“Caralho! Caralho! Caralho! Caralho! Meu pai vai me matar, cara! Caralho! Estou fodido. Muito fodido, bicho. Estou muito fodido mesmo! Puta merda! Estou fodido”. O desespero apocalíptico de Jônatas era justificável e tinha nome: o grande Jeremias, figura já apresentada por aqui no emblemático texto intitulado “Complexo de Abe Simpson (leia aqui)”. No início da corrente década, Jeremias ainda era um reles repórterzinho foca, com salário esmagado de R$ 1.200,00 (bruto), que devia durar 30 dias para o aluguel, gasolina, contas de luz, telefone, condomínio, comida... Mesmo assim, sempre sobrava um restinho para tomar uns drinks com seus convivas. Numa noitada com o amigo Jônatas, a farra acabou mal. “A gente foi naquele bar de maconheiro da 305 norte. Era só para tomarmos uma gelada, mas enchemos a rabiola e fomos parar na Happy News”, revelou Jeremias, referindo-se ao extinto reduto de playboys e barbies que havia no Píer 21.
Nessa filial de Beverly Hills em Brasília, Jeremias e Jônatas partiram pra guerra com a faca entre os dentes e sangue no olhar. Avistaram a primeira dupla de gatinhas dando mole e chegaram junto. Não demorou muito e Jônatas já estava “sintonizando o rádio” na loirinha e trocando salivas no canto do balcão. A amiga morena era uma gata, segundo Jeremias. Como se não bastasse essa qualidade, ela dava o maior mole para o comédia. Dançaram freneticamente e tudo mais. Mas sabe-se lá porque cargas d´agua o imbecil mentiu.
- Ei, eu lembro de você! Você é o Jeremias, né? Cara, eu estudei contigo na quarta série!!! É você mesmo! Nossa! Quanto tempo...
- Não, não.... você está me confundindo. Eu me chamo Alexandre.
- Nossa! Estudei com um garoto muuuuuito legal que era a sua cara...
- Não... eh.... ahn... eh.... na verdade, eu não sou Alexandre. Eu sou o Jeremias mesmo.
- Aaahhh cara, qualé? Tá me achando com cara de otária? Vai passear vai. Mané...
A “ratada” de Jeremias lhe custou o papel de “vela” durante o resto da noite. “Se eu tivesse admitido que era o Jeremias, tenho certeza que eu brilharia naquela noite”. Puto com a situação, Jeremias começou a entornar tequilas no balcão. Convidou Jônatas e sua gatinha a acompanhá-lo nos drinks. “Já que vocês vão se pegar a noite inteira, aceitem minha cortesia. Tomem tequila comigo. Eu pago”. Como o idiota já havia enchido a rabiola de cerveja, o efeito da tequila em seu organismo foi multiplicado por mil. “Fiquei remoendo a tequila no bucho encostado no balcão, enquanto eles dançavam serelepes na pista. Não sei se tinha pesado mais a burrice da tequila ou de azarar a gatinha com nome trocado”, lamentou Jeremias.
Lá pelas tantas, Jônatas, com o
“bichão” em riste, chama Jeremias no canto e avisa discretamente.
“A mulher está quicando e eu quero ejacular. Vou levá-la para o Motel Colorado”. Jeremias, numa situação complicada, sugere ir dirigindo o carro do amigo até

o bar de maconheiros da 305 norte, onde havia deixado o seu carro.
“Eu dirijo seu carro e você curte as preliminares no banco de trás com ela. De lá, eu desço e você manda ver”. E lá se foram. Jeremias como o chofer e Jônatas metendo a mão na loira em tudo quanto é lugar, no banco de trás. Dez minutos depois de trajeto, próximo de um viaduto, Jeremias, um ás no volante quando sóbrio, dá uma cochiladinha e o Escort prata, ano 99 do pai do amigo, foi de encontro ao meio fio. Por muito pouco não desceram o barranco. O casal seminu no banco de trás foi parar no porta-luvas. O carro ficou destruído. Empenou tudo, amassou as rodas e comprometeu toda a suspensão. Jeremias não sabia onde enfiar a cara.
“Sabe aqueles barulhos de carroça? Era um barulho muito louco, constrangedor”.
Ao se dar conta do estrago, Jônatas era um misto de indignação e pânico. “Caralho! Caralho! Caralho! Caralho! Meu pai vai me matar, cara! Caralho! Estou fodido. Muito fodido, bicho. Estou muito fodido mesmo! Puta merda! Estou fodido”. Jônatas repetia isso sem parar. Só mudou o discurso quando perguntou ao gente boa que havia detonado seu carro como aquilo foi acontecer. Na maior cara de pau, ele inventou na hora uma história ridícula. Para o casal "Brasileirinhas", Jeremias disse ter se animado com a sacanagem deles no banco de atrás e ficou olhando no retrovisor. "A putaria estava forte e acabei perdendo a concentração. Melhor do que dizer que tirei um inocente cochilinho, né?", comentou comigo o jovem soneca.
Ainda em estado de choque, Jônatas pediu para que o carro fosse levado até o posto mais próximo. Lá chegando, Jeremias, o mestre da cara de pau, fingia que estava tudo bem, mesmo ao reparar as rodas totalmente empenadas, com o carro fazendo um barulho de carroça. "Ah... isso a gente dá um jeito". O bêbado cara de pau ajoelhou no asfalto, abraçou o pneu com toda sua força e tentava empurrá-lo pra dentro. "Estava pior do que a Torre de Pisa. Constrangimento total". Jônatas se emputeceu com aquela cena e convidou Jeremias a ser levado para casa. A foda dele já tinha ido por terra mesmo...
No dia seguinte, Jeremias acorda com uma ressaca nível 10 - numa escala onde o zero é "soninho de bebê" e o 10 é "estado pré-coma". Pega um gatorade na geladeira, sua caneta, bloquinho e crachá e vai pra labuta. A pauta do dia não poderia ser pior: "audiência pública para discutir regularização dos quiosques de Brasília". No percurso até a pauta, no carro do jornal, junto com motorista e fotógrafo, Jeremias parecia um boneco de posto, de tanto que balançava a cabeça. Não aguentou cinco minutos de trajeto e vomitou até sua medula. Detalhe: janelas fechadas. "Foi puro gatorade de tangerina. Ficou aquele cheiro de desgraça no carro durante semanas".
O motora gente boa apelidou o reportezinho foca de "vomitão". Ninguém mais o chamava de Jeremias. No dia do pagamento, dos R$ 1200 (sem os descontos) de salário, o iluminado teve de subtrair R$ 800 para pagar as despesas do carro que bateu. Já a amizade entre Jônatas e Jeremias ficou pra sempre abalada. Seis anos já se passaram da "inocente cochiladinha" e eles nunca mais saíram juntos. A única vez que se viram foi num amigo oculto, quando, por ironia do destino, Jônatas tirou Jeremias e deu de presente um reles porta-retrato. Hoje, Jônatas está casado e eliminou todo e qualquer contato com Jeremias. Este se mudou para outra cidade, ficou careca, 12 quilos mais gordo e bebe como nunca. E, claro, continua tirando seus cochilinhos inocentes por aí...
Sem mais para o momento
9 comentários:
uma tremenda injustica com o jeremias...
Eu descobri fácil quem é o jeremias... a ultima frase entrega tudo.
né?
Não tem nada de injustiça caro DB. O próprio Jeremias me contou toda a história. Detalhe: está tudo gravado no gtalk... :)
Sem mais para o momento
Realmente foi muito fácil identificar quem é o Jeremias. Apesar de não ver o figura há muito tempo, tenho acompanhado o "desenvolvimento físico" do sujeito por fotos. História SENSACIONAL!
Sem mais para o momento...
Até hoje, quando pego um carro para ir às pautas, escuto falar do tal "vomitão", mas até então não sabia quem era! kkkkkkkkkkkkkkk!!!
Francamente, Jeremias!!!
Muito boa!!!
Além de estragar o carro o cara ainda acaba com a noite do amigo... Isso realmente abala a amizade! hauiahuiahuiahuai
estragou o carro do amigo, abalou a amizade, empatou a foda e ainda deixou o carro do jornal com cheiro de gatorade tangerina/vômito!
Beleza, hein Jerê!!
pior de tudo, confesso, foi voltar com a marca de pneu nos peitos...por que, djabos, eu fui inventar de consertar a merda abracando aquela roda? de resto, como diria o filosofo, faz parrrrrte...
Gosto muito dessas histórias de bebedeiras.
Bjos
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