quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Tradições típicas de bêbados

Começa assim: uma roda de amigos bebendo sem parar até serem "expulsos" do boteco. No trajeto entre o recinto e o estacionamento, alguém tem a brilhante idéia: "E aí? Rolamento?". Segundos depois, todos estão no chão, sem saber exatamente o porquê. Tudo pura e unicamente para manter viva uma tradição de bêbados. Ou não. Mas, segundo a Alcoolpédia, reza uma lenda que essa tradição vem desde a Idade Média. Naquele tempo, os aldeões mandavam goela abaixo e noite adentro toda a cerveja estocada nas tavernas da região. "Taverneeeeeeeirooooooooooo! Cerveja para os homens, água para os cavalos". Algumas horas depois, estavam todos rolando no chão, felizes da vida.

Muitos leitores do Taverneiro, em todos os cantos do Brasil, já foram flagrados (e há provas materiais e testemunhais disso) mantendo essa tradição. Eu, por exemplo, sou um grande entusiasta desse saudável costume. Não lembro muito bem quando comecei a adotar a técnica post-bar, mas minhas lembranças mais remotas são de pelo menos dez anos atrás. O Testa é outro grande adepto. Não recusa um. Mas toda vez sai todo ralado. Ainda não é um "samurai" das ruas. Já o Paraíba costuma dar rolamentos em câmera lenta. Talvez por conta de sua avantajada pança, que "cresceu" 10 quilos em 9 meses. De pança igualmente sinuosa, o Gordo Souza faz diferente. Meio metido a dançarino, não só executa um rolamento perfeito, como já levanta dando saltinhos e batendo palminhas incentivadoras. Morales gosta tanto da coisa que até já fez o movimento até mesmo em casa de moças virgens - se bem que pareceu mais uma queda, seguida do movimento, do que um rolamento intencional.

Em linhas gerais, o rolamento nada mais é do que uma técnica empregada nas inúmeras artes marciais. A definição constante no dicionário diz que o sujeito executa um movimento circular com eixo no abdôme, se mantendo sobre as costas de maneira transversa... (???). Nada melhor do que citar alguns episódios para todos entenderem. O rolamento em dupla é o mais tradicional. Dia desses, Paraíba recebeu em casa um amigo de outra cidade. Beberam até não aguentar mais. No caminho para o carro se deparam com uma ladeira de 45 graus. Qualquer um pensaria: "vai dar merda". Mas os dois bebuns não hesitaram e mantiveram a tradição ladeira abaixo. Lógico que não parou no primeiro. Eles continuaram a rolar, a rolar e a rolar. Tem também o carreira solo. Muito raro, mas acontece quando o cara está muito bêbado e faz primeiro só para encorajar os demais. Ou quando na hora H alguém refuga. Tem também o rolamento coletivo. Esses são os mais assustadores. O maior de todos teve um elenco de cinco pudins de cachaça numa festa de estranhos, as 6h da manhã. O tiozão, dono da casa, já estava acordado, lendo seu jornal na varanda. De repente, observa a sua frente, no seu quintal, os últimos sobreviventes da farra. Todos perfilados, prontos para executar o movimento. "Vamos lá galera, no 'três' todo mundo dando rolamento". O último deles foi parar no pé no tiozão. Um outro quase caiu dentro da piscina.

Para esses tipo de bêbado, não tem tatame ruim. Pode ser na grama, no asfalto, na ladeira, na calçada, nos paralelepípedos, na sala de estar da casa alheia... O importante é manter a tradição. Por isso, para finalizar, segue um passo-a-passo para você aprender essa técnica que atravessa os séculos e, por que não, repassar para seus companheiros de copo esse saudável comportamento.

1 - Beba muitos litros de qualquer bebida alcóolica.
2 - Quando já estiver no grau, intime os demais bêbados a realizar o movimento. Pelo menos um deles não te deixará na mão. Afinal, brother é brother e filho da puta é filho da puta.
3 - Mantenha-se perfilado com os demais e conte até três.
4 - Atenção para a seqüência de movimentos: jogue o corpo para a frente com as mãos erguidas. Se você é destro, toque primeiramente a mão direita no solo, em seguida o antebraço, cotovelo e por fim o ombro (isso evita que você bata a cabeça no "tatame"). Se for canhoto, a idéia se mantém, mas toque a mão esquerda no solo. Dependendo do nível alcóolico, suas pernas se jogarão automaticamente (leis da física) por cima de seu corpo, completando um movimento perfeito. Pronto.
Você está apto a participar das tradicionais rodas de rolamento no meio da rua. Se é que não já o faz. Ou, pelo menos, segue uma outra tradição típica de bêbado. Né?

Sem mais para o momento

4 comentários:

Anônimo disse...

O pior disso tudo é lembrar, no dia seguinte da bebedeira, a atitude ridícula que fizemos na frente de outras pessoas.

Sem mais para o momento...

DB disse...

faltou a ultima parte: ai o cara chega em casa, tropego, com marca de pneu nas costas. ate lembrar-se de que nao foi atropelado mas praticou a nobre arte do rolamento, la se vao mais uns cinco minutos de veias latejando de ressaca moral...o que, no meu caso, é uma eternidade!
oh my loooorrrdd

Bruna K Marques disse...

Muito bom!!
E la se vao muitas historias e alguns videos e fotos.
Vcs sao comedias demais, ate mesmo quando pagam mico na frente de pessoas normais, ou caretas rs...

Anônimo disse...

Me lembro de uma certa ocasião, quando eu trabalhei na época das Olimpíadas. Entraria as 5h, e estava dando cambalhotas as 4h25. Advinha? Deu merda...