sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Um Pangaré bom de lance

Prólogo: Tempos atrás um amigo comentou que o irmão fizera uma das maiores merdas da vida. Sozinho, o cara sai cambaleando da boate. No caminho para sua Saveiro prata, dá de cara com um guardador de carros mandando ver num cachorro-quente.

Como a bebida consegue provocar em alguns otários a impressão de que "estar bêbado" é "estar o mais forte da região", o babaca toma o cachorro-quente da mão do pobre flanelinha, dá uma mordida que abarca metade da iguaria e a joga no chão. Como se não bastasse, ainda pisa, amassa, dá uma encarada no cidadão e sai andando em direção ao seu carro. Na maior paz. O pobre flanelinha ficou embasbacado. Segundos depois, puto. Deu um daqueles assobios com o polegar e o indicador na boca. Daqueles que se ouvem a 5 quilômetros. Em questão de segundos, surgiram flanelinhas até das árvores. Eles se juntaram e rebocaram o mané bêbado, que chegou em casa todo arrebentado e sujo de sangue. Ficou três dias sem aparecer no trabalho. Colocou a culpa na bebida, claro. Não deixei de dar razão.

O Pangaré: Tão "desgracento" quanto, é a bebida provocar em outros otários a impressão de que você pode passar a ser o dono da situação com o bolso cheio da grana. Aconteceu com o Pangaré. Um sujeito que anda por aí com uma barbinha ridícula, mas é bem gente fina. O problema é que tem um defeito grave: é menino. Numa dessas "meninisses" fez uma merda tão grande quanto mexer com uma gangue de flanelinhas. Um tio dele, dono de um sítio nas redondezas, o convidou para um leilão de eqüinos. Foram os dois. Lá, gente da alta sociedade (ele é um reles jornalista que ganha mal), mulheres bonitas, uísque, vodka, vinho, champagne... tudo liberado (menos as mulheres).

Com sangue no olhar, partiu pra cima da garrafa de uísque. Ele e o tio. Mataram um litro rapidinho, enquanto rolava o leilão de Mangalargas, Árabes, Andaluz, Puro Sangue e por aí vai. Meio embriagado, ficou observando aqueles velhos pançudos e madames frescas dando seus lances aos eqüinos. "R$ 2000,00!", gritou um velho gordo e barbudo. "R$ 2.500!!", ofereceu uma madame em um Puro Sangue. E os lances foram crescendo até chegar ao arremate de R$ 6000,00 (a parcela!!!). Pangaré, pela primeira vez em um leilão, achou o máximo e quis fazer uma "gracinha". O Puro Sangue vendido desceu do estábulo e subiram um outro cavalo. Não era Puro Sangue, mas até que era ajeitadinho.


O camarada com o microfone na mão anuncia: "Vamos iniciar os lances em R$ 300,00". Alguém gritou R$ 350,00. Uma segunda voz ofereceu R$ 400,00. Pangaré, astuto como só ele, pensou: "Bom, se o anterior chegou a R$ 6000,00, esse aí também vai longe". Virou-se para o tio ao seu lado, já completamente bebum, e perguntou: "Posso dar um lance?". O tio sem saber direito onde estava foi categórico: "Manda ver". O espertão do Pangaré chega a ficar de pé para berrar seu "lance": "R$ 500!!!!!". Senta novamente, cruza os braços e estampa um sorrisinho sem-vergonha no rosto, esperando que alguém se sentisse ofendido e gritasse um lance maior. Mas o salão fica em silêncio. Por intermináveis 40, 50, 60 segundos!!!! O suor começa a escorrer pela testa. O esfincter se contrai que não passa nem bufa. Até que acontece o que Pangaré não esperava. O mestre de cerimônias começa a repetir: "Eu tenho R$ 500. Quinhentos, quinhentos, quinhentos, quem dá mais, quem dá mais, quem dá mais? Vendido para o cavalheiro de vermelho!". E bate o martelo. Pangaré se cagou todo na hora e gritou um sonoro "nãaaaaoooooo".


Rapidamente vieram duas moças da organização com os documentos de transferência daquele cavalo arrematado por suaves prestações de R$ 500. Bom... se o anterior a parcela chegou a R$ 6000, esse que ele arrematou só podia ser um cavalo puxador de carroça. UM PANGARÉ! Mas as mocinhas não queriam nem saber da burrice daquele comprador. Forçaram o cidadão a assinar os papéis. Ele se recusou e jogou a responsabilidade no tio bebum, que acabou assinando a papelada sem saber nem quem era. Dia seguinte, o pessoal do leilão liga para o tio-não-mais-bebum-mas-com-ressaca e tenta combinar um horário para buscar o eqüino. "Cavalo? Que cavalo?". O cara não se lembrava de nada. Mas de bate pronto ligou para o sobrinho urrando: "Filho da puta! Você comprou um cavalo ontem e ainda fez eu assinar?!?!?!"


Epílogo: pelos cálculos do tio, o sobrinho, agora mundialmente conhecido como Pangaré, arrematou o cavalo por R$ 4 mil - é o que o sobrinho, o Pangaré, deve ao tio bebum e agora puto. O sobrinho nunca mais teve o respeito e consideração do tio. O sobrinho ficou envergonhado por meses, sem aparecer nas festas de família.

Mas como para todo babaca, desgraça é pouco, poucos dias depois de comprar o puxador de carroça, o mané enche o rabo de cerveja, sai dirigindo por aí e enfia o carro num poste. A polícia chega rapidamente e faz a cobrança: "Garoto, você vai ter que pagar pelo poste da CEB também. São R$ 2 mil". Saldo devedor: R$ 4 mil do puxador de carroça + R$ 2 mil do poste = R$ 6 mil. O Pangaré ainda hoje faz hora extra para poder pagar o tio e a CEB. Já o cavalo que ele comprou... o tio não foi buscar e, por isso, responde a um processo na Justiça. Pangaré nunca mais quis saber de leilões e ainda hoje chora o maldito "lance" na hora errada. É só mais um efeito colateral da bebida...

Sem mais para o momento...

8 comentários:

Anônimo disse...

Esse é o Pangaré....
quando a gente acha que ele chegou ao limite, surge uma nova e boa história. aliás, o que não falta é história pra contar deste sujeito

Anônimo disse...

"O esfincter se contrai que não passa nem bufa". kkkkkkkkkkk!!! Imagina o sujeito travando o boga e suando feito um porco!!! É um menino mesmo...

Bruna K Marques disse...

A surra foi pouca... gente abusada tem que apanhar mesmo.

Quanto ao pangaré, o apelido já diz tudo. Menino? Bebê hehhehehe Por essas e outras que nao bebo.
TOdas vez que vejo um panagré na rua lembro dessa história.

Anônimo disse...

É um pangaré ou um burro... será que ele voltou a ter moral perante à família? Muito boa a história

Anônimo disse...

ahuihauihauihauiahi
Que merda!!!
Isso é o que a bebida faz com a gente... Fala sério!!!
Muito bom o texto!
Abraço

Anônimo disse...

Pense num menino garoto!
Sem mais para o momento...

Paulinho Mesquita disse...

Ai caralho... esse pangaré é mesmo uma MULA!!
Choooraaaaa seu anão!

DB disse...

só tem histórias de bebados neste blog!!!!!!!!!