Era para ser uma simples viagem de compromissos em São Paulo e planos para um futuro melhor. Mas o que se sucedeu desde o momento do embarque foi uma série de momentos marcantes. A avalanche de desgraças e/ou momentos inacreditáveis começou já no aeroporto internacional Juscelino Kubitschek. Eu chego completamente embriago – havia virado a noite em uma festança do pessoal da faculdade – e me deparo com uma situação assaz inacreditável. Um amigo – que daqui pra frente vou me referir a ele como "o menino-garoto"* – me aparece com uma mala enorme, cheia de bagagem. Tudo para passar DOIS dias fora de casa. Só DOIS dias! Ali desconfiei da masculinidade do menino-garoto.
Já no avião foi a vez do menino-garoto ficar impressionado com uma situação deveras constrangedora. Este humilde mancebo que vos narra os fatos estava com um cheiro de desgraça, exalando cerveja por todos os poros, salivando como um cão raivoso de tanta sede e não conseguia sustentar a cabeça parada, de tão embriagado. O menino-garoto, preocupado, insistia por um copo d´agua, mas a aeromoça não foi com a nossa cara e fingia esquecer.
Com apenas 10% das minhas condições vitais, meu desespero aumenta quando descubro que o avião faria uma escala em Goiânia. O burro do menino-garoto não tinha me avisado disso. Terminada a escala, a maldita aeromoça nos consegue dois copos d´agua. Pego os dois e lanço o nobre líquido goela abaixo.
Finalmente chegamos na terra da garoa. O menino-garoto continuava chocado com meu estado físico-emocional-espiritual-transcendental. Qualquer coisa que ele dizia eu só conseguia responder: "estou arrasado. Preciso apenas dormir". Chegando no hotel, fico assustado com o nível frenético do garoto. Ele queria sair para fazer algo. Já! E eu só conseguia repetir: "estou arrasado, estou arrasado...".
Fico no hotel dormindo e recuperando minhas funções vitais. O menino-garoto vai se encontrar com um outro amigo nosso, que o chamarei de "o discursos-genéricos-futura-chiliquenta"* (mais à frente entenderão o "futura"). A dupla vai se infiltrar entre os manos do Corinthians, no Pacaembu, no, então clássico, com o São Paulo. O que eles fizeram eu não sei. Mas desconfio que eles tiveram uma noite caliente. O menino-garoto voltou só no outro dia para o hotel (sem comunicar o fato) e tinha um caminhado estranho, com as pernas em forma de alicate, típico de um cowboy, sabe? Pois é... cada um com seus problemas.
Chega a noite e com ela vem Mendes, o bêbado*. Direto de Fortaleza, o cara chega com umas histórias que só ele poderia protagonizar. Só para citar uma: na cidade cearense, para onde viajou sozinho, ele comprou uma garrafa de vodka e outra de Fanta. Ligou a televisão. Preparou o famoso HI-FI e ficou bêbado no quarto do hotel, assistindo ao Domingão do Faustão. Sozinho!
No dia seguinte, já com as funções vitais em dia, o quarteto vai à prova do Estadão (motivo oficial de nossa viagem). Depois que todos terminamos, combinamos de nos encontrar à noite e enfiar o pé na jaca. As estripulias do menino-garoto aumentaram consideravelmente neste dia. Depois de passar a tarde inteira no hotel cantando hinos de times brasileiros, sambas, pagodes, funks (acho que ele pensava estar em um show de calouros) e até ensaiar uma coreografia de alguma arte marcial – que eu desconfio que seja de Ai Ki Dô – o cara despeja uma série de besteiras na noite paulistana.
A PRIMEIRA: "Vamos num barzinho show de bola que eu conheço. Já falei com o discursos-genéricos-futura-chiliquenta". Eu e Mendes, o bêbado, pobres mancebos inocentes, fomos na do menino-garoto. Chegando lá, o discursos-genéricos-futura-chiliquenta não está. Ligamos insistentemente no celular do cara e nada. Partimos pelas ruas à procura de alguém e de algum cachorro-quente para preparar o estômago para as dezenas de litros de chopp que mergulhariam ali. Esperto e prestativo, o menino-garoto vai pedir informações a dois cidadãos paulistas muito bem dispostos: um mendigo podre de bêbado e um traveco feio pra caralho!!! O cara, que estava com um cheiro semelhante ao meu quando entrei no avião, queria nos levar até onde queríamos. Mas pedia a humilde contribuição de um celular(!!!). Coisas que só o menino-garoto pode nos propiciar...
o Pití:
Já se passavam de 1h da madrugada. O veículo transportava pelas complicadas ruas de São Paulo SETE inveterados bebedores de cerveja. Eis que do alto da fria madrugada paulistana e cansado de tanto rodar pelas ruas sem saber onde nos deixar, o discursos-genéricos-e-AGORA-chiliquenta bate o pé, dá pití e larga três pobres crianças no meio da Avenida Paulista, sem dinheiro (!!!), sem rumo, bêbados e com muuuuito frio. Mas aquilo não abalou o trio de ouro. Eles entraram em um táxi - que foi parado pelo amigo dos discursos - foram curtir a noite. Já estavam fodidos mesmo. Nada poderia ser pior. O foda é que o menino-garoto aprontou poucas e boas dali em diante. Mas isso será contado daqui a dois dias, quando aí sim serão reveladas as piores estripulias do menino-garoto...LEIA A SEGUNDA PARTE DA HISTÓRIA
7 comentários:
Que fase hein! só faltava eu nessa viagem pra ela ficar mais divertida!! ahahahhuahuahua
Atendendo a 2463 pedidos voltei para meu blog!!!
ehheeh
bjs
adoro suas histórias. Acho que me identifico pelo lado avesso, o lado que nunca fui. E que ainda penso que dá tempo de ser.
aguardando o resto da história
AUhauAhaUHAUaHuAHuAHAU
Caralho...to dando pala aqui!!
Imagina! "Menino-garoto" é demais pra mim!!
haiuahiuahaiuahiuhaiu
Só o "Menino-garoto" mesmo!!! Ri demais com essa história. Só acontece com vcs mesmo...
Vou acompanhar o resto.
PS: Vc tem que agilizar essas histórias pra rolar a votação da melhor do ano!
Abraço
Inimigo Disse
Menino -garoto Muito bom ,Excelente ,estou ansioso para ver a segunda parte.
Abraço.
rapaz, esse discursos-genéricos-chiliquenta é um filho da puta... que cara mais irritadinho!
hehehe.. boa história! contada de uma forma que só o pópus sabe contar... abçs
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