quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Complexo de Abe Simpson

"Eu coloco meu celular para despertar, durmo 10 minutinhos e fico zerado. Eu preciso dar essa dormidinha antes de ir pra casa, se não já era...". Jarbas costumava justificar suas tradicionais sonecas das 4h da manhã, no acostamento da Ponte JK, no Lago Sul, dessa forma. Religiosamente, sempre que bebia e voltava tarde para casa, ele encostava sua caranga e tirava um belo cochilo. O celular despertava, ele acordava assustado e seguia seu rumo. Detalhe importante: sua casa não fica a mais de 2 quilômetros do ponto onde ele sempre dormia. Incrível como o bêbado conseguia rodar a cidade inteira sem dormir e a 2 quilômetros de casa, cerca de 3 minutos de "viagem", ele TINHA que dormir. Numa dessas, ignorou o despertador e decidiu dormir mais cinco minutinhos. Acordou todo desorientado, horas depois, com o sol fritando na cara.

Sentir sono após beber alguns drinks é uma conseqüência a que todos estão sujeitos. Fatal. Mas um sono incontrolável, daqueles que as pálpebras parecem pesar 80 quilos, são poucos os infelizes que têm de se confrontar com esse poderoso inimigo. Jarbas, o mesmo da ponte, já foi pego dormindo em pé, segurando um taco de sinuca. Segundo ele, a jogada estava demorando demais e ele resolveu dar uma descansadinha... Em outro episódio, Jarbas contava a um casal de amigos uma história sobre uma tal máquina fotográfica que ele tinha quebrado. Antes que terminasse o conto, caiu em um sono profundo. No meio da história... É o Complexo de Abe Simpson, aquele vovô simpático do desenho animado. Do nada, começa a dormir. Assim, sem mais nem menos...

O Jeremias, um amigo lá da Paraíba, também sofre desse mal, mas num estágio avançadíssimo da "doença". Já dormiu em tudo quanto é lugar. No trânsito, no sofá da casa dos outros, na mesa do bar, no banheiro, no chão... O cara é um verdadeiro fenômeno. Uma vez saiu para beber com dois amigos de trabalho na casa de um deles. Compraram três caixas de cerveja, fritaram umas lingüiças de frango e ficaram falando besteira até as 6h da manhã. O nível alcóolico do trio era de dar medo. Ainda assim, Jeremias, balançando de sono, insistiu em dirigir pra casa. Já a poucos metros de sua morada, pára o carro no balão para dar preferência a outro veículo. "Enquanto esse carro não passa vou fechar o olho um pouquinho para dar uma descansadinha aqui.". O bêbado teve essa brilhante idéia porque o outro carro estava a pelo menos uns 500 metros. Calculou que dava para cochilar uns 15 segundos. Mas "desmaiou". Só acordou com o buzinaço do ônibus escolar, parado atrás dele, querendo passar. Até hoje não sabe se a cochilada durou 15 segundos ou 1 hora.

O mesmo Jeremias entornou tudo quanto é bebida em uma formatura. Saiu de lá por volta das 4h e seguiu rumo ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek - o povo de Brasília tem essa bizarra tradição de ir para o aeroporto após todas as formaturas. Nunca entendi isso... Enfim. Todo mundo lá, ainda celebrando a formatura, falando alto, abraço pra lá, abraço pra cá e Jeremias sente uma incômoda explosão no estômago. "Amor, vou ao banheiro. Preciso cagar. Já volto, tá?". A namorada do sujeito pouco se importou e continuou celebrando. Jeremias seguiu rumo ao alívio. Uma hora depois, a turma sente falta da presença do Jeremias. Todos começam a procurá-lo pelo aeroporto. Mas nada. Nem vestígio. Até que sua namorada diz ter uma remota lembrança de que ele havia avisado que iria ao banheiro. Quando foram verificar, Jeremias estava dormindo, sentado no vaso, com as calças arriadas. Uma cena ridícula. Até foto tiraram.

Outro banheiro já serviu de dormitório para o sonolento Jeremias. Lá na Paraíba. Ele diz que nessa época não bebia metade do que bebe hoje, mas já sofria do Complexo de Abe Simpson. Saiu pra night, todo serelepe. Dançava frenético ao som do hit daqueles tempos: Rhythm of the Night, da Corona. Azarou todas as mulheres do ambiente. Abraçou até as gordas horrorosas. Parecia alguém recém-saído de Alcatraz. Atacando todo mundo. Uma das vítimas, se engraçou mais efusivamente para o lado dele e o convidou até o balcão para tomar um drink, uma espécie de "Moe Flamejante", "Carruagem de Fogo", algo parecido. "Aquela merda bateu no meu estômago e fui direto para o banheiro. Agachei para vomitar, mas não rolou...". Jeremias adormeceu lá mesmo, abraçado ao vaso. Muito tempo depois, acordou dentro da cabine, todo amarrotado, com as costas numa parede e os pés por cima do vaso, "empurrando" a outra parede. "Tentei vomitar. Não consegui. Acordei do nada, umas 5h45 da manhã, e ainda voltei a pé pra casa". Um herói.

Dormir nas mesas de bar é outra especialidade de Jeremias. Uma vez saiu de uma balada do pessoal do trabalho. Começou cedo da noite e terminou cedo também, por volta de 1h. "Vou tomar só mais umazinha e vou para casa", planejou ao sair da festa. Parou num bar perto de sua casa, sentou sozinho numa mesa e pediu uma cerva. O que aconteceu? Jeremias com a cabeça na mesa tirando aquele cochilo. Acordou meio sem graça, deixou o dinheiro da cerva sobre a mesa e tomou seu rumo.

Numa de suas inúmeras viagens brazilzão afora, adormeceu na boate. Fora visitar um primo que não via há muito tempo. Foi pra night com o parente. Entre um drink e outro, a pálpebra começa a pesar. Eles se sentam num sofázinho que havia por ali e continuam a papear. O primo anfitrião resolve ir ao banheiro e Jeremias fica a sua espera, sentado no sofá, com uma long neck nas mãos (quente). O cara começou a demorar. Provavelmente deve ter topado com alguma gostosa no meio do caminho e ficou azarando. Alguns bons minutos depois, retorna para encontrar Jeremias e vê a cena deprimente: um bêbado com a cara amassada, todo estirado no sofá, impedindo todo mundo de sentar. Virou a atração da noite. Até os turistas tiravam fotos "daquilo".

Com ele é assim: bebeu, dormiu. Os amigos precavidos nem saem apenas com ele. Sempre tem que ter alguém para "vigiá-lo", mantê-lo "alerta", enquanto o outro vai ao banheiro ou pegar uma cerveja. Uma vez, durante uma bebedeira, perguntaram para o Jeremias o que acontece com ele , por que ele é assim. A resposta veio rápida, precisa, mas sem final: "bebida comigo, em um certo estágio, passa repentinamente da euforia ao mais abissal dos sonos. Sem que eu me dê conta, eu... Zzzzzzzzzzzzzzzzzz....". Dormiu de novo...

Sem mais para o momento

9 comentários:

Anônimo disse...

E viva o vovô Simpson!

Sem mais para o momento...

DB disse...

se eu pudesse eu matava mil...ele acabou de me garanteir aqui que não tiraram foto dele no banheiro do aeroporto!
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Anônimo disse...

ei! faltou a clááássica história do cochilo no cinema de campina grande. dani, tu que é amigão do jeremias, conta aí, vai...

Paulinho Mesquita disse...

AuahuAhaUhAUAHuAHuAhAUhAuha
Grande Jeremias. A da paradinha no balão é fantástica!!

Ana Clara disse...

Esse Jeremias! Emenda mais não...

Anônimo disse...

so tem historias de bebados aqui...

Leandro Galvão disse...

Mas essa é a proposta desse espaço. Na "cara" do site está estampado: "Um blog de bêbado para bêbados"...

Ana, por isso que eu não contei o episódio do cinema de Campina Grande. Ele não tinha bebido nada :)

Sem mais para o momento

Felipe disse...

Essa do aeroporto é clássica.

Mas ja vi Abe Simpson na Landscape encarnando Vanucci. "É preciso mudar..."

"Zambrotttttaaaa!!!"

"Tottiiii"

"Ahhhh Itáliaaa"

Anônimo disse...

Hahuahauhauhauahauhauhauhauahuahuah!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
hahahahahahahahahahahahah
PQP!!! Grande Jeremias!