quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Beber, cair e não levantar...

O universitário é um espécime com predisposição a passar muito tempo no bar entre uma aula e outra e, principalmente, após as aulas (uma forma de "estágio" para se acostumar à rotina depois que estiver formado e empregado). Mais do que isso, ele é propenso a "passar da conta", ser um tipo "sem limites". O Cardoso, um sujeito falador que só ele, meio metido a político, costuma ser assim. Lá pelo meio da faculdade, conheceu três camaradas que ainda hoje dividem mesa de bar com ele. O quarteto matou aula e foi beber no falecido Aspargus, um bar bem almofadinha, que existia na Asa Norte. Mas, pela conveniência da proximidade da faculdade e da residência oficial de Cardoso, foi o bar escolhido para jogar conversa fora naquela noite.

Se hoje - após quase dez anos desse encontro - Cardoso ainda se mostra um iniciante na arte de beber, naquela época, então, ele não passava de um garoto de 12 anos. Bebia alguns goles e já ficava vesgo e embolava a língua. Mesmo assim, insistia em permanecer na mesa até fechar a conta. Foi numa dessas que, após 36 GARRAFAS de Skol - uma média de 5,4 litros de cerveja por cabeça -, Cardoso teve de sair "rebocado" pelo irmão até sua casa , babando e roncando. Pior: na hora de pagar a conta, ele deu um cheque. Dia seguinte, o gerente do Aspargus telefona para o menino: "Senhor Cardoso? Aqui é o Chico, gerente do Aspargus. O senhor poderia retornar aqui ao nosso bar, porque o cheque que deixou aqui ontem está ininteligível. Não dá para identificar o valor, nem a assinatura. É um rabisco só...". Cardoso, sem lembrar do fato de ter pago a conta com cheque, se dirigiu até o estabelecimento e, para a sua própria surpresa, nem mesmo ele fazia alguma idéia do que havia assinado no cheque. Rasgou e deu outro.

O Caio Júnior também já aprontou das suas quando estudante de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB). Hoje, um profissional renomado, é mais comedido. Naquela época, de segunda a sexta-feira, ele costumava sair pelo menos três vezes para tomar sua cervejinha com os hippies de boutique lá da UnB. Outra vez, já eufórico, falando alto, rindo de qualquer coisa e azarando todo mundo, propôs aquela saudável brincadeirinha do "vira-vira". Todo mundo tinha que virar seu copo de cerveja. Quem refugasse, deveria virar DOIS copos. Lá pelas tantas, Caio Júnior, já se sentindo o dono da situação, vai ao banheiro dar aquela mijadinha. Na ida, "flerta" com uma garrafa de cachaça na prateleira. Na volta, retorna com ela embaixo do braço. "Galera, o desafio agora é pra gente grande. Vira-vira com cachaçaaaaaa!!!". Como todos já estavam bêbados... ninguém hesitou. Pelo contrário. Bateram palmas. Lógico... ia dar merda.

Quando a noite estava de final e a conta parcial já estava na mesa, Caio Júnior olhou ao seu redor e reparou que todos estavam arrasados e desanimados. Mas ele achou que a vitória viria nos minutos finais quando Suzana e Ellen, duas amigas gostosas e solteiras que moravam juntas, pediram um favorzinho. "Cacá, meu amor... você leva a gente em casa, por favooooor...". Neste momento, ao mesmo tempo que veio à mente de Caio Júnior a música "We Are The Champions", do Queen, ele balançou a cabeça positivamente e soltou um sorrisinho sem-vergonha. "É hoje, moleque!!! Vai rolar um ménage à trois!!!".

Não rolou... bastou o cidadão dirigir por duas, três quadras que a marvada cachaça começou a agir sem piedade em seu organismo. O cara começou a enxergar quatro pistas, onde havia duas. Dois postes, onde não tinha nada. Até duende atravessando na faixa de pedestres ele disse ter visto. Chegou ao apartamento das gatinhas na raça. Visivelmente inválido, sem a menor condição de se manter acordado, as garotas insistiram para Caio Júnior subir. Lá emcima, apagou de vez. Suzana e Ellen ficaram assustadas com a situação, sem saber o que fazer com aquele moribundo se tremendo todo no sofá. Gélido, pálido e inconsciente.

- Amiga, a gente tem que fazer alguma coisa ou ele vai morrer aqui mesmo! Vamos colocá-lo embaixo do chuveiro...
- Mas... a gente vai tirar a roupa dele?
- Claro! Não tem problema. Sei da fama dele. As meninas disseram que ele tem pinto pequeno. É inofensivo. Bêbado então...
- Então tá... mas você segura ele. Vai que ele acorda e tenta comer a gente...
- Pode deixar. Esse aí eu já conheço a fama... Não vai dar conta.

Aconteceu o que uma das gatinhas pensou. Caio acordou no meio do banho, sem entender nada. O problema é que ficou só dois minutos acordado e apagou de novo. Peladão e se tremendo todo no chão. "Amiga, fodeu. A água gelada não vai resolver. Vamos levá-lo ao hospital imediatamente!". Correram para o pronto-socorro do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Já na entrada, foi atirado numa cadeira de rodas e empurrado até a enfermaria mais próxima. "Ora, ora, ora... mais um idiota que não sabe beber, hein... Tragam a glicose para essa veia mirrada aqui. Vamos ressuscitar esse jovem", receitou o Dr. Nick Riviera, médico de plantão naquela noite.

O tempo foi passando e a glicose correndo nos vasos sanguíneos do menino, cabeça a cabeça com as moléculas de álcool. Aos poucos, Caio Júnior recobrava sua consciência. Até que ele acordou sem entender nada. Olhou ao redor e, sem falar uma única palavra, levantou da cadeira de rodas e entrou no carro, à espera das amigas. VERGONHA era uma palavra que não dava para expressar o que ele sentia naquele momento. No caminho para casa, as 7h30 da manhã, pairava no carro um silêncio genesiano (aquele antes da criação do mundo). Ninguém falava nada. O jovem mancebo lembrou que teria prova de Teorias da Comunicação às 8h45. Fedendo a desgraça e com uma bigorna balançando na cabeça, arriscou a fazer o teste mesmo assim. Tirou 1,3 de 10 e foi reprovado no semestre.

Pior do que isso, só ter passado pela situação de duas mulheres ter dado banho nele e não se lembrar de nenhum segundo daquela situação. Perdeu o semestre, pegou ninguém, passou duas semanas de ressaca e ainda recebeu uma mensagem de uma das garotas após a prova: "A mulherada tinha razão. Você tem o pinto pequeno mesmo. Que (dupla) decepção. Francamente...".

Sem mais para o momento

7 comentários:

Anônimo disse...

Saudade do Aspargus...
E do Cardoso também...
Esse sumiu de vez.

Sem mais para o momento...

Anônimo disse...

Grande Cardoso!!! Vê se aparece! Afinal, vc ainda não casou na igreja nem no papel, tá?!

Anônimo disse...

Ah! Mais um comentário... Eu ainda não sabia da história do nosso querido amigo Caio Junior-pinto-pequeno!! KKKKKKKKKKK!

Paulinho Mesquita disse...

Caio Júnior pinto pequeno... que situação!!
aauheuaeheuheuehueahuae

Anônimo disse...

Quer dizer q temos o nosso Selton??haha
Tenho noticias do Cardoso: Casadão, apenas aparece no fut de quartas. fds? só qunado sua senhora viaja

DB disse...

se ele nao lembra, é pq nao fez!

Bruna K Marques disse...

Caracas, tive ler a historia toda para descobrir quem era... ou achar que descobrira.
Mas so depois de ler o comentarios que vi quem eh!
Ai meu deus, ja nao bastava um com a fama agora sao dois?
Que grupo de jornalistas...
Ainda bem que vc nao tem fama, muito pelo contrario...
kkkkkkkkkkkkkkkkkk