quarta-feira, 11 de março de 2009

Os generais no maior front da guerra noturna brasiliense

Se há um lugar nessa Brasíla-véa-sem-lei onde a guerra noturna não deixa derrotados é o Café Cancun - também conhecido como "Cabaré Cancun". Figura ao lado da Roda do Chopp e da A+.com no pódio dos maiores fronts de guerra candangos. Mas guerra meeeesmo. Só canhão. Como costuma dizer um amigo, quando questionado se "brilhou" por lá, a resposta é imediata. "Lógico. Lá é mole". Dia desses, João e Cassiano, uma "dupla do barulho", não precisaram nem mesmo entrar no Cabaré Cancun para receber os primeiros tiros na cara. Ao se aproximarem do front, já avistaram um sem número de catilangas "quicando" do lado de fora do ambiente. E lá a guerra não tem hora para acabar, terminar, esfriar, reiniciar nem nada. É na mesma pegada do início ao fim. Prova disso é a hora que eles chegaram no estacionamento: 4h30 (!!!).

Mas a preparação começou muito antes disso, lá pelas 23h. Em Brasília, temos que conviver com a desgraçada idéia do "toque de recolher". Os bares fecham no máximo 1h da manhã de domingo à quarta e as 2h, 3h nos demais dias. Mas como quem não tem cão caça com gato, há uma alternativa para essa imposição lusitana: postos de gasolina e/ou supermercados 24h. Nessa conjuntura, João e Cassiano até tentaram sentar numa mesa de bar. Mas ao passar em frente a um Big Box 24h desses qualquer, avistaram três dos seus camaradas e uma gatinha do trampo. "Opa! Vamos dar uma paradinha aqui e ver o que esses pulhas estão aprontando". Estavam aprontando nada, só tomando uma cervejinha tranquilamente após um longo dia de trabalho (no estacionamento do supermercado, às 23h30, mas tudo bem...). Mas por lá se estabeleceram até 4h!!!!!!

Nesse íntere, João chegou a receber uma curiosa mensagem de Deoclesiana. Às 2h45! "Oi... onde você está? Queria passar onde você estiver para te dar um abraço". João já havia tomado 8 latinhas de Bhrama Extra, mas pôde traduzir corretamente. "Olha o trem querendo!!!", comemorou, mostrando o celular para seu comparsa Cassiano. Deoclesiana, dias antes, havia se atracado com um outro amigo de João, o Souza. Por isso, João chegou a estranhar. Mas um bom soldado da guerra noturna não tem ética. Quinze minutos depois, João bulinava Deoclesiana freneticamente no estacionamento do Big Box. Tudo assistido por Cassiano. "Parti pra cima da loira mesmo. Tô nem aí. Só não agarrei de verdade porque todos foram embora e só ficou eu, Cassiano e ela. Até que a mãe dela liga e teve que ir embora...".

Com a "festa" minguada depois que os três camaradas, a gatinha do trampo e Deoclesiana foram embora, João e Cassiano, não satisfeitos, decidem continuar a bebedeira em outro canto. "Vamos ligar para o Eudes. Acho que ele está no Cabaré". Do outro lado da cidade, já na fila para pagar, Eudes sente o seu Nokia vibrar no bolso. "Cassiano chamando", brilhava no visor de seu telemóvel. "Moleque... irc.... vem pra cá... irc..... tem várias gostosas... irc.... indóooooooooceis saindo do recinto... irc....". João e Cassiano se armaram com mais duas latinhas e um saquinho de amendoim e se mandaram para o Café Cancun. Chegando lá, por volta de 4h30, não precisou nem entrar. Loiras, morenas, ruivas... calça e shortinhos socados, corpetes estourando e muito som automotivo no estacionamento.

Logo eles avistam Eudes e um amigo, o Chico, ambos completamente embriagados. Chico era um típico playboy do Lago Sul. Filho de pai autoridade, não trabalha, dirige um Civic e gasta horas na academia conversando sobre "suplementos". João descreveu a cena da seguinte forma: "O Eudes estava com um olho eternamente fechado e a boca mole. Já o Chico estava dentro do carro com uma baranga, mas que era uma gostoooooosa. Percebi que ela usava lentes de contato verdes. A amiga, que tentava animar o Eudes, era uma morena no melhor estilo Gretchen, com calça de cetin coladinha, salto e blusinha de onça. Piriguete total. Resumindo? Duas figurinhas típicas do Cabaré Cancun", detalhou Cassiano, com a autoridade de quem já se embrenhou muitas vezes nas "trincheiras" do Cabaré.

Meia hora depois, Chico sai do carro e vai de encontro com os três amigos. Eles o recebem da seguinte forma: "Que porra é essa moleque?! O que tu fez com sua camisa?!". Chico não percebera, mas a baranga que ele comeu dentro do carro estava menstruada, o que deixou a camisa do bombadinho toda manchada de sangue. Era só o início de uma série de acontecimentos hollywoodianos. Pouco depois, já com o sol despontando no horizonte e operários humildes à espera do precário transporte público nos pontos de ônibus, o último carro deixa o estacionamento do Cabaré. Cassiano não hesita em ligar o som do seu humilde Chevette, ano 77. A trilha sonora? MC Créu. Eis então que surge das sombras Colombo, um velho bonachão, barrigudo, calças caindo, terno surrado e gravata frouxa, no melhor estilo "O Rei do Gado" ou "vereador rico do interior". Completamente embriagado e um Souza Paiol no canto da boca. Ao cumprimentar o grupo, Colombo saca um pentinho do bolso da calça e começa a pentear seu bigode de responsa. Uma peça rara. Não demorou muito para já estar enturmado com toda a rapaziada, principalmente com a "gata" de Chico e a amiga-genérica-da-Gretchen.

Todo cheio da propriedade, Colombo se apresentou como fazendeiro. Minutos depois, político. Em seguida, psicólogo, advogado, médico, jornalista, empresário... Não sabia nem mais quem era. As mulheres logo se simpatizaram com o velhote e passaram a dançar agarradinho com o senil, que deixava o tempo inteiro seu "cofre" obsceno à mostra. "Ai meu Deus! Ele está sem cueca!", gritou assustada a genérica da Gretchen. "Estou mesmo, olha aqui o tamanho do bichão...", devolveu, balangando seu instrumento com prazo de validade vencido há anos. Dono da situação, não parava de dar "sardinhas", ou melhor dizendo, "(mo)chibatadas" com sua trolha na bunda das Cancunzetes. João, Cassiano, Eudes e Chico só observavam a situação.

Chegou um momento que até os donos das carrocinhas de cachorro quente se mandaram e com elas as cervejas. Hora? 6h50. Todos seguiram para a última etapa da bagaceira. Postinho de gasolina do Lago Sul. Colombo, sem pedir licença, entra no Civic do Chico junto com as garotas. O velho bonachão estava frenético - apesar de não conseguir pronunciar absolutamente nada inteligível. No posto, tome cerveja. Dessa vez, de garrafa. Os caras usaram as latinhas vazias como copos. Não precisa nem dizer que Colombo dominou todos os debates que foram surgindo. Até como crítico musical ele chegou a se credenciar.

Enquanto isso, as Cancunzetes, no cio, dançando até o chão perigosamente. Ao lado delas, João e Cassiano, mantendo a tradição dos bêbados, não paravam de dar rolamento. A pista suja de óleo e gasolina serviu de tatame. Depois do terceiro rolamento, um surto de sobriedade baixa em João, que olha para o sol rachando e, sabiamente, pondera. "Puta que pariu! O que diabos estou fazendo aqui?". O jovem mancebo deveria trabalhar horas depois. Ao se despedir do bonde da alegria ainda recebe uma proposta indecorosa de Colombo. "Aí gordinho, rola uma caroninha? Eu estou ali no Garvey, nem sei como chegar lá". João, que não é bobo nem nada, se aproveita do estado emocional de Colombo e sugere que fique mais, porque tem coisa boa ali pra ele. "Bicho, fica mais aí, porque as duas me confidenciaram que querem trepar contigo até te matar". Colombo arregala os olhos, encara João e num gesto simplório revela sua decisão. Ele saca novamente o pente do bolso, dá mais uma penteada em seu bigode e se vira para as Cancunzetes. João não quis mais saber. Bateu em retirada, sem olhar no retrovisor.

Dizem que Colombo faturou as perigas. Cassiano dormiu durante três dias seguidos. Chico e Eudes.... esses ninguém tem notícias. Mas a camisa suja de sangue do bombadinho, ainda hoje pode ser vista pendurada na árvore do postinho.

Sem mais para o momento

10 comentários:

Anônimo disse...

PQP!!!!!!
os caras batem recordes atras de recordes!!!
hahahahaha

Anônimo disse...

Inacreditável...

Felipe disse...

Já passei historias bizarras no cafe cancun. Lá é um trem fantasma - um susto a cada segundo. Virou lugar de periguetes de baixo nivel, tipo cabelo amarelo ovo, salto de acrílico e pes de galinha no rosto maqueado por um quilo de himelo, pó e lapis. Ecate!!!

Um amigo certa feita simplesmente botou o pinto pra fora e saiu andando na pista de dança. O mais bizarro é que ele ficou asism vários minutos ate alguem ter coragem de reclamar, ehheehhee...

Anônimo disse...

Hauahuahuaha!! Malditos bÊbAdOs!!!
Explodam o Café Cancun!!!

Leandro Galvão disse...

Pois é. Quando você acha que esses caras não podem ir além, eles aparecem com algo pior. Tenho sete amigos que se revezaram com a mesma baranga, só para zoar. Mas balançar o pinto na pista de dança é imbatível...

Vintão, se explodirem o Café Cancun, o que será de alguns de seus amigos bêbados-putanheiros? :)

Sem mais para o momento

DB disse...

temos que registrar que em mais de um ano de blog, creio que esta é apenas a primeira narrativa sobre o maior puteiro cinico do quadrilatero federativo...estou errado?

Anônimo disse...

hauihauiahuiahi
Como esses caras conseguem???
Essa do coroa penteando o bigode é demais!!!

Mto boa...

Anônimo disse...

Hauauhauahuah!!! "O maior puteiro cinico do quadrilatero federativo"... Boa, Briba! Boa!!!

Leandro Galvão disse...

É verdade DB. Preciso relatar mais "guerras" nesse front. Pauta não falta. Em breve contarei uma no melhor estilo "Guerra do Golfo"

Felipe disse...

Aguardo ansiosamente relatos sobre eventos realizados no Pamonhas e Batatas e no Box sei lá o que, no SIA.

Cordialmente,