terça-feira, 31 de março de 2009

Mestres dos esquemas furados - Parte FINAL

"FO - DEU". Walisson e Wilson - que de drogas só usam nicotina, álcool e barangas gordas - se entreolham e concluem: hora de sair pela direita, como diria o Leão da Montanha. "Ahn... não, não, a gente está tranquilo. Vamos ficar só na cerva mesmo. Vai lá. A gente espera", respondeu Wilson. Luana Piovani e Helen deixam o apê e partem para a boca, buscar algo que as deixassem ainda mais pilhadas. Minutos depois, Soraia capota e dorme no chão da sala, sem cerimônias. Walisson até cogitou bulinar a gordinha, mas pensou melhor e preferiu dar uma cagadinha no banheiro todo arrumadinho, decorado, com cores creme e marrom, perfumadíssimo. Dez minutos de "obra" depois, o gordinho hipertenso sai do trono, com um cigarrinho na boca e sorrindo. "O banheiro é ótimo. Tem até chuveirinho pra lavar o furico". Wilson se animou e já entrou no banheiro abaixando as calças. Ficou lá outros dez minutos e deixou uma "criança" amarronzada boiando. "Descarga pra quê? Tive que deixar uma marca para as gatas nunca mais esquecerem a gente", explicou Wilson, com a honestidade de uma criança. Em seguida, cada um pegou duas latas de Skol na geladeira e se mandaram, deixando Soraia roncando no meio da sala.

Dali, nossos heróis tinham como destino a casa de Walisson, onde Wilson havia deixado sua Belina ano 79, cor azul geladeira. O problema é que eles estavam sem carro, sem dinheiro, fedidos, de ressaca e já se passavam das 10h da manhã. Pior: a casa do sujeito ficava distante uns 5 quilômetros dali e o calor chegava aos 32º. "Vamos andando. A gente já está todo fodido mesmo. O que é um peido pra quem já está cagado?". De fato, haviam cagado, mas, creio, se limparam com o chuveirinho. "A gente vai pelo Parque da Cidade. Uma hora a gente chega", calculou Wilson. Durante o longo e tortuoso percurso, a mãe de Wilson, dona Valquíria, preocupada com o desaparecimento do filho, liga para seu celular. Wilson conta toda a história, desde a ida ao show até o roubo do carro, passando pela delegacia e "café da manhã" na casa de umas "amigas". Dona Valquíria é amiga de dona América, mãe de Walisson. Não pensou duas vezes e ligou para dona América e contou o que estava acontecendo.

Durante longos 15 minutos, o celular de Walisson tocou 367 vezes. "Mãe chamando", piscava no visor de seu Nokia. "Wilson, não vou atender essa merda. Tô puto. Se quiser, tu atende...". Na 400ª vez que o celular tocou, Wilson tomou o celular da mão do amigo, atendeu e tentou apaziguar a situação. "Calma tia América, nós estamos bem. Ninguém tocou na gente. Já estamos a caminho, passando pelo Parque. Pode ficar tranquila". Ao ouvir aquilo, dona América entra no carro com sua outra filha, a Paty, e sai em busca dos dois irresponsáveis. Não demorou cinco minutos e eles foram encontrados cambaleando no meio da rua, quase com uma ensolação. "Walisson!!! Seu bêbado do caralho! Entra já nesse carro e vamos para casa!". Walisson ignorou os chamados de dona América por cinco minutos, até que Paty se emputeceu e mandou a mãe largar de mão os dois bêbados.

Os heróis continuaram sua Via Crucis. Depois que atravessaram o Parque da Cidade, chegaram a uma das principais avenidas dessa Brasíla-véa-sem-lei, a W3 Sul. Por trás dela, na W2, existem vários "estabelecimentos chinelos": oficinas de quinta categoria, mercearias, brechós e, claro, muitos bares sujos. "Bicho... estou com as pernas 'sangrando'. Vamos dar uma descansadinha nesse restaurante aqui", sugeriu Walisson, o hipertenso. Na verdade, era um botecão, dos mais sujos e mal frequentados das redondezas. No balcão, eram servidas coxas de frango morto na última guerra do Golfo e kibes fritos na época do Império."Big Bar" era o nome da peça. Sentaram-se à mesa e pediram mais uma Skol. "Tá quente ainda!", gritou o barman. "Tem problema não. Traz essa merda assim mesmo", insistiu Wilson. O meio-dia já se aproximava quando entra no Big Bar duas coroas serelepes, Claudete e Rosemary. A primeira pesava 300 quilos e tinha 58 anos. Já Rosemary era mais novinha, acabara de completar 53, mas só tinha cinco dentes (podres). "Uau... olha só aqueles dois garotões ali dando sopa. Vamos atacar!", disse Rose, como passou a ser chamada. Wilson e Walisson percebem a aproximação das veteranas e, antes mesmo que elas pudessem falar alguma coisa, ambos se levantam e puxam duas cadeiras para as "gatas". "Nossa! Gostei! Vai ser melhor do que eu pensava", agradeceu Claudete.

Pouco mais de 15 minutos bastaram para as velhas estarem sentadas no colo da dupla, morrendo de rir, contando histórias, bebendo, fumando, bulinando e etc. Nisso, o Big Bar ia recebendo cada vez mais cliente, já com aquela movimentação típica de hora do almoço. Nesse meio-tempo, Claudete se levanta para ir ao banheiro, situado no pavimento superior do recinto. Sagaz, Wilson percebe a oportunidade e vai atrás, entrando no banheiro feminino junto com sua gata. Segundos depois, ele já estava com as calças no joelho e a velha com o pau na boca. Cinco minutos de xamego não foram suficientes para deixar Wilson excitado. "Porra! Tu queria o quê? A mulher tinha quase 60 anos, pesava 300 quilos. Por mais que ela fosse experiente, eu não conseguia parar de olhar para aquelas mochibas todas balançando. Não dava! Não subia!",explicou Wilson, dias depois. Percebendo a demora, a dona do bar começa a socar a porta do banheiro aos berros. "Seus sem-vergonhas!!! Estão achando que isso aqui é cabaré! Abre já essa merda!". Wilson abre a porta de sopetão e dela sai correndo, ainda levantando a calças. "Simbora Walisson. A casa caiu! Fodeu, moleque!". Walisson estava de pau pra fora também, embaixo da mesa, com a velha "massageando" o bichão. "Vamos embora porra!!!". Os dois heróis deixam o Big Bar enxotados e as velhas com os corações em frangalhos.

O relógio já marcava 14h, quando, finalmente, a duplinha chega na casa de Walisson. Ouviram sermão de dona América, Paty e até do cachorro e do papagaio. A pressão arterial do gordinho aquela altura já passava dos 19 por 12. Não deu outra. Foi direto pra cama e só acordou as 20h. Cabisbaixo e abandonado pelo comparsa, Wilson pega as chaves de sua Belina e desce o elevador. Mas a sorte realmente não caminha ao lado desses dois. Ao tentar dar a partida, Wilson tem mais uma surpresa. "Puta merda! Agora não! Por favor, não me deixe na mão...". A gasolina havia acabado. O irresponsável-azarado volta no apartamento para pedir uma ajuda ao seu amigo, mas ele já estava "desmaiado", inacordável. Wilson não teve escolha. Na maior cara lavada, pediu R$ 20 (Vintão) emprestado a Paty para colocar gasolina no seu possante. Ouviu mais um bocado de sermão, mas acabou conseguindo o dinheiro para o gás.

Já de noite, o telefone toca na casa de Walisson. Era o sargento Andrada. Quem atendeu foi sua irmã, Paty
- Alô? É da casa do Walisson?
- É sim...
- Aqui quem está falando é o sargento Andrada, da Polícia Militar, como vai a senhorita?
- Tudo bem. Posso ajudar?
- O seu irmão, o Walisson, registrou ocorrência na 5ª DP nesta madrugada, alegando que seu carro, um Gol Bola Geração 1, de cor vermelho-ferrugem, fora roubado nas proximidades de um clube onde aconteceu uma festa-show, correto?
- Isso mesmo.
- Fala para o espertão aí que o carro dele está exatamente no mesmo lugar que ele disse ter deixado...
- Não é possível...

Horas depois, a dupla de dois caras vão até o local indicado e encontram o veículo. Walisson olhou friamente para Wilson. Ambos ficaram em silêncio por alguns segundos. Tempo esse em que eles lembraram tudo o que aconteceu, desde o momento que pegaram carona com Helen e Soraia, passando pelos momentos tensos na casa de Luana Piovani, cagada no banheiro chique, maratona no Parque da Cidade num sol de 32º, até o momento que foram enxotados do Big Bar. Tudo porque ficaram "sem" carro. Entraram no Golzinho e ficaram em silêncio por mais algum tempo. Até que Wilson vira para o amigo, dono do carro "roubado", e tenta consolá-lo. "Pense pelo lado positivo. Pelo menos a gente tem uma baita história pra contar, né?".

Sem mais para o momento

11 comentários:

Anônimo disse...

Quando essa dupla terá credibilidade novamente? Na verdade, o carro de Walisson não estava no mesmo lugar. Tanto que roubaram algumas coisas. Mas Dona América, Paty e nenhum de seus amigos acreditam no gordinho hipertenso. Preferem acreditar no policial incompetente.

Mas a história foi sensacional. Parabéns... Wilson, o rei do Big Bar, ainda foi chamado de Tiago Lacerda pela sua amada.

Paulinho Mesquita disse...

sem palavras.
só consigo rir!

Pangaré disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Essa é uma das melhores desse blog... Essa dupla é demais mesmo!!!
Como eles conseguem eu não sei...
Vão de "Luana Piovani" a senhoras gordas no big Bar... hauiahuiahuaihaui
Esses dois são incorrigíveis mesmo. Com certeza virão outras histórias deles...

Abraço
Pangaré

Petrô disse...

Sem comentários. Essa história ainda causa danos à minha imagem

dudu disse...

Pedir R$ 20 emprestado pro gás foi demais!

Sem mais para o momento...

Anônimo disse...

E o pior é que a Paty até hoje cobra a dívida do Wilson. Ao ler a história do Taverneiro, ela riu e em seguida, resmungou: ´E ele ainda nem me pagou´. Chora Wilson...

Mas também nesse corcel 76 só não falta multa e irregularidades...

Abraço

Anônimo disse...

Wilson
O seu anônimo medroso , que tem medo de se identificar, mantenho uma ótima relação com a paty e ela não ta puta comigo não , sabe que vou pagar. E não são 20 reais são 10 reais.
o taverneiro a história ta boa.... Mas está muito distorcida.
Abraço

Walisson disse...

Wilson Caloteiro....

Wilson disse...

Devo não pago, nego quando puder...
Caloteiro é a senhora sua avó.

Walisson disse...

Que é isso, Wilson. Assuma sua fama de caloteiro. E pare de falar mal das velhinhas, seres que você tanto ama e zela. E viva a terceira idade... hipócrita

Madame Mim disse...

kkkkkkkkkkkkkkk...
adoro as historias. E adoro essas fotos que tu coloca aí, de que filme é?