"Olha pra cá filha", "sorria", "olha a foto", "canta"... E a filha pensando: "Que mico pai! não me faça passar vergonha! Olha pra lá. Minhas amigas vão rir da minha cara". Isso deve acontecer com os pais de adolescentes, né? Mas os pais de crianças são piores. Acredite. As criancinhas só não se manifestam tão efusivamente quanto os adolescentes. Ainda bem.
O convite na agenda avisava que às 8h30 haveria apresentação especial de Natal na escola da filha de 3 anos (quase 4). Como diria o senhor Acrisio, um velhinho gente fina demais, o pai babaca (como diria Fausto Silva) acordou "em cima da bucha" e saiu correndo para chegar a tempo. Entrou no auditório e a filha já subia no palco. Toda arrumadinha.
Pois bem. O pai babaca se prosta no pé do balco, enfia a mão no bolso e se dá conta que esqueceu a máquina fotográfica. Não dá tempo de voltar no carro para pegar, pois a princesinha já se preparava para entoar seu cântico natalino, muito bem ensaiado com a Tia Rose. O jeito é apelar para o celular. Mal começa a apresentação, o babaca (e outros tantos babacas como ele) já começa a acenar, chamando a atenção da filha. Timidamente (ainda). Mas o fez. A filha, tímida como o tal, avista o pai, vê aquilo e abaixa a cabeça, como se dissesse: "nossa, que vergonha. Sai pra lá pai". Perseverante, insistiu em chamar a atenção da criança para uma foto. O máximo que conseguiu foram sorrisos rápidos. Alguém deveria ter dito a ele (e aos outros) que aquilo tira a concentração da gurizada e pode atrapalhar o espetáculo.
Termina a apresentação. O cara praticamente sobe no palco. "Dá um abraço aqui no papai filhona. Você estava linda". Ela finge que não vê. Entra na fila organizada pela Tia Rose, de mãos dadas com as coleguinhas, e segue o protocolo. Resta ao sujeito, sentar-se e esperar pelo fim da cerimônia. Vinte minutos depois, o "árbitro ergue o braço", dá fim à apresentação da educação infantil. O pai babaca estica o pescoço procurando a filha. Vê que ela se desprende do grupo e fica na frente do palco de pescoço esticado, olhos curiosos, procurando pelo pai na platéia. Ele percebe que a garotinha o procura, levanta, vai em sua direção. Cena de filme da Sessão de Sábado: ela percebe a aproximação, abre um sorriso largo e antes que ele chegue ao palco de aproximadamente 1,5m, pula nos braços do, até ali, pai babaca, dá um abraço, um beijo na boca e diz: "te amo papai. Eu tava linda?". Foi pra casa pensando: "às vezes, vale a pena ser babaca assim, né?"
Sem mais para o momento...
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
O pai babaca...
Postado pelo taverneiro
Leandro Galvão
às
10:12
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9 comentários:
Só depois que me tornei uma babaca, pude perceber que a vida só tem graça depois delas. Já imaginou sua vida hoje sem a sua pequena? Eu nao consigo! Seria sem graça, sem sal. Quanto a vergonha, é normal de criança, mas no fundo, bem lá no fundo, elas amam. Parabéns, vc é um SUPER PAI! Ao contrario de "umas e outros"...
Babão!!
Que coisa mais linda moleque! Eu fiz exatamente isso no do "meu filho"......Só que vc sabe que sou mais estérico que vc, então imagino o mico....
Que lindo!!!
Me emocionei aqui imaginando a cena da Mel correndo para os seus braços...
Pai babão mesmoooooooo!!!
Lindo relato...
No dia do meu aniversário teve apresentação de Natal do Marcelo. A turminha dele, Berçário II, só ficou em cima do palco andando de um lado pro outro, isso quando a professora pegava na mão e puxava senão eles só ficavam parados ouvindo a música tocar. E eu estava lá, toda babaca achando a coisa mais linda do mundo, toda emocionada. Ai ai, hoje sei que não vivo mais sem!
Iiiitchiii neném!!! Guti guti!
Nossa! Vale ser babaca sempre. Curta muito sua filhota, o tempo passa rápido.
Beijos, abraços, cocégas, apertos, colo, carinho, rodá-la, vale tudo....
Muito lindo! Um dia serei uma babaca dessas também. E acho que vou adorar!
Beijo
Vc ta connfundindo. O filosofo fausto silva diz: "o tio babaca"
Es verdad compañero DB. Mas está valendo do mesmo jeito. Amanhã eu vou atualizar isso aqui com um super post gigante.
Sem mais para o momento...
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