quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Sampa City – A cidade do pecado - Parte II

Depois do abandono nas ruas de São Paulo, levantei a cabeça e avistei um daqueles relógios no meio da rua e reparei: 02h07, 13º (!!!). Coloquei a mão no bolso e achei apenas algumas moedas sujas. Mendes, o bêbado, nem isso tinha. Nós dois tínhamos largado tudo na conta-gorda do "barzinho show de bola" indicado pelo menino-garoto. Nesse momento, o trio de ouro se entreolhou, como quem diz: “e agora negada? fo-deu”.


Mas, ávidos por sangue, destruição e mais drinks, os três não deixaram a noitada acabar ali, no meio da deserta e gélida Avenida Paulista. Pularam para dentro de um táxi sem saber como pagariam. Sem pestanejar, o menino-garoto vira para o taxista e diz: “ô grande... queremos que você leve a gente para algum agito”. O gente boa disse que cobraria 25 pratas para nos levar à Vila Olímpia. Chegando lá, só tinha seus amigos taxistas, alguns vira-latas perambulando pelas calçadas e dois ou três transeuntes, perdidos como nós. Começava ali mais um drama para os três. E agora? O nobre taxista, espertinho como todo e qualquer profissional do ramo, solta essa: “olha, eu não vou mentir pra vocês. A uma hora dessas, vocês só vão encontrar agito na Rua Augusta”. Como um coiote babando pela presa, o menino-garoto dar aquela risadinha e balança a cabeça fazendo sinal positivo. Lá se foi o trio de ouro (e SOLTEIRO, é importante dizer) para mais uma aventura madrugada adentro.

Chegando na Rua Augusta, a tensão foi grande antes mesmo de descer do táxi. Figuras que pareciam ter saído direto do filme Um Drink no Inferno, de Robert Rodriguez com a chancela de Quentin Tarantino. Outras não seriam nem figurantes em filmes de José Mojica Marins, o folclórico Zé do Caixão. Havia de tudo: putas-pagas, cafetões, cafetinas, traficantes, viciados, playboys, barbies (!!!), manos e minas da pesada. Esses espécimes formavam a fauna daquela região hostil.

O cardápio era vasto. Uma rua inteira cheia de casas de putas pagas. Os empresários do sexo-fácil se degladiavam para conseguir convencer o trio de ouro de que suas respectivas casas eram as melhores. Eis que um insistiu para que entrássemos. Tentamos negociar o ingresso. O poder de barganha do menino-garoto era de dar inveja a qualquer tia que faz compras na Rua 25 de Março: “ô grande... deixa eu entrar lá para ver como está o movimento. Eles (Mendes, o bêbado e eu) ficam aqui fora me esperando”. O menino-empresário-agenciador-de-diversão vai lá dentro, avalia a situação e volta com um sorrisinho maroto. O veredicto: “Pô... pra essa hora da night tá de boa aqui. Tem umas mulherzinhas show de bola”. Eu e Mendes, o bêbado, ficamos desconfiados. Afinal de contas, foi dureza a última vez que a gente ouviu do menino-garoto a expressão "show de bola". Mas, burros (e bêbados), fomos na dele.

Entramos. Bastou andarmos TRÊS metros dentro daquele "respeitoso recinto de moças virgens" e tivemos mais uma decepção. Eu e Mendes, o bêbado, nos entreolhamos e pensamos: “vamos matar este moleque. Agora!”. Numa rápida avaliação com meus olhos de lince contabilizei 17 dentes somando os de todas as meninas do local. DEZESSETE DENTES!!!! A mais bonita tinha 80 quilos e uma cicatriz na cara. Só me restou ir direto para o balcão do bar, pedir uma Skol (que estava quente) e fiquei observando o movimento e batendo papo com meu amigo Mendes, o bêbado, e agora puto com o menino-garoto.

O menino-garoto, que fingia não ser bobo, não quis nem saber do balcão. Foi direto à caça, desmanchando o trio de ouro. Bastaram 3 segundos e ele escolheu uma virgem para azarar. Uma loira pintada, feia que nem o diabo e que as coxas tinham a mesma aparência de areia mijada ou um muro chapiscado de tanta celulite. Uma coisa horroroooooosa. Danadinha, ela já sentou no seu colo e o menino-garoto ficou a fazer carícias na moça. Eu e Mendes, o bêbado, abalados, ficamos só observando aquela visão do inferno. De repente, percebemos que o figura já está distribuindo beijinhos pelo cangote, orelha e rosto da moça. Pensei em arrancar ele de lá e sair correndo. Mas precisava ver até onde ele chegaria.

Entre uma encoxada e outra, a moça insistia para sentir o corpo esguio e nu daquele rapaz dentro dela. Por diversas vezes, fizemos a leitura labial do Fantástico e deciframos o que ele dizia para a moça virgem repetidamente: “eu não pago pra comer mulher. Eu não pago pra comer mulher”. Hipócrita... Minutos depois, enconstados no balcão, avistamos o belo casal atravessando a pista de dança e entrando nos quartos daquela casa de família. Pensamos: "puta que pariu. Dessa vez ele foi longe demais". Mas antes que conseguíssemos chegar perto dele, o garoto já havia atravessado uma cortina vermelha. Fazer o que? Voltamos para o balcão e esperamos. DEZ minutos depois o menino-garoto sai de lá cambaleante. Mendes, o bêbado, e, agora, perplexo, se volta para mim e grita: “puta que pariu!!! O moleque comeu aquela monstra?!?!?!?!”. Só balancei a cabeça em sinal de desaprovação.

Serviço feito e com o Mendes, o bêbado, passando mal de tanta bebedeira, decidimos ir embora. Pedi a conta para o garçom. Na comanda (que era única para os três), quatro cervejas e um ICE de R$ 30,00!!!! No balcão, pergunto aos dois: “Caralho! Quem foi o burro que pediu um Ice de R$ 30,00?!?!? Instantaneamente, a mocinha do caixa começa a rir. Obviamente, ela já sabia o que era um "Ice de R$ 30.00". Embaraçado, o menino-garoto confessa a manobra. "Fui eu...". Incrédulo, tive que perguntar: "Porra! Tu é burro???". Ele ficou calado.

No caminho, já dentro do táxi, ele conta uma história difícil de acreditar: “A mulher me chamou para ir ao banheiro e acabou me levando para o quarto. Mas eu disse pra ela que eu não pago pra comer mulher. Ela disse ‘relaxa gatinho, vou fazer só um boquete mesmo, porque eu estou a fim'. Mas aí entrou o cafetão e disse ‘aí playboy, entrou aqui vai ter que pagar pelo quarto'. O cara pegou minha comanda e anotou como se fosse um Ice.”. E lá se foram 30 mangos em um reles boquete de CINCO minutos de uma puta-mal-paga. Quer dizer, em um "ICE", né? Mas o melhor foi o taxista olhar pra trás depois de ouvir essa e perguntar ao menino-garoto: "porra mano, tu é burro???"

Sem mais para o momento....

* Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos envolvidos nessa história real.

P.S.: Todos estavam solteiros

10 comentários:

Anônimo disse...

Puta q pariu hein !!!
Mas esse menino - garoto é burro!!
Ri demais , ótima história .
Abraços .

Anônimo disse...

Ainda bem que esse tal menino-garoto não estará com vcs no Rio de Janeiro hein... AFF!

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mlk, com certeza essa história será a vencedora!!!!
O "Menino-garoto-burro" é demais. Até o taxista sacaneou o cara...
To dando pala de risos aqui!!!
Que aventura amigo. Coisa de filme isso.
Muuuuuuuuuito bom o texto Popus.

Abraços

PS: Meu sonho é conhecer esse "Menino-garoto"
ahuiahuiahauihauihauihauiahuiahuiah

DB disse...

oooo menino garooooootttoooo!!!!

Paulinho Mesquita disse...

Nossas vidas jamais seriam as mesmas sem o menino-garoto...

Anônimo disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.... sem comentários.
Depois me conta do show. Acho que vou ficar em casa escutando o CD mesmo...hehehe
Semana que vem tem cervejinha, né?!
Beijos

Anônimo disse...

Nada melhor do que começar a sexta-feira lendo isso.
Muleque, bom demais!
E viva o menino-garoto!
Sem mais para o momento...

Bruna K Marques disse...

tsc tsc tsc...
E eu que pensava que vcs eram meninos garotos sério.
Lamentável!
Ainda bem que nessa epoca só tinhamos ido ao show do Ludov. Nem beijo na boca.

Ederson Marques disse...

uma história para sempre... quem viveu, viveu. hahahaha uma ICE por R$ 30,00... parece brincadeira... ótima noitada.

Paula Barros disse...

Acontece cada uma comigo que penso que meu anjo da guarda tem um pouco a ver com esse " o menino-garoto".

Neste final de semana o meu anjo-o menino-garoto aprontou de novo, e não sei como contar só penso em vc contando.Qualquer dia peço ajuda.


http://pensamentosefotos.blogspot.com