terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sampa City – A cidade do pecado - Parte I

Era para ser uma simples viagem de compromissos em São Paulo e planos para um futuro melhor. Mas o que se sucedeu desde o momento do embarque foi uma série de momentos marcantes. A avalanche de desgraças e/ou momentos inacreditáveis começou já no aeroporto internacional Juscelino Kubitschek. Eu chego completamente embriago – havia virado a noite em uma festança do pessoal da faculdade – e me deparo com uma situação assaz inacreditável. Um amigo – que daqui pra frente vou me referir a ele como "o menino-garoto"* – me aparece com uma mala enorme, cheia de bagagem. Tudo para passar DOIS dias fora de casa. Só DOIS dias! Ali desconfiei da masculinidade do menino-garoto.

Já no avião foi a vez do menino-garoto ficar impressionado com uma situação deveras constrangedora. Este humilde mancebo que vos narra os fatos estava com um cheiro de desgraça, exalando cerveja por todos os poros, salivando como um cão raivoso de tanta sede e não conseguia sustentar a cabeça parada, de tão embriagado. O menino-garoto, preocupado, insistia por um copo d´agua, mas a aeromoça não foi com a nossa cara e fingia esquecer.

Com apenas 10% das minhas condições vitais, meu desespero aumenta quando descubro que o avião faria uma escala em Goiânia. O burro do menino-garoto não tinha me avisado disso. Terminada a escala, a maldita aeromoça nos consegue dois copos d´agua. Pego os dois e lanço o nobre líquido goela abaixo.

Finalmente chegamos na terra da garoa. O menino-garoto continuava chocado com meu estado físico-emocional-espiritual-transcendental. Qualquer coisa que ele dizia eu só conseguia responder: "estou arrasado. Preciso apenas dormir". Chegando no hotel, fico assustado com o nível frenético do garoto. Ele queria sair para fazer algo. Já! E eu só conseguia repetir: "estou arrasado, estou arrasado...".

Fico no hotel dormindo e recuperando minhas funções vitais. O menino-garoto vai se encontrar com um outro amigo nosso, que o chamarei de "o discursos-genéricos-futura-chiliquenta"* (mais à frente entenderão o "futura"). A dupla vai se infiltrar entre os manos do Corinthians, no Pacaembu, no, então clássico, com o São Paulo. O que eles fizeram eu não sei. Mas desconfio que eles tiveram uma noite caliente. O menino-garoto voltou só no outro dia para o hotel (sem comunicar o fato) e tinha um caminhado estranho, com as pernas em forma de alicate, típico de um cowboy, sabe? Pois é... cada um com seus problemas.

Chega a noite e com ela vem Mendes, o bêbado*. Direto de Fortaleza, o cara chega com umas histórias que só ele poderia protagonizar. Só para citar uma: na cidade cearense, para onde viajou sozinho, ele comprou uma garrafa de vodka e outra de Fanta. Ligou a televisão. Preparou o famoso HI-FI e ficou bêbado no quarto do hotel, assistindo ao Domingão do Faustão. Sozinho!

No dia seguinte, já com as funções vitais em dia, o quarteto vai à prova do Estadão (motivo oficial de nossa viagem). Depois que todos terminamos, combinamos de nos encontrar à noite e enfiar o pé na jaca. As estripulias do menino-garoto aumentaram consideravelmente neste dia. Depois de passar a tarde inteira no hotel cantando hinos de times brasileiros, sambas, pagodes, funks (acho que ele pensava estar em um show de calouros) e até ensaiar uma coreografia de alguma arte marcial – que eu desconfio que seja de Ai Ki Dô – o cara despeja uma série de besteiras na noite paulistana.


A PRIMEIRA: "Vamos num barzinho show de bola que eu conheço. Já falei com o discursos-genéricos-futura-chiliquenta". Eu e Mendes, o bêbado, pobres mancebos inocentes, fomos na do menino-garoto. Chegando lá, o discursos-genéricos-futura-chiliquenta não está. Ligamos insistentemente no celular do cara e nada. Partimos pelas ruas à procura de alguém e de algum cachorro-quente para preparar o estômago para as dezenas de litros de chopp que mergulhariam ali. Esperto e prestativo, o menino-garoto vai pedir informações a dois cidadãos paulistas muito bem dispostos: um mendigo podre de bêbado e um traveco feio pra caralho!!! O cara, que estava com um cheiro semelhante ao meu quando entrei no avião, queria nos levar até onde queríamos. Mas pedia a humilde contribuição de um celular(!!!). Coisas que só o menino-garoto pode nos propiciar...

A SEGUNDA: Depois de nos desvencilharmos do bêbado, conseguimos encontrar o discursos-genéricos-futura-chiliquenta. O barzinho show de bola que o menino-garoto dizia conhecer era a coisa mais playboy que eu já tinha visto na minha vida. Parecia estar em Beverly Hills. O alimento do cardápio menos oneroso custava R$ 21,00 e não passava de quatro unidades de pastel! Eu e Mendes, o bêbado, nos entreolhamos e queríamos matar o menino-garoto. Lá, nos juntamos à irmã do discursos-genéricos-futura-chiliquenta, ao próprio discursos-genéricos-futura-chiliquenta, uma amiga da irmã do discursos-genéricos-futura-chiliquenta e ao namorado da irmã do discursos-genéricos-futura-chiliquenta. Ah! E a uma amiga do discursos-genéricos-futura-chiliquenta.

A mesa estava bonita, é verdade. Mas doía a cada vez que o garçom vinha à mesa. Menino-garoto, um cara esperto que só ele sabe ser, avista a gatinha (a segunda mulher que mais bebe e fuma que eu já conheci) e senta ao lado dela. Com seu jeito galante e postura esguia começa a tecer elogios à garota (ela realmente era bem bonita). Eu e Mendes, o bêbado, ficamos na outra ponta da mesa só observando o fracasso do nosso camarada.

Enquanto isso, discursos-genéricos-futura-chiliquenta vem com mais um de seus discursos baratos. O cara não tem pudores. Faz às vezes de cara sério mesmo, com seus discursinhos que só enganam ingênuas moças de família. Até cara de intelectual esboça. Eu resolvi entrar no jogo. Sentado ao lado da bela moça (uma delas), comecei a atacar pelos flancos. Mas não dava. A pressão da torcida era muito forte e o adversário jogava no retrancado esquema 3-5-2, com dois cabeças de área. Estava difícil "penetrar" na área. A situação piorava quando alguém da arquibancada evocava um discurso genérico ou jeito de menino-garoto-e-galante. Tirei meu time de campo e fiquei com a cerveja. Essa sim, sempre me dá mole.

Quando resolvemos pedir a conta, aconteceu aquilo que eu previa na hora que entrei no lugar: "vai dar merda". A conta veio em R$ 423,00. Isso porque o menino-garoto disse que o barzinho era show de bola. Talvez isso tenha deixado o nosso amigo dos discursos um pouco nervoso (como vão poder perceber mais adiante), ou talvez tenha sido o estado de embriaguez de todos da mesa, ou quem sabe o fato de ele ter que viajar às 8h. Não se sabe. O fato é que de repente ele começou a bancar o cara certinho da história. Bateu boca com sua irmãzinha, fez cara feia e tudo mais. Mas, em um momento de sobriedade, quando ele voltou ao seu verdadeiro eu e, cara gente boa que é, ofereceu para mim, o menino-garoto e a Mendes, o bêbado, uma carona para algum lugar. Lógico, aceitamos.


o Pití: Já se passavam de 1h da madrugada. O veículo transportava pelas complicadas ruas de São Paulo SETE inveterados bebedores de cerveja. Eis que do alto da fria madrugada paulistana e cansado de tanto rodar pelas ruas sem saber onde nos deixar, o discursos-genéricos-e-AGORA-chiliquenta bate o pé, dá pití e larga três pobres crianças no meio da Avenida Paulista, sem dinheiro (!!!), sem rumo, bêbados e com muuuuito frio. Mas aquilo não abalou o trio de ouro. Eles entraram em um táxi - que foi parado pelo amigo dos discursos - foram curtir a noite. Já estavam fodidos mesmo. Nada poderia ser pior. O foda é que o menino-garoto aprontou poucas e boas dali em diante. Mas isso será contado daqui a dois dias, quando aí sim serão reveladas as piores estripulias do menino-garoto...


Sem mais para o momento...
* Os nomes são fictícios para preservar a identidade e reputação dos personagens dessa história real que só tem a piorar

LEIA A SEGUNDA PARTE DA HISTÓRIA

7 comentários:

Anônimo disse...

Que fase hein! só faltava eu nessa viagem pra ela ficar mais divertida!! ahahahhuahuahua

Iêda disse...

Atendendo a 2463 pedidos voltei para meu blog!!!

ehheeh
bjs

Paula Barros disse...

adoro suas histórias. Acho que me identifico pelo lado avesso, o lado que nunca fui. E que ainda penso que dá tempo de ser.

aguardando o resto da história

Paulinho Mesquita disse...

AUhauAhaUHAUaHuAHuAHAU
Caralho...to dando pala aqui!!
Imagina! "Menino-garoto" é demais pra mim!!

Anônimo disse...

haiuahiuahaiuahiuhaiu
Só o "Menino-garoto" mesmo!!! Ri demais com essa história. Só acontece com vcs mesmo...
Vou acompanhar o resto.

PS: Vc tem que agilizar essas histórias pra rolar a votação da melhor do ano!

Abraço

Anônimo disse...

Inimigo Disse
Menino -garoto Muito bom ,Excelente ,estou ansioso para ver a segunda parte.
Abraço.

Toty Freire disse...

rapaz, esse discursos-genéricos-chiliquenta é um filho da puta... que cara mais irritadinho!

hehehe.. boa história! contada de uma forma que só o pópus sabe contar... abçs