quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mundo Souza

"O Souza é a minha segunda casa. O lugar é 24 horas, tem rango bom, cerveja sempre gelada e fica na minha rua. A gente tem que ir lá". Diante de uma propaganda como essa, "vendida" pelo anfitrião Briba Paraíba, não tive dúvidas. Seria lá, no SOUZA, que eu tomaria a saidera daquela sexta-feira chuvosa em São Paulo. Antes, pela primeira vez na nossa vida, a gente fechou um outro bar, o São Cristovão, na Vila Madá.

"Senhores, aqui está a conta. Sei que vocês não pediram, mas a gente precisa fechar tudo e ir pra casa dormir, pelo amor de Deus". Ainda arrancamos um chopp derradeiro do desesperado garçom, antes de deixar R$ 90 na mesa e seguir rumo ao famoso Souza, na "Pomps" (Pompéia), lá pelas 3h.

Já nas proximidades do boteco, o "marketeiro" Briba não cansava de mencionar o quão bacana era o recinto. "...(O Souza) é um lugar muito bom. Atendimento excelente, clientela tranqüila, preço bom, ambiente agradável...". Nem bem havia terminado de enumerar as qualidades do boteco, um som de muita água batendo no chão pôde ser ouvido. Era a "obra" de um jovem, que saíra correndo os 100m rasos do salão do bar até a calçada e vomitou até sua medula. "Bom... como eu estava dizendo e vocês podem reparar... é um lugar bacana, né?". O jovem, apoiado no poste em frente ao Souza, vomitava sem parar. Na última despejada do líquido viscoso, cor de abóbora, com cheiro de merda, o jovem mandou pra fora o que sobrara de sua medula. Finalizou gofando até sua alma. Coisa linda de Deus...

Esse foi só o cartão de visitas. O Mundo Souza é assim: vários manos falando sobre o último rap que tá rolando lá na periferia; um bando de lôco com a camisa do Curinthia cantando "Eu voltei, agora pra ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar..."; outros tantos manos "maloquêros" tomando uma Brahma e fumando seus cigarrinhos Hollywood (vermelho); mais alguns bêbados falando alto e gesticulando sobre o caminho mais curto entre a "Pomps" e a estação São Judas; duas minas horrorosas se pegando; um junkie "fungando" um certo pó branco na pia do banheiro; o chapeiro, suado como alguém que acabou de percorrer uma maratona, preparando uma carne de sol acebolada, com um cigarrinho no canto da boca; de avental e gel no cabelo, um garçom quebrando um copo propositadamente na frente dos clientes - só porque o mesmo já estava trincado; um careca gordo, podre de bêbado, dormindo sentado lá no canto; dois caras azarando a mesma gatinha... Há de tudo um pouco. Dá para passar a noite estudando o comportamento do ser humano (bêbado).

O melhor de tudo é que só lá, no Souza, você beber até chegar ao ponto de, as 6h da manhã, dar rolamento no meio da rua, de tão bêbado, por míseros R$ 23!!!!!! É por isso que adoramos bares assim.

Sem mais para o momento

6 comentários:

o queiroz disse...

Ontem, no Souza, tinha três mano vendo filme de sacanagem no celular. Tudo orgulho da mamãe...

DB disse...

o vomito foi mais barulhento do que o som da cachoeira de itiquira. so que bem menos cristalino

Anônimo disse...

Vontade de conhecer o Souza!

Sem mais para o momento...

Mário Coelho disse...

Opa, próxima visita é O'Malley's e depois Souza!

Anônimo disse...

Em Brasília é foda... pra se chegar até um bar com características parecidas, ou vc vai "berrado" pros quiosques clandetinos nas satélites, que funcionam até o último 'cliente', ou então fica por aqui e vai dormir às 2h... O jeito acaba sendo o "pão de acúca" ou a casa de algum bêbado! Néééé... Lamentável!

Paulinho Mesquita disse...

bela recepção que a casa oferece. seria um tipo de welcome drink?