levantou as mãos e agradeceu aos céus. Três ou quatro doses depois, começou a aprontar uma das suas. “Vacilando” ao lado do freezer, Rosinha estava em seu caminho. Era uma gorda – sem meias palavras. Horrorosa. Demorou segundos para ele dar uns beijinhos na donzela. Mais tarde, inexplicavelmente, foi “flagrado” batendo o maior papo com Cleomar, o segurança da festa. Ele proseava um pouco e voltava até a festa para pegar dois drinks – um para cada. Voltava até o portão e proseava alegremente com Cleomar por mais um pouco. Foi assim por hora e meia.
SOUZAEle ainda cultivava o início de sua gestação – era gordo, mas não tão barrigudo quanto os dias atuais. Mas já bebia como um viking. Tomou da tequila, da vodka e, claro, da doce cerveja. Apesar de ser o mais experiente na arte de beber entre todos seus pares, também não tardou para ficar incontrolável (era muita “cachaça”). Pouco mais de uma hora no recinto, ele surge da escuridão, correndo e gritando no meio dos populares, usando, sabe-se lá porque, uma máscara – daquelas que a saudosa Tiazinha usava em seus tempos áureos. Pára no meio da pista de dança, coloca as mãos no joelho e começa a rebolar igual a uma puta sem-vergonha. Mais alguns goles e completamente incontrolável, insistia em “socorrer” aqueles que sucumbiram ao poder devastador do álcool e não paravam de vomitar. “Deixa eu ajudaaaar!!!! Só um bêbado para compreender um outro bêbado. Me deixa!”, gritava sem parar, enquanto era contido pelos mais lúcidos.
MIGUELITO, VALESKA E RUSSO
Uns dos poucos a se manterem sóbrios como um bispo. Apesar de terem dado seus goles, resolveram interromper logo a bebedeira, assustados com tantas baixas no pelotão. Enquanto Russo tentava acreditar no que via, Miguelito e Valeska passaram a cuidar dos “feridos” no front daquela guerra regada à vodka, tequila e cerveja. Numa dessas, quase se deram mal. Um dos enfermos, possuído pelo demônio da vodka, se debatia incontrolavelmente na grama e acabou acertando Miguelito em algumas vezes. O fim da noite ainda reservaria coisa pior para ele.
BERTOLDO

A estrela da companhia. Chegou e já abraçou uma. “Essa é minha e ninguém vai chegar perto”, decretou enquanto alisava carinhosamente uma garrafa de vodka. Bebeu a tal inteirinha, no bico. Pura e em menos de uma hora. Claro, deu merda. Foi ele quem se debatia na grama e acertava involuntariamente a todos com cabeçadas, socos e chutes. Em vários de seus ataques psicóticos – uma verdadeira mistura de Hannibal Lecter, de O Silêncio dos Inocentes, com Reagan MacNeill, de O Exorcista – chegou a socar e a cuspir em quem tentasse se aproximar. Naquele estado lastimável e altamente desagradável, ele só se comunicava em inglês com um capenga sotaque russo. Praticamente John Malkovich em Cartas na Mesa. Com o passar do tempo, desenvolveu um dialeto estranho. Balbuciava palavras como: “ashf ljklwe kajslkdj” (era mais ou menos isso que saia da boca dele).
O ANFITRIÃO
Ficou mais preocupado em dar prosseguimento ao Armageddon e a cuidar de sua garota, que também havia sido acometida pelos efeitos da cachaça sueca.
DEMÔNIOS DA MEIA-NOITE
Souza foi esquecido pra trás. Dormindo no gramado, ainda de máscara. Bertoldo teve de ser rebocado para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) antes mesmo das 23h. Jogaram o mancebo todo vomitado no banco de trás do carro do Russo. Sem cerimônias, deitou no colo de Miguelito, que nada pôde fazer. Valeska, namorada de Bertoldo na época, também embarcou no expresso da desgraça. Vargas, que já tinha derrubado uma garrafa de Tequila com seu amigo Cleomar foi junto no carro. E de penetra! “Bertoldo, fala comigo... se você não falar comigo eu vou te abraçar...”, repetia Vargas incansavelmente, no limite extremo da inconveniência. Bertoldo só babava no colo do Miguelito e balbuciava algo como “roahhhh babeehhh rooaahhhh....” - desconfia-se que tenha sido Road House Blues, do The Doors, a última coisa que ele ouvira ainda consciente.
HRANUm carro pára bruscamente na porta do pronto-socorro, desova o bêbado Bertoldo, acompanhado da “mãe” Miguelito, e sai arrancando à procura de uma vaga. Minutos depois, uma cena apocalíptica: Miguelito empurra Bertoldo, completamente desmaiado, numa cadeira de rodas. No braço direito, soro direto na veia. O diagnóstico da Drª Maria Lúcia: “Paciente ingeriu uma alta dosagem de várias bebidas tendo passado por vários episódios de vômito”.
Enquanto isso, Valeska, Vargas e amigos aguardavam no banquinho do lado de fora do hospital. Vargas dormiu como um mendigo por mais de hora. De repente, ele acorda subitamente e quer ir embora a qualquer custo. O que ele não notou foi o fato de seu carro estar estacionado na 710 Norte, cerca de 5 quilômetros dali. Tentaram explicar, ele ignorou e queria de qualquer forma ir embora, andando sozinho pelo Eixão. Nesse íntere, Bertoldo surgiu dos corredores, caminhando ainda cambaleante. Sempre com seu fiel escudeiro Miguelito ao lado, segurando o soro. O camarada, sem pestanejar, chuta a porta do banheiro da recepção, abaixa as calças e começa a urinar. De portas abertas. Na maior tranquilidade. E Miguelito, se esforçando para não parecer constrangido com aquilo. Mas segurando firme o soro.
DAY AFTER
Souza passou cinco dias sem dar notícias. Ressaca moral. Miguelito jurou um dia devolver a Bertoldo o trabalho que dera. Vargas foi surpreendido por uma situação inusitada. Sua mãe apanhou suas calças no chão do quarto para lavar. No bolso, um cartão de visitas sugestivo e comprometedor: “Bohemia Chopp – Lindas Garotas Para Saciar o Seu Desejo – Avenida Vila Pai Real, Trindade (GO)”. No verso do cartão, anotado à caneta, o telefone de Cleomar. O distraído ainda pensava estar por cima da situação, quando, ao acordar, viu o cartão sobre a mesa da sala de estar e comentou com sua mãe: “Hahahaha... esse meu irmão é uma figura mesmo. Viu aí mãe, o que o cara anda aprontando?”, perguntou mostrando o cartão. A mãe dele falou secamente: “isso aí estava no bolso da sua calça”, disparou e deu as costas. O cara nunca mais teve o mesmo respeito da mãe.
E o Bertoldo? Passou seis meses sem beber nenhuma gota de álcool. Parou de fumar; virou vegetariano; passou a praticar Ioga; formou-se em arquitetura. Somente hoje, oito anos após aquela experiência, voltou a dar seus primeiros goles. Reflexos daquela fatídica noite. Uma noite como poucas. Corpos estendidos pelo chão, rios de vômito, litros e mais litros de bebida, toneladas de carne, soro na veia, HRAN, aventureiro do Eixão. Tudo por uma noite apenas... apenas uma e nada mais.
Sem mais para o momento...
6 comentários:
PQP!!!
lembro como se fosse hj....
além de "tentar" falar um dialeto Russo, ele batia e mordia quem tentasse chegar perto! Realmente, uma noite inesquecível! Vargas além de ficar HORAS com Cleomar, meteu a mão no bolo da aniversariante antes do parabens! e ainda com a boca toda suja, dá com os ombros e diz: "Não fui eu!!" hahahahaha
SENSACIONAL!!!
Absolut é uma vodca genuinamente sueca, apesar do grupo que a produz ter sido vendido, em março, para uma empresa francesa.
Pô, da próxima vez, chamem a Unimed para deixar uma ambulância na porta, só de prontidão, hehehe.
=)
Boa história.
Li, rolei de rir, mas ficou uma pergunta no ar: A festa era um baile de carnaval? Me dida PELOAMORDEDEUS onde o SOUZA foi arranjar a tal máscara da Tiazinha?
Sem mais para o momento...
“Deixa eu ajudaaaar!!!! Só um bêbado para compreender um outro bêbado. Me deixa!”
Típico comentário de um bêbado que já não tem mais pra onde ir...
Atenção! A maior festa de todos os tempos está de volta!
JOSELITO ROCKY PARTY III, sábado, dia 28 de junho, no Gate's Pub!
Depois de lotar o Gate's em 2007, a Joselito Rocky Party está de volta com força total!
Como sempre, os festejos têm como principal objetivo comemorar o sucesso absoluto do maior e melhor blog da internet - www.joselitando.blogspot.com
Com a participação do DJ Marcos Pinheiro, do Cult 22, ouviremos e dançaremos o melhor do rock-pop nacional e internacional, passando por Beatles, Rolling Stones, Cure, Smiths, New Order, Pearl Jam, Strokes, REM, Michael Jackson, Guns´N´Roses, Depeche Mode, Oasis, Franz Ferdinand, U2, Green Day, Queen, Offspring, Foo Fighters, The Killers e por aí vai!
Resumindo:
JOSELITO ROCK PARTY III
Sábado, 28 de junho
Gate´s Pub, a partir de 23h
Ingressos? R$ 8 até meia-noite, depois R$ 10.
Definitivamente, nessa você se superou. Excelente. Tô passando mal aqui. Ontem tava vendo as fotos do evento distante conhecido como
"karaoke da apcef 99". Bem que você podia gastar algumas láudas.
Postar um comentário