Nunca pensei que um dia eu, um cara do rock n' roll, passaria por tal situação: ir a um show de axé music. É triste, mas verdadeiro. Mas quem deixaria a namorada ir sozinha a um evento desse naipe? Pelas histórias que já ouvi por aí... algumas protagonizadas por vários amigos, foi melhor não arriscar deixá-la a mercê dos chamados “mata-leão”.
Pois bem. Era março de 2006. Minha senhora vai trabalhar na produção de um combo de shows desse famigerado gênero musical. Resolvi encarar a missão (de guerra). Eis que chego na arena do show (de excentricidades). A primeira visão foi a do inferno. Eu me senti como Charlton Heston no filme O Planeta dos Macacos. “Estou em um planeta estranho e primitivo”, conclui. Enquanto eu era o único a usar uma camisa preta, todos os seres vivos ao meu redor eram obrigados a vestir uma estranha indumentária absurdamente colorida. Muitos se comportavam de maneira esquisita – um deles corria entre a multidão com uma bóia em forma de pato na cintura (?!?!?!?!); outro trazia um boneco do Bob Esponja na cabeça (?!?!?!?!). Perto dali, um grupo entoava algum tipo de mantra. Nunca vi nada parecido, mas acho que era a dança da chuva ou algo do tipo. "Gente estranha essa", pensei com meus botões.
Horas antes dos primeiros batuques no palco já havia dezenas de seres estranhos e primitivos ao meu redor entregues às traças, podres de bêbados. Pensei: “Tem que ser um primata mesmo para pagar R$ 120,00 nessa merda e ter que ser levado embora antes do início dos shows”. Definitivamente estava em um planeta estranho e primitivo. Os machos ignoravam os quase 12º Celsius e a eminente tempestade e se despiam da cintura pra cima – acredito que para intimidar os outros machos na disputa pelo sexo oposto ou mostrar a eficácia de um Diabanol direto nas veias (anabolizante utilizado em cavalos de corrida). As fêmeas também iam pelo mesmo caminho. Shorts viravam cintos. Saias, tiras de pano. Calças, torniquetes. Camisetas ou tops, portais para a felicidade – Eu é que não vou deixar minha filha passar perto de um caldeirão desses...
Inquieto e tenso, olhava de minuto em minuto para o meu velho Cosmos à prova d´agua que carregava no pulso esquerdo. Resolvi então ingerir algum calmante. “Cerveja e nicotina!”, decidi. No ato da compra mais uma infelicidade: R$ 4,00 por uma Skol Beats quente!!! – passei toda a manhã seguinte peidando frouxo por causa dessa maldita cerveja.
Meia dúzia de Skol Beats depois, apesar dos meus cinco sentidos estarem prejudicados, reparo que os líderes espirituais daquela RAÇA tem um tipo de chamado que se repete a cada TRÊS minutos: “Vamo galeraaaa! Tira o pé do chãaaao!” ou “Quero ver as mãozinhas para o alto!!!”. Todos respondiam de bate-pronto. Um desses zumbis hipnotizados no meio do público era meu amigo. O Menino-garoto*, o mesmo que já pagara R$ 30,00 em um ICE na Rua Augusta, em São Paulo. O cara é um nerds-sempre-elegante e gente boa. Mas de vez em quando parece perder o bom senso. Enqüanto um cara que não parava de pular e gritar no microfone - e a galera achava isso o máximo - o Menino-garoto colocou-se de joelhos, fechou os olhos e levantou as mãos para o céu em posição de reverência e agradecimento. Pensei: “Meu Deus. Isso já é demais pra mim. Preciso sair daqui agora”.
Convidei minha garota – que ainda hoje apresenta sintomas de ser um deles – e segui rumo à saída mais próxima. No carro, a primeira coisa que queria era ligar o meu velho toca-fitas para uma lavagem cerebral-espiritual. O que a gente não faz por uma garota, não é mesmo?
A conclusão que tirei disso foi, no mínimo, acadêmica: uma baita experiência antropológica que me deixou negativamente impressionado. Lembrei de uma frase de Lars Ulrich, baterista do Metallica, no documentário Some Kind Of Monster: “A vida é uma eterna broxada com esporádicos boquetes”. Aquele dia foi o da brochada. Passei a perseguir muitos dias de boquetes.
Sem mais para o momento...
* Nome fictício para preservar a identidade do menino
16 comentários:
Eu gosto mesmo! Não sou radical. Vou mentir por que? Concordo com tudo o que você escreveu em relação ao comportamento das pessoas, é lamentável. Mas como nao bebo e nao uso cinto, me divirto. E a vida é assim, repleta de experiencias antropologicas. Falo pelo o show do Roger Waters (nossa, te ofendi com essa compração né? hahahahahaha).
Ah amor se eu estiver com vc, qualquer lugar é otimo!
Tenho dito!
" Tira o pé do chaooooooooooo!!!..."
hahahahahahahahaha
hauihauihaiuahuiahai
Já vi vc mais de uma vez num show desse mlk.
Experiência antropológica é mto boa!! kkkkkkkkkk
Esse menino garoto... Ele faz parte dessa "gente estranha". que figura!
Abraço
Duas consideracoes:
1 - pelo titulo do post, esta foi a primeira vez. Então houve outras "brochadas", é isso?
2 - Vc foi ingenuo. Apesar de estar "casado", poderia transformar a experiência antropológica em antropofágica. Esse é o lugar ideal.
Humildemente
Sim. Claro. Meia dúzia de vezes pelo menos. Tudo para defender minha garota daquele bando de símios. Você não defenderia a sua?
Sem mais para o momento...
Muleque,
Fala a verdade.
Tu curte um Asa de Águia.
Se contar as vezes que tu assisitiu ao DVD dos caras na Mansão do Tio Feliz, hein...
Sem mais para o momento...
realmente é inimaginável vc em um show axé music... mas valeu a experiência, né? forte abraço
Caro amigo Dudu. Faço parte de um grupo de amigos que SÓ ESCUTAM ISSO!!! Chego na sua casa por exemplo, tenho que suportar a impressionante variedade do seu acervo de DVDs e CDs: Asa de Águia, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Chiclete com Banana, Banda Eva, Asa de Águia, Babado Novo, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Asa de Águia, Jamil e uma Noites, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Asa de Águia, Asa de Águia... Aí complica, não?
Sem mais para o momento...
Que isso.. o acervo do Dudu vai além, tem também Bruno e Marrone, Vitor e Leo... hehehehe. Mas eu acho que no fundo, lááá no fundo, vc se amarra em Asa. Chiclete pelo menos?? Ievete então?? Ah, vai.. Ivete é legal!
É Popus tá ficando complicado pra vc!!!
É melhor assumir logo que curte a música baiana. kkkkkkkkkkkkk
Ahhh, aposto que em alguma hora do show até que seu pezinho começou a querer sair do chão, mas você se segurou...
Ps: Comprei um presente de aniversário pra você e pro Demolition!!! Acho que vocês vão amar!
Concordo em gênero, número e grau quanto ao comportamento orangotanguês dos bombados nos eventos. é no mínimo ridículo!
agora, não dá pra negar que na hora do "tira o pé do chão" o bom mesmo é sair pulando e cantando!
O lance (eu disse lance, não lança) é bom demais (o lança tb)!! Não dá pra dizer que um show desses é ruim..
E concordo com DB, o evento pode ser e quase sempre é antropofágico!
Guri, da próxima vez leva um iPod. O sofrimento será minimizado.
Abs
Axé tá fora de moda... tu foi no refugo das Micafestas.
Você tem que ir num baile funk - swingueira na FACITA...
piriri pom pom
piriri pom pom
vai vai
SMPOM...
Queria apenas fazer uma crítica aos macacos. Pelo visto, a carapuça serviu para muita gente aí, que se sentiu incomodada...
Sem mais para o momento...
sou ddo tempo em que música baiana era apenas BAMDA (com M mesmo) Mel e Olodum. Gostava tantooooo. :)~
"assobiei numa canção pequena, em cada esquina soa tão serena êêê"...
eu gosto.
mas de asa de águia, chiclete e tals, ecat, tenho convulsões. E acho que os pobres macacos não mereciam a comparação...
hihihi
beijooooos
Cara, os símios estão por aí, soltos, convivendo conosco nesse planeta. Agora, o que isso tem a ver com as discordâncias ressentidas? Eu não sei. Vc sabe? Se souber, por favor, ilumine minha pobre cabecinha. Os boquetes acontecem, as punhetas tb. Eu não conheço broxadas que não sejam, no mínimo, redentoras da espertalhice das geringonças esquerdistas. Vc concorda? Símios. Por favor, coloque um rock aí, cara. Vamos ouvir guitarra distorcida e pesada. Chicletes com águia me dão pesadêlos. Mas não sei. Se me pedirem pra sair do chão, eu saio. Símios ou não, somos todos redundantes. Sem mais para o momento.
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